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Descarbonização

Alemanha faz lobby por sobrevida de motor a combustão na Europa

Promessa de campanha de Friedrich Merz, a Alemanha vai atuar oficialmente contra o banimento de motores a combustão na Europa na próxima década

Publicado em 01 de Dezembro de 2025 às 08:00

Agência FolhaPress

Publicado em 

01 dez 2025 às 08:00
carro a combustão, escapamento
salvar empregos com a manutenção de carros que queimam combustíveis fósseis foi uma bandeira fácil de empunhar nas últimas eleições Crédito: Shutterstock
BERLIM, ALEMANHA (FOLHAPRESS) - Promessa de campanha de Friedrich Merz, a Alemanha vai atuar oficialmente contra o banimento de motores a combustão na Europa na próxima década. Uma carta nesse sentido foi enviada nesta sexta-feira (28) à Comissão Europeia reclamando o adiamento do fim dos motores a gasolina e a diesel em veículos nos países do bloco.
Segundo a legislação europeia, carros de passeio e vans deverão alcançar emissão zero em 2035. O setor rodoviário respondia por mais de 10% das emissões líquidas de gases de efeito estufa no planeta em 2023, quando a lei foi implementada. Elétricos soavam como solução rápida para emissões, e Bruxelas discutia alternativas à dependência energética da Rússia, a lei virou um transtorno econômico e político em diversos Estados-membros.
Como declarou Merz ao justificar as medidas, a situação das montadoras alemãs neste momento é "precária". "Todos sabemos o que está acontecendo com a indústria automotiva", declarou o premiê sobre a crise que abate o setor no continente.
As grandes marcas alemãs perderam a corrida tecnológica em torno dos modelos elétricos para a China. A exemplo do que ocorre no Brasil, empresas como a BYD começam a invadir a UE, depois de dizimarem os concorrentes europeus no mercado chinês.
O lobby alemão foi vocalizado durante a aprovação do orçamento de 2026 no Parlamento, também nesta sexta (28), em Berlim. Incluído no pacote, uma política de subsídio para carros elétricos, encerrada na gestão passada, volta agora com a inclusão de modelos híbridos e dos equipados com motores convencionais "de alta eficiência", designação que soa como eufemismo para especialistas.

Estagnação econômica

Reconhecida liderança ambiental, com origens que remontam à luta contra a energia nuclear nos anos 1970, a Alemanha encara um período de estagnação econômica que já vai para o terceiro ano. Símbolo da pujança do país no pós-guerra, a Volkswagen chegou a anunciar um plano para o fechamento de fábricas, no fim do ano passado, algo que seria inédito na história da montadora.
Alvo da extrema-direita, a política ambiental da coalizão de governo anterior, que contava com o Partido Verde, foi achincalhada pelos opositores. A chamada "lei de aquecimento", que estabelecia subsídios para a troca de sistemas a óleo e a gás por equipamentos elétricos, foi mal implantada, assim como mal explicada para a população.
Em busca do voto dos insatisfeitos, a aliança conservadora de Merz, então na oposição, começou a demonizar o governo capitaneado pelo social-democrata Olaf Scholz, misturando a política desastrada com preços de energia, inflados pelo boicote ao gás russo e pela inerente flutuação das fontes renováveis.
Nesse cenário, salvar empregos com a manutenção de carros que queimam combustíveis fósseis foi uma bandeira fácil de empunhar nas últimas eleições. Markus Söder, ministro-presidente da Baviera, cargo equivalente a governador, declarou após o anúncio do aliado Merz: "Vejam como estou satisfeito".

Crítica aos Verdes

Söder é um dos muitos políticos alemães que achou uma trilha de campanha na crítica aos Verdes e ao propalado exagero das políticas ambientais. Nas redes sociais, por exemplo, aparece comendo salsichas e hambúrgueres para antagonizar com campanhas que pedem menos emissões a partir de um menor consumo de carne.
A AfD, o partido considerado de extrema-direita pelos serviços de segurança da Alemanha, vai bem mais longe, advogando até pela derrubada das torres eólicas no país.
Para os críticos, no entanto, rever o fim programado dos motores a combustão traz embutido efeitos colaterais. Se as montadoras alemãs já não dão conta da concorrência chinesa, prolongar a sobrevida de uma tecnologia obsoleta só vai piorar a situação.
"Quem pensa que a Alemanha será capaz de garantir empregos e criação de valor no futuro com a tecnologia dos motores de combustão, que já está superada, está deliberadamente fechando os olhos para a realidade", declarou Sebastian Bock, do braço alemão da T&E, think tank europeu voltado para o setor de transporte.
O suposto caminho do meio também não parece ser uma alternativa. Segundo a UE, as emissões de dióxido de carbono de híbridos plug-in são, em média, quase cinco vezes superiores às indicadas nos testes divulgados pelas fábricas.

Biocombustíveis

Uma reunião da Comissão Europeia sobre o assunto está marcada para 10 de dezembro. Antes do providencial apoio do governo Merz, as montadoras expressavam receio de não ter os pleitos atendidos ou de uma decisão sobre o assunto ser postergada.
Uma das tantas propostas das empresas é disseminar o uso de biocombustíveis, pauta que interessa ao Brasil, líder na produção e na tecnologia do setor.
Em setembro, a presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, defendeu em discurso no Parlamento Europeu que a alternativa para o bloco não deveria ser recuar da legislação, mas estimular a criação de modelos elétricos populares e disseminar seu uso em frotas, responsáveis pela maior parte das vendas no continente.
As emissões globais de dióxido de carbono (CO2) devem crescer 1,1% em 2025 e alcançar o patamar recorde de 38,1 bilhões de toneladas. A descarbonização está em curso em diversos países, mas não em ritmo suficiente. A União Europeia deve aumentar suas emissões em 0,4% neste ano.

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