Publicado em 10 de fevereiro de 2026 às 19:09
Uma jovem que foi morta a tiros pelo próprio pai havia discutido com ele, horas antes do crime, sobre o presidente Donald Trump, segundo depoimentos apresentados nesta terça-feira (10/1) em um inquérito judicial. >
Lucy Harrison, que nasceu na Inglaterra, levou um tiro no peito no dia 10 de janeiro de 2025, em Prosper, no Texas, Estados Unidos. Ela visitava o pai na cidade. >
Na época, a polícia local investigou a morte da jovem de 23 anos como um possível caso de homicídio culposo — quando não há intenção de matar — mas nenhuma acusação criminal foi apresentada contra o pai, Kris Harrison, depois que um grande júri no Texas decidiu não indiciá-lo.>
Um inquérito sobre a morte de Lucy foi aberto recentemente pela Justiça britânica no Tribunal de Cheshire, onde a jovem nasceu. >
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Em depoimento, Sam Littler, namorado de Lucy, contou que eles tiveram uma "grande discussão" com o pai da jovem sobre o presidente americano, Donald Trump, que estava prestes a tomar posse do seu segundo mandato.>
Littler, que tinha viajado para os Estados Unidos de férias com a namorada, disse que ela costumava ficar chateada quando o pai falava sobre comprar uma arma. >
Ainda, segundo o inquérito, Kris Harrison — que se mudou para os Estados Unidos quando a filha ainda era criança — teria passado por tratamento contra dependência de álcool.>
Harrison, que não compareceu à audiência de inquérito, admitiu em uma declaração enviada ao tribunal que teve uma recaída no dia do disparo e que havia bebido cerca de 500 ml de vinho branco.>
De acordo com Littler, na manhã do dia 10 de janeiro, sua namorada perguntou ao pai: "Como você se sentiria que eu fosse a garota naquela situação e tivesse sido abusada sexualmente?" — se referindo a acusações de abuso sexual contra Trump.>
Kris Harrison teria dito que tinha outras duas filhas que moravam com ele e que isso não o afetaria tanto — o que deixou Lucy "bastante abalada", fazendo com que ela corresse para o quarto. >
Littler contou ao tribunal que, mais tarde, naquele mesmo dia, cerca de meia hora antes de saírem para o aeroporto, Lucy estava na cozinha quando o pai a pegou pela mão e a levou até o seu quarto. >
Cerca de 15 segundos depois, Littler ouviu um barulho alto e, logo depois, Kris Harrison começou a gritar chamando pela esposa, Heather.>
"Lembro de entrar correndo no quarto e ver Lucy caída no chão, perto da porta do banheiro, enquanto Kris gritava coisas sem sentido.">
Em uma declaração enviada ao tribunal, Kris Harrison afirmou que ele e a filha assistiam a uma reportagem sobre violência armada quando contou a ela que possuía uma arma, e perguntou se ela gostaria de vê-la.>
Segundo ele, os dois foram até o quarto para que pudesse mostrar uma pistola semiautomática Glock calibre 9 mm, que estava na mesa de cabeceira. >
Harrison afirmou ter comprado a arma alguns anos atrás porque queria dar uma "sensação de segurança" maior para sua família. >
Ele negou que tenha discutido sobre esse assunto com a filha antes. >
Em seu depoimento, ele disse: "Ao pegar a arma para mostrar a ela, eu de repente ouvi um barulho alto. Não entendi o que tinha acontecido. Lucy caiu no chão na mesma hora".>
Harrison disse não se lembrar se seu dedo estava no gatilho.>
Ele reconheceu ter tido problemas com bebida alcoólica no passado e disse que teve uma "recaída" no dia da morte da filha, por estar emocionalmente abalado. >
O inquérito também conta com o depoimento da policial Luciana Escalera, que foi lido na audiência. Ela relatou ter sentido cheiro de álcool no hálito de Harrison quando foi chamada à residência após o disparo.>
Imagens de câmeras de segurança mostraram que Harrison havia comprado duas embalagens de 500 ml de vinho Chardonnay em uma loja pouco antes das 13h (horário local) daquele dia.>
Na audiência, Ana Samuel, advogada de Kris Harrison, apresentou um pedido para que a legista Jacqueline Devonish se declarasse impedida de atuar no caso, alegando que ela poderia "não estar sendo imparcial". >
De acordo com ela, a investigação estava sendo conduzida de uma forma "que mais parecia uma investigação criminal do que algo voltado para apuração dos fatos">
Lois Norris, advogada da mãe de Lucy, Jane Coates, disse que o pedido era uma "emboscada da equipe jurídica de Harrison". >
Norris disse ainda que Kris Harrison era a "única pessoa que estava no cômodo" quando tudo aconteceu e que ele tinha atirado em Lucy.>
Devonish rejeitou o pedido para se afastar do caso.>
Em nota divulgada por seus advogados, Kris Harrison disse que ele "aceitava plenamente" as consequências de seus atos.>
"Não há um dia em que eu não sinta o peso dessa perda, um peso que vou carregar pelo resto da minha vida", disse.>
Coates disse que a filha, que trabalhava para uma marca de moda, era uma "verdadeira força da natureza".>
"Ela se importava com as pessoas. Ela era apaixonada pelas coisas. Ela adorava debater sobre assuntos que eram muito importantes para ela.">
A audiência de inquérito foi adiada para a próxima quarta-feira (11/2), quando a legista deverá divulgar suas conclusões.>
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