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Desembargador do ES

Por unanimidade, STF decide tornar Macário Júdice réu por vazar operação da PF

Decisão ocorre em conclusão antecipada de julgamento

Publicado em 19 de Agosto de 2026 às 18:56

Tiago Alencar

Publicado em 

19 ago 2026 às 18:56
Desembargador Macário Judice Divulgação - AG

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu tornar réu o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), acusado de obstrução de investigações e violação de sigilo profissional.


A decisão da Corte ocorreu em conclusão antecipada de julgamento virtual iniciado na 1ª Turma do STF na sexta-feira (14), com conclusão prevista para próxima sexta-feira (21). Por unanimidade, os três ministros que integram o colegiado  Cármen Lúcia, Cristiano Zanin e Flávio Dino  registraram voto acompanhando o entendimento do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso.


Conforme mostrou reportagem de A Gazeta publicada na sexta-feira (14), Moraes votou para aceitar denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Macário e outras pessoas, entre elas os ex-deputados estaduais Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), e Thiego Santos, conhecido como TH Joias. 


Segundo a denúncia, Macário Júdice, preso preventivamente desde  dezembro de 2025, teria vazado medidas cautelares autorizadas por ele contra TH Joias e outros investigados. 


O vazamento, segundo a denúncia, teria atrapalhado  a “Operação Zargun”, que investiga esquema de corrupção envolvendo lideranças do Comando Vermelho e diversos agentes públicos. 


A acusação também aponta que Macário teria se encontrado com Bacellar na véspera da operação. A defesa contesta essa versão e afirma que o desembargador estava em outro local na data apontada pela investigação.


No voto de cerca de 60 páginas, ao qual a reportagem teve acesso, Alexandre de Moraes conclui que a acusação apresentou elementos suficientes de materialidade e indícios de autoria para justificar a abertura da ação penal


O ministro também rejeitou a alegação da defesa de cerceamento, afirmando que os advogados tiveram acesso aos elementos de prova já documentados.

O caso

Macário foi denunciado pela PGR juntamente com outras pessoas, entre elas Rodrigo Bacellar e Thiego Raimundo dos Santos, conhecido como TH Joias.


Segundo a denúncia, o desembargador teria vazado informações sobre medidas cautelares autorizadas por ele contra TH Joias e outros investigados. O suposto vazamento teria prejudicado a Operação Zargun, que investiga um esquema envolvendo integrantes do Comando Vermelho e agentes públicos.


A acusação também aponta que Macário teria se encontrado com Bacellar na véspera da operação. A defesa contesta essa versão e afirma que o desembargador estava em outro local na data apontada pela investigação.

O que diz a defesa

Em conversa com a reportagem em 10 de agosto, o advogado Patrick Berriel afirmou que a acusação contra Macário foi construída principalmente a partir de mensagens e de uma hipótese sobre um suposto encontro entre o desembargador e Bacellar.


Segundo Berriel, a investigação inicialmente indicava que Macário estaria com o ex-presidente da Alerj, mas elementos reunidos posteriormente pela defesa apontariam que o desembargador estava em outro local.


"Desde o dia 16 de dezembro, a acusação se pautava em mensagens e na afirmação de que o desembargador teria dito que estava com Bacellar. A prisão foi decretada com base nesses indícios. A investigação se aprofundou e o próprio Bacellar disse que não teria se encontrado com o magistrado", disse Barriel.


O advogado afirmou que, em 2 de setembro, data apontada pela investigação, Macário estava em outro local. Segundo ele, três testemunhas confirmaram que o desembargador permaneceu durante todo o período em um jantar.


"A Polícia Federal, de posse do telefone do desembargador, intimou três pessoas para esclarecer o compromisso que ele tinha naquele dia. Essas testemunhas informaram que o desembargador permaneceu o tempo todo no jantar. Três testemunhas confirmaram que Macário não saiu de onde estava. O telefone dele também estava no local que ele afirmou estar", acrescentou o advogado.


Berriel também questionou a hipótese de que Macário teria utilizado um segundo telefone para manter contato com investigados."Entendo que a hipótese criminal apresentada pela PF e pelo MPF (Ministério Público Federal) não se sustenta. É uma ilação do delegado sobre um suposto uso de telefone. A hipótese criminal é frágil."

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