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A fantástica fábrica de pios de Cachoeiro: tradição e superação

Única produção do instrumento musical na América Latina enfrentou forte enchente no início do ano e, agora, se adapta à crise causada pelo coronavírus

Publicado em 18 de Abril de 2020 às 19:10

Redação de A Gazeta

Publicado em 

18 abr 2020 às 19:10
Fábio Coelho, gestor da fábrica de pios em Cachoeiro
Fábio Coelho, gestor da fábrica de pios em Cachoeiro Crédito: Arquivo pessoal
Foi uma casa de dois andares, rodeada de árvores à beira do rio Itapemirim, em Cachoeiro, no Sul do Estado, o ambiente perfeito para que a única fábrica de pios da América Latina pudesse ser erguida pela família Coelho há mais de 100 anos. Antes utilizados para caça, hoje os pios cumprem a função de preservação da natureza e da história e cultura cachoeirense.
Os pios são instrumentos musicais que reproduzem os sons das aves. Feitos à mão, eles são esculpidos, um a um, em diferentes tipos de madeira. “Na terra onde nasceu o rei Roberto Carlos, meu bisavô Maurílio Coelho produziu música bem antes, mas de outra forma, através do canto dos pios. Desde 1903, mesmo ano que chegou a energia elétrica na cidade (Cachoeiro foi a primeira cidade do Espírito Santo a receber energia elétrica)”, conta orgulhoso Fábio Coelho, músico e atual gestor da fábrica da família.
Pios produzidos por fábrica em Cachoeiro
Pios produzidos por fábrica em Cachoeiro Crédito: Thiers Turini
Segundo ele, a paixão do bisavô pelos pios começou no contato que ele teve com índios e caçadores. “Até os anos 1960, os pios eram usados por caçadores pra atrair as aves, porque a caça ainda era liberada. Tudo nasceu assim na verdade, mas muitos músicos já usavam os pios como souvenir nessa época. Aí meu bisavô teve a ideia de montar um pequeno torno pra começar seus primeiros experimentos na produção dos pios”, revela.
Os pios já existentes eram feitos de bambu e taquara, mas o som não era dos melhores pra atrair as aves, então foram realizados vários testes e pesquisas, e matas de diversas regiões do país foram visitadas para alcançar a fidelidade de som ideal para cada pio. O esforço deu tão certo que a partir da década de 1970 os pios cachoeirenses começaram a ser exportados para vários países, como Estados Unidos, Alemanha, Dinamarca e Japão.
Maurílio Coelho (à direita) fundou a fábrica de pios no início do século 20, em Cachoeiro
Maurílio Coelho (à direita) fundou a fábrica de pios no início do século 20, em Cachoeiro Crédito: Arquivo pessoal
Atualmente, a fábrica produz 45 modelos de pios diferentes. “Nós utilizamos madeiras de reutilização e o tempo pra confecção de um pio pode variar de 20 minutos a 1h30 de acordo com o modelo, mas trabalhamos por peças pra otimizar o tempo de produção. Apesar de termos um padrão de experiência, graças à tradição da nossa família cada pio é único, é muito intuitiva ainda a construção de um. A ideia é até o ano que vem totalizarmos 50 modelos de pios.”
Muitos ao se depararem com o pio acabam o comparando a um apito, mas Fábio não gosta muito dessa comparação, não. “Costumo brincar que pássaro não apita, ele pia, então prefiro comparar o pio a algo mais fino, rústico, como uma flauta, por exemplo”, declara.

CRISES E RECOMEÇO

Em janeiro, por conta das fortes chuvas que atingiram o Sul do Estado, as máquinas e boa parte dos materiais necessários pra confecção dos pios foram danificados, alguns perdidos, inclusive. A enchente que invadiu o espaço na época atingiu quase dois metros de altura. Hoje, a fábrica sofre ainda com a instabilidade econômica provocada pela pandemia do coronavírus.
“Tivemos que nos adaptar como muita gente. Ficamos 15 dias parados e agora estamos vendendo por e-commerce e também aderindo ao programa de incentivo às microempresas. Não podemos parar, nossa intenção é manter a memória viva da nossa fauna e a arte de fabricar pios da nossa família. Assim, nós, bisnetos, filhos, netos, todas as seis gerações de Maurílio Coelho, continuamos um sonho iniciado há tanto tempo e que queremos que se perpetue ainda mais pelas gerações que estão por vir.”

O SOM DOS PIOS

  • O que é: pio é um instrumento musical que reproduz o som das aves. Por muito tempo, foi usado por caçadores pra atraí-las. Hoje em dia, muitos percussionistas usam o pio pra produzir samba, pagode ou reggae.
  • Como se faz: de forma sucinta, a primeira coisa é estudar o tipo de canto da ave; por exemplo, se o timbre dela é aberto ou fechado. Depois, tem que descobrir qual a nota musical que aquele pássaro emite. Tem pássaros que emitem várias notas, então é mais complicado criar um pio pra ele. Assim, vão se esculpindo as madeiras pra chegar em formatos que encontrem esse timbre e essa nota musical.
  • Quanto custa: os valores variam de R$ 20 a R$ 300, dependendo do modelo e da madeira em que foi confeccionado, mas se a peça tiver valor histórico para o colecionismo ou som perfeito, esses valores podem ser bem maiores.

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