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Entre vinhos

Entenda como funciona o sistema de pontuação de vinhos

Uma avaliação por meio de nota dada por um crítico ou publicação pode alavancar a venda ou destruir a reputação de um rótulo

Públicado em 

02 set 2022 às 07:00
Nádia Alcalde

Colunista

Nádia Alcalde

Concursos e premiações também fazem parte do mundo do vinho, e assim como as pontuações dadas pelos críticos especializados, são importantes para atestar e classificar a qualidade do produto. Seu propósito é conceituar o rótulo de acordo com a reunião de suas qualidades.
Porém, existem técnicas para isso, e nem todo mundo está apto para esse julgamento.
Até porque a avaliação positiva de um vinho por meio de notas dadas por um crítico ou publicação pode alavancar suas vendas, ou, quando negativa, destruir sua reputação. É uma enorme responsabilidade.
Adega com garrafas de vinho
Notas e pontuações costumam influenciar na escolha dos vinhos Crédito: Shutterstock
Normalmente, as pontuações ou medalhas aparecem como um selo extra colado na garrafa e especificado na ficha técnica do rótulo. De fato, esses pontos podem significar muita coisa para alguns consumidores. São uma indicação sobre qual rótulo se deve degustar para estar em dia com o que há de bom no mercado, uma referência de qualidade.
Já para outros apreciadores de vinho, esses índices não querem dizer nada. Talvez estejam ali apenas para justificar o preço alto (um selo de 100 pontos leva a um aumento considerável no valor da bebida) e gerar dúvidas.
No fundo, no fundo, os consumidores do dia a dia e os iniciantes no universo da bebida esperam mesmo é que determinada avaliação signifique um menor risco de erro na escolha do rótulo. O selo com pontos ajuda nisso.

QUESTÃO DE GOSTO

Chegamos aqui a uma discussão importante, que talvez seja a mesma da sua roda de confraria. Avaliar um vinho e pontuá-lo nada tem a ver com gostar do vinho. Vinho bom, infelizmente, não é aquele que a gente tem preferência e bebe com frequência.
Paladar é antes de tudo uma questão de gosto pessoal, e cada bebida tem particularidades apreciadas de forma bastante subjetiva.
Por isso, muitas das avaliações são realizadas em degustações às cegas, com fichas padronizadas e detalhes dos aspectos dos vinhos analisados e pontuados separadamente.
Além disso, contam com avaliadores de credibilidade muito alta para pontuá-los de forma imparcial, considerando sempre os mesmos critérios básicos para um julgamento técnico e objetivo. É preciso ter habilidade e muito estudo para isso.

COMO FUNCIONAM AS PONTUAÇÕES 

Existem vários sistemas de pontuação de vinhos ao redor do mundo. No geral, a classificação que atribui aos rótulos notas de 50 a 100 pontos é a mais comum. Porém, outros críticos ou publicações podem usar um sistema diferente.
Quando é utilizada a escala até 100, os pontos são divididos nas seguintes categorias: 
  • Vinhos pobres - os que recebem pontuação entre 50 e 59;
  • Vinhos abaixo da média - os pontuados entre 60 e 69;
  • Vinhos médios - de 70 a 79 pontos;
  • Vinhos muito bons - entre 80 e 89 pontos; 
  • Vinhos excelentes -  entre 90 e 95 pontos; 
  • Vinhos raros e extraordinários - entre 96 e 100 pontos.
Esse sistema é adotado por publicações especializadas famosas, como a The Wine Advocate, do respeitado crítico americano Robert Parker; a Wine Spectator; a Wine Enthusiast; e a Wine & Spirits.

QUESTÃO DE GOSTO

Voltemos à questão do gosto pessoal quando o assunto é vinho. Sem dúvida, as opiniões de Robert Parker ou de qualquer outro crítico nos ajudam a encontrar nossas afinidades e a entender melhor nosso paladar, nos dando, acima de tudo, experiência para degustar.
Mas quando se trata de indicações, a coisa fica um pouco mais complicada. Repare que as pontuações também repetem um estilo ou um perfil de vinho quando bem avaliado.
É fácil encontrar sempre as mesmas características em um vinho com 90 pontos do Robert Parker - no geral são massivos, estruturados e amadeirados.
Dentro das técnicas de avaliação é um vinho bom? Sim, mas é importante saber que esse pode não ser o meu ou o seu estilo de vinho favorito - e tudo bem! Por isso, é sempre válido falar das escolhas, compartilhar e discutir as preferências.
Isso também vale para os produtores, que às vezes sacrificam a noção de terroir e origem para fazer vinhos de acordo com a opinião de determinados críticos ou publicações que, querendo ou não, influenciam muito o mercado.

NOVO MOMENTO

Robert Parker até já se aposentou, mas as notas “RP” e outras competições continuam avaliando e pontuando vinhos, o que ainda é importante para identificar bons produtores e boas safras. Porém, mais do que isso, nós consumidores também vivemos um novo momento.
O que o mercado e alguns outros enófilos da roda de amigos precisam entender é que nos importamos cada vez menos com os selos que impressionam. Não é o rótulo que importa, queremos apenas vinhos que realmente se expressem na taça!

Nádia Alcalde

Apaixonada por vinhos, Nádia Alcalde é jornalista, sommelière e consultora. Escreve sobre o universo da bebida, antenada com lançamentos, tendências e notícias..

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