Tempo. Se bem utilizado em um time, faz com que esse evolua, melhore tecnicamente, fisicamente e apresente um bom jogo. Mas inversamente proporcional a isso, ele também é capaz de piorar as fraquezas e falhas. Essa definição explica o Fla-Flu desta 28ª rodada do Brasileirão no Maracanã. Quanto mais tempo passa com Rogério Ceni, pior o Flamengo fica. Já o Tricolor, que nada tem a ver com isso, soube aproveitar apenas um dos dois tempos da partida para vencer o clássico.
O Flamengo teve mais a bola em grande parte do jogo, mas é a posse de bola inútil. Os erros que foram vistos na partida que encerrou 2020, no insosso empate por 0 a 0 contra o Fortaleza, se repetiram e evoluíram nesta noite de quarta-feira (06). 2021 começou da pior forma possível para o Rubro-Negro: derrota no clássico na rodada e que o líder São Paulo foi goleado. Se vencesse, eram quatro pontos de diferença e com um jogo ao menos em relação ao time paulista. Mas o problema do Flamengo é justamente depender de si. Quando a responsabilidade cresce, diminuiu a objetividade.
Já o Fluminense, que ainda carecia de uma atuação convincente após a saída de Odair Hellmann, superou a perda de Nenê horas antes do jogo por problemas estomacais e ainda a ausência do técnico Marcão, que testou positivo para covid-19, para triunfar. Coube a Aílton, aquele que chutou para o histórico gol de barriga de Renato Gaúcho, comandar o time à beira do campo.
Se o flamenguista queria começar o ano querendo esquecer o fim do que se foi, o cartão de visitas foi indigesto. Matematicamente é possível chegar ao título, mas nem o mais fanático torcedor consegue crer nisso tendo visto a apatia do time, especialmente no segundo tempo. O fanático tricolor, entretanto, vê aquela vaga na Libertadores, que parecia utopia antes do início do Brasileiro, se aproximando das Laranjeiras.
2021 começou apenas para um clube. O outro está preso aos erros de 2020.