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Projeto de agroinovação sustentável em MG vai beneficiar o ES

O LabCerrado, uma iniciativa da VLI em parceria com a Embrapa Cerrados, consiste em fomentar práticas sustentáveis e ampliar produção em regiões de MG e GO

Publicado em 31 de Março de 2023 às 13:30

Estúdio Gazeta

Publicado em 

31 mar 2023 às 13:30
Conexão ferrovia e porto representa eficiência para o agro
Conexão ferrovia e porto representa eficiência para o agro Crédito: VLI/ Divulgação
Um projeto de agroinovação que vem sendo desenvolvido em Minas Gerais e Goiás pode impulsionar a produção de grãos no Cerrado brasileiro e beneficiar o Espírito Santo no futuro. Trata-se do LabCerrado, um projeto da VLI e da Embrapa Cerrados, que consiste em fomentar práticas sustentáveis nos polos agrícolas situados nesses Estados.
Por meio de inovação, pesquisa e tecnologia, a ideia do projeto é ampliar e fortalecer a região - que vai do Leste de Goiás, Tocantins e as regiões ao Noroeste, Triângulo e Alto Paranaíba de Minas -, adicionando mais 7 milhões de hectares potencialmente cultiváveis na região voltados para a produção de grãos, como soja e milho.
A região está na área de influência da Ferrovia Centro Atlântica (FCA) – operada pela VLI –, e com os incentivos e fomento, a expectativa é que mais cargas sejam escoadas pelo modal ferroviário rumo aos portos capixabas.
O projeto foi apresentado ao setor produtivo capixaba no evento “Espírito Santo e Minas Gerais: conexão para o agronegócio”, realizado no dia 22 de fevereiro em Vitória pela VLI e A Gazeta em parceria com o ES em Ação.
De acordo com Diego Zanella, diretor de Operações Corredor Centro-Leste da VLI, o LabCerrado terá, até o final de 2023 em Minas Gerais e Goiás, 18 unidades produtivas, oito unidades experimentais de agroinovação, três unidades especiais de referência para inovação e dois escritórios regionais.
“O Espírito Santo se beneficiaria muito porque é o melhor destino para escoamento das regiões no Noroeste de Minas Gerais”, disse Zanella no evento, destacando que a VLI já tem uma operação robusta ligada ao agronegócio no Corredor Centro Leste, trazendo 5 milhões de toneladas de grãos para os portos capixabas e levando do ES para Minas 1 milhão de toneladas de fertilizantes por ano.
Só em 2022 já foram investidos R$ 11 milhões no LabCerrado, sendo que estão projetados mais R$ 9 milhões em 2023, além de possibilidade de captação de mais R$ 20 milhões em novas parcerias. O Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) e a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Minas Gerais (Aprosoja-MG) já são parceiros do projeto.
O gerente de Fomento da VLI, Edson Zacarias, destaca que se trata de um projeto de desenvolvimento territorial com premissas sustentáveis. Uma das ideias é aproveitar melhor o solo para cultivo, uma vez que as regiões selecionadas contam com grandes áreas de pastagem que podem se converter em campos produtivos sem necessidade de desmatamento, preservando o meio ambiente.
Fomento de práticas sustentáveis é o foco do LabCerrado
Fomento de práticas sustentáveis é o foco do LabCerrado Crédito: Fabiano Bastos/ Embrapa
“O LabCerrado visa juntar parceiros estratégicos com interesses convergentes em torno de utilizar tecnologias que produzam no campo, sobretudo grãos, de uma forma que privilegie as questões ambientais e dessa forma gere maiores excedentes de produto. E isso vai gerar aumento de cargas para o Espírito Santo, que possui uma conexão direta com essas regiões através da FCA”, destaca.
Zacarias explica que alguns experimentos já vêm sendo feitos em algumas propriedades, selecionadas pontualmente como referência, e a partir dessas primeiras experiências isso será replicado para outros produtores. “São experiências como remineralizadores de solo, cobertura de solo e genética adaptada. Essa tecnologia já existe, mas ela está adaptada a regiões de planalto. Agora temos que adaptá-las para outras áreas”, detalha.
O número de propriedades e de experimentos será ampliado ao longo do ano. Alguns deles devem usar o pó de rocha - ou pó de basalto - como fertilizante natural. “Nós temos experimentos com pó de rocha sendo feitos em Brasília no campo experimental da Embrapa Cerrados. São experimentos de grande escala que estão sendo feitos lá e depois vão permear esses campos experimentais”, explica.
Zacarias ressalta ainda que, atualmente, parte desses territórios está fortemente degradada com pastagens que perderam sua capacidade de suporte. “O que a gente quer é revitalizá-las, tornando essas áreas produtivas.”
Sebastião Pedro da Silva, chefe-geral da Embrapa Cerrados, ressalta o potencial da região na produção agrícola. 
"É possível produzir soja nessa região, que tem uma forte demanda lá fora, produzir milho e até produzir trigo. E todas são commodities que podem ser exportadas pelos portos do Espírito Santo"
Sebastião Pedro da Silva - Chefe-geral da Embrapa Cerrados
Ele complementa: “A demanda por esses grãos é alta. Esse ano, numa resposta fantástica da nossa agropecuária, talvez alcancemos a autossuficiência em trigo. E podemos produzir trigo nessa região, porque o nosso trigo do Cerrado é melhorador e branqueador, um trigo de alta qualidade para a panificação”, pontua.
Sebastião aborda o desafio e importância dessa parceria, que passa por adaptar as tecnologias existentes em função das especificidades da região, que tem solos degradados e em regiões com índice pluviométrico desfavorável.
Desde 2022, LabCerrado promove agenda com produtores
Desde 2022, LabCerrado promove agenda com produtores Crédito: Fabiano Bastos/ Embrapa
“Grande parte desse território não está em chapadas, mas tudo o que foi criado até aqui foi para produzir no Cerrado alto. Então agora a gente precisa fazer ajustes para um novo modelo de agricultura. Esse é um dos objetivos dessa parceria, além de desenvolver uma agricultura baseada em processos biológicos e menos em insumos químicos, como era até agora”, frisa.
O pesquisador da Embrapa destaca que neste vasto território há menos disponibilidade de água e climas mais secos, sendo preciso pensar em tecnologias que permitam produtividade nessas condições. “Nós temos essa experiência já, mas precisamos ajustar os detalhes, até porque é uma região grande com várias especificidades. Tem tecnologia e estamos estudando para adaptá-la”, observa.
A iniciativa tende a estabelecer uma relação de ganha-ganha entre os setores do agro e logístico, segundo os especialistas. Isso porque a proximidade com a ferrovia faz com que a produção tenha escoamento eficiente e competitivo, reduzindo custos de transporte para os produtores, e trazendo mais cargas para a FCA.
Hoje, a ferrovia está em processo de renovação antecipada da concessão junto ao governo federal, que deve prever novos investimentos na malha, entre eles, o estudo de viabilidade de um ramal ligando Pirapora à Unaí, em Minas, justamente na região Noroeste do Estado

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