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No ES, Clodoaldo deixa aposentadoria de lado e cai na água com amigos

Maior paratleta das piscinas brasileiras, Clodoaldo Silva, que está no Espírito Santo para visitar amigos e dar palestra, comentou em entrevista sobre carreira e legado do Rio-2016

Publicado em 03/04/2019 às 15h02
Clodoaldo Silva, maior nadador paralímpico do Brasil, com 14 medalhas paralímpicas. Crédito: Carlos Alberto Silva
Clodoaldo Silva, maior nadador paralímpico do Brasil, com 14 medalhas paralímpicas. Crédito: Carlos Alberto Silva

São nada mais, nada menos que 14 medalhas conquistadas em Paralimpíadas, sendo destas seis incríveis ouros frutos de uma única edição, os Jogos de Atenas em 2004. Esse currículo é creditado ao maior nadador paralímpico brasileiro, o potiguar Clodoaldo Silva, de 40 anos, que se aposentou após os Jogos do Rio 2016.

Naquela ocasião do adeus, Clodoaldo levou uma prata no revezamento que tinha como um dos integrantes a capixaba Patrícia Pereira no 4x50 livre misto, o que garantiu ao Espírito Santo a primeira medalha na natação paralímpica em Jogos. Clodoaldo se despediu das piscinas em grande estilo. Mas continuou mantendo as amizades feitas no esporte e tirou esta semana para rever amigos capixabas e fazer palestra no Estado, uma das suas novas ocupações. 

Antes de cair na água do Clube Álvares Cabral, na tarde desta quarta-feira (3), o recordista, que também é conhecido pelo apelido de Tubarão e participou também da Paralimpíada de Sidnei, em 2000, conversou com o Gazeta Esportes e contou o que tem feito após a aposentadoria, além de relembrar grandes momentos da carreira vitoriosa.

Clodoaldo treina com paratletas capixabas no Álvares Cabral. Crédito: Arquivo Pessoal
Clodoaldo treina com paratletas capixabas no Álvares Cabral. Crédito: Arquivo Pessoal

Carinho com o ES

"Gosto muito do Espírito Santo, principalmente em Vila Velha onde o Léo mora. A gente tem amizade bem antes de Antenas 2004. O legal do esporte não são nem as medalhas, as viagens, os títulos, que são muito bons também, mas os amigos que a gente faz conta muito. Calhou de todas as vezes que eu venho para Vitória eu venho para fazer palestras e sempre que eu possa estou aqui no Álvares Cabral para matar a saudade da piscina, dos amigos. Isso que importa.

Parceria com capixaba Patrícia Pereira

A Patrícia foi uma menina que conseguiu entrar no esporte paralímpico e ter sucesso em tão pouco tempo, mas isso não é o acaso, não é sorte, a Patrícia é muito esforçada, é muito dedicada e para mulher seja no olímpico, seja no paralímpico, aquela mulher ter sangue nos olhos para treinar e suportar a dor. E a Patrícia é assim, ela supera a dor dela, entra na água e sempre dá seu melhor. Então todas estas vitórias delas são merecidas. E ter nadado com ela no revezamento Rio 2016 e ter conseguido a medalha de prata, fiquei feliz por ter ganho essa medalha para e também ver a dedicação dela que hoje se vê como sua história própria 

Reconhecimento junto de Ronaldinhos

Nem nos meus melhores sonhos eu imaginava isso. Nunca fui um cara que dizia eu quero entrar na piscina e ser campeão. Eu acho que sempre busquei no meu dia a dia melhorar e com isso veio a recompensa. A recompensa de ser reconhecido, de acender uma pira paralímpica, de receber do Comitê Olímpico do Brasil o prêmio hour concuor (honraria dada a quem teve um desempenho excepcional, e que apenas Clodoaldo, Ronaldo Fenômeno e Ronaldinho Gaúcho receberam". Mas eu recebo com muita naturalidade, eu gosto desse carinho, principalmente das pessoas sem deficiência. Muitos me veem não como o Clodoaldo coitadinho, mas como o Clodoaldo capaz. E com isso a gente consegue dar também a respeitabilidade e a visibilidade a outras pessoas com deficiência. 

Legado das Paralimpíadas do Rio-2016

Faltou muita coisa. Quando eu era questionado, desde 2009, da época em o Brasil recebeu a oportunidade de sediar os Jogos Olímpicos e Paralímpicos, começaram a falar em legado. E eu sempre batia na tecla que gostaria que ficassem grandes complexos esportivos, mas que eu esperava que o legado que realmente ficasse era a questão da respeitabilidade com a pessoas que tem deficiência. E acabou o 2016 e o que eu vejo hoje é que foi muito mais o legado social que ficou, pela aceitação da pessoa com deficiência, pela visibilidade positiva que nós temos. Já a questão de legado estrutural, no Rio de Janeiro está lá a estrutura, mas infelizmente se usa muito pouco, não se tem trabalhos e projetos para se colocar no Parque Olímpico, seja na Barra ou seja em Deodoro. Eu moro lá e eu vejo isso todo dia. Então é algo triste, mas como brasileiro eu tenho esperança que isso possa mudar e essas estruturas sejam utilizadas para algo que elas foram propostas. 

Palestras

Tenho dado palestras em diversos lugares e sempre que venho no Espírito Santo faço alguma. Nesta quarta-feira vou falar com alunos da Católica de Vitória Centro Universitário, sobre "A deficiência estabelece limites mas não a incapacidade". 

Começo despretensioso na natação

Entrei na natação para fazer fisioterapia, porque meu diagnóstico clínico é paralisia cerebral, algo que aconteceu no parto. Eu tive que fazer várias cirurgias para poder descruzar e desdobrar minhas pernas. A minha última foi aos 16 anos de idade quando meu médico me recomendou a natação, como fisioterapia e qualidade de vida. E foi assim que comecei. Fiquei 18 anos na natação, de 1998 a 2016. Essa foi minha história. 

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