Construir uma casa é um processo longo, mas por conta do avanço da tecnologia, o tempo de finalização da obra pode cair até pela metade. Conhecida como obra seca, esse tipo de técnica conta com opções de materiais que não envolvem substâncias de secagem lenta, como a argamassa, e, por isso, agilizam a construção de uma residência.
Uma das técnicas que tem despertado o interesse nos canteiros de obra é o poliestireno expansível (EPS). Esse material, apesar de ser associado mais a caixas de conservação de bebidas, é um dos formatos mais resistentes para estar em uma obra. Junto com uma tela de aço e preenchimento de argamassa, o material torna a construção mais leve e mais rápida.
Outra técnica que se destaca é a steel frame, que consiste em um sistema construtivo industrializado que usa como base perfis de aço galvanizado, produto resistente à corrosão. Sua utilização permite, em muitos casos, uma construção mais rápida e econômica, com manutenção reduzida.
Outras formas construtivas dentro desse sistema rápido são o gesso acartonado, a utilização de contêineres, obras com placas cimentícias e estruturas metálicas.
Como funciona?
Essas tecnologias de construção são rápidas porque funcionam, basicamente, com montagem. O arquiteto e presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Espírito Santo (CAU/ES), Heliomar Venâncio, explicou que os materiais chegam pré-montados para os profissionais encaixarem da forma que foi definida pelo projeto.
“É a chave de virada. Essa estrutura é montada, enquanto a outra é convencional, onde é preciso receber todos os insumos para preparar a concretagem e esperar o tempo de secagem. No modelo rápido, por exemplo, já fiz uma construção metálica em que o serralheiro já envia diretamente para a obra as vigas e os pilares prontos”, explica.
O modelo de construção rápida traz também menos impacto ao meio ambiente, por gerar menos resíduos. Como os elementos desse formato de construção chegam praticamente prontos, não envolvem a mistura de materiais como brita e areia, resultando em menos entulho e sujeira na obra.
Esse formato também é mais fácil de reconstruir, de acordo com Venâncio. "É por isso que se vê tanta obra seca nos Estados Unidos e na Europa, locais onde desastres naturais destroem as casas com mais frequência. Normalmente, essa tecnologia serve para que se possa reconstruir de uma forma mais rápida", conta.
Mais veloz, mais gastos
Por serem tecnologias com um uso menos frequente do que a utilização de alvenaria, ainda há a barreira do preço. Por isso, quando se pensa em fazer uma obra em um tempo mais rápido, é necessário entender que será desembolsada uma quantia maior em relação à parede feita de tijolos.
Além da tecnologia envolvida, outro fator que impacta o valor é a falta de mão de obra qualificada para realizar a obra. Segundo o presidente do CAU/ES, ainda não é fácil encontrar com muita facilidade profissionais que saibam usar os métodos de construção ágil para levantar uma residência.
O vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Espírito Santo (Sinduscon-ES), Leandro Lorenzon, também vê essa resistência na população. Isso porque não são materiais comuns usados na produção de casas no país e nem tão baratos. Mas para o dirigente do Sinduscon, essa forma de produção pode se tornar mais frequente, seja por maior adesão, seja pela redução dos preços dos produtos.
Impressão 3D
Uma das tecnologias mais novas e inovadoras dentro do mercado imobiliário é a impressão 3D. O equipamento "imprime" determinados objetos em três dimensões e é construído em várias camadas. Com o objetivo formado, a casa é construída com toda a tecnologia em 3D.
No Brasil, uma residência foi feita desse modo no município de Macaíba, Rio Grande do Norte, em 2020. O projeto da casa e a impressora que produziu o concreto, - principal material usado para fazer a casa - foram feitos por estudantes da Universidade de Potiguar (UnP). O engenheiro civil e de segurança do trabalho, Giuliano Battisti, gerente de Relacionamento Institucional do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Espírito Santo (Crea-ES) acredita que essa será uma opção no futuro, pois é feita com muita rapidez.
Conheça as principais técnicas de construção rápida
01
Gesso Acartonado
02
Madeira laminada cruzada
03
Estrutura metálica
04
Wood frame
05
Contêiner
06
Placa cimentícia
MIkaella Mozer é aluna do 25º Curso de Residência em Jornalismo da Rede Gazeta e foi supervisionada pela editora adjunta do Estúdio Gazeta Karine Nobre.