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Publicado em 20 de março de 2026 às 09:09
"Narrativa construída". É assim que a defesa do desembargador federal Macário Júdice Neto trata a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), que detalha como o magistrado capixaba teria atuado para supostamente tentar criar um álibi e ocultar sua participação no vazamento de informações sigilosas referentes à operação da Polícia Federal que culminou na prisão do ex-deputado estadual carioca TH Joias, em setembro do ano passado, no Rio de Janeiro.>
A defesa de Macário, representada pelo advogado criminalista Patrick Berriel, contesta os pontos que, conforme a PGR, com base em investigações da Polícia Federal, colocam o magistrado capixaba como suspeito de beneficiar pessoas ligadas ao Comando Vermelho com informações privilegiadas e decisões judiciais favoráveis ao grupo. >
Em conversa com a reportagem de A Gazeta, Berriel afirmou haver erros concretos nas apurações que culminaram na denúncia de seu cliente ao Supremo Tribunal Federal (STF). Vinculado ao Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), Macário está preso desde dezembro do ano passado.>
O advogado alega que há falhas cronológicas e periciais no material que embasou o documento de 22 páginas. Ele refuta, por exemplo, a existência de encontro entre o desembargador e o deputado estadual Rodrigo Bacellar (União), do Rio de Janeiro, também denunciado no âmbito da mesma investigação, para tratar sobre a antecipação de informações relacionadas à operação da PF.>
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Ainda é objeto de questionamento pelo advogado de Macário Júdice o suposto uso de "celular bomba" – jargão para definir aparelhos telefônicos não vinculados diretamente a alvos de investigação e usado por eles para supostamente burlar registro de conexão de antenas de celular em locais que frequentam – pelo desembargador, no suposto encontro com Rodrigo Bacellar em uma churrascaria carioca, em 2 de setembro do ano passado.>
"As antenas indicam uma região, não o mesmo metro quadrado. Por outro lado, temos três testemunhas presenciais que depuseram sob compromisso legal confirmando que o desembargador estava em um restaurante no momento do suposto encontro com o deputado", destaca o advogado.>
Berriel também rebate a tese da PGR de que o desembargador teria vazado informações sobre a Operação Zargun, deflagrada em 3 setembro do ano passado e que tinha como alvo o ex-deputado TH Joias.>
Segundo a defesa, a PF estaria se desmentindo no próprio relatório, uma vez que TH teria começado a se movimentar para ocultar possíveis provas contra ele ainda na tarde do dia 2. Dessa forma, o advogado sustenta que esse dado invalida a alegação de que o suposto encontro entre Macário Júdice e Bacellar, na noite do mesmo dia, teria ocorrido e que o desembargador teria favorecido o deputado estadual com informações sobre a ação policial prevista para o dia seguinte.>
"A PF se desmente no próprio relatório. Se o investigado já estava em fuga ou limpando evidências à tarde, a apuração já havia vazado muito antes de qualquer suposto encontro com o desembargador. Não há como o vazamento ter partido de Macário naquele momento se o alvo já agia preventivamente", afirma a defesa. >
Na página 5 do relatório ao qual a reportagem teve acesso ainda na segunda-feira (16), é registrado que TH Joias teria dado início à retirada de objetos de sua residência por volta das 15h03 de 2 de setembro de 2025. É informado no documento que teria sido nesse momento que o filho do deputado foi flagrado transportando uma bolsa preta para um veículo. >
Ainda é dito no relatório que, entre 15h45 e 15h57 do mesmo dia, a esposa de TH Joias, Jéssica de Oliveira Lima, também denunciada pela PGR, coordenou a saída de bolsas e sacolas em um veículo Toyota Corolla. A movimentação teria se repetido em outros dois horários: às 17h08 (com retorno às 17h50) e às 18h19, quando o veículo deixou o condomínio definitivamente.>
O documento acusatório sustenta que o magistrado teria atuado para beneficiar membros da facção Comando Vermelho, tese que a defesa rebate ao apontar a ausência de qualquer benefício concreto. Segundo o advogado, Macário Júdice não concedeu liberdade a nenhum dos investigados e o suposto atraso processual citado pela Polícia Federal como manobra teria sido, na verdade, visando ao cumprimento do rito constitucional, além garantir o prazo legal para a manifestação da defesa conforme previsto em lei. >
Por fim, a defesa de Macário Júdice finaliza questionando o que chama de pressa em "cravar" a responsabilidade do desembargador. Berriel destaca que, atualmente, tramitam três investigações distintas para apurar a origem de vazamentos dentro do Tribunal de Justiça. Para os advogados, "imputar o crime a Macário Júdice enquanto as outras frentes ainda não foram concluídas é uma tentativa de criar um culpado antes da apuração total dos fatos". >
O relatório encaminhado à PGR reconstrói as principais ações do magistrado, vinculado ao TRF-2, visando evitar o comprometimento de seu nome no caso. >
Segundo a Procuradoria-Geral, Macário Júdice teria simulado presença em compromisso social, usado aparelhos telefônicos não vinculados diretamente a ele, além de supostamente ter burlado registro de conexão de antenas de celular localizadas nas proximidades de uma churrascaria onde o desembargador teria se encontrado com o deputado Rodrigo Bacellar (União), do Rio de Janeiro, também denunciado ao STF na segunda-feira (16).>
VEJA ABAIXO AS SUPOSTAS AÇÕES DE MACÁRIO PARA CRIAR ÁLIBI, CONFORME INVESTIGAÇÃO DA PF:>
Simulação de presença em compromisso social
Na denúncia ao STF, a PGR afirma que Macário Júdice agendou e compareceu brevemente a um jantar com o empresário Wilson Borges Pereira Neto, em um restaurante localizado no Leblon, no Rio de Janeiro. No entanto, ainda de acordo com a Procuradoria, as investigações sugerem que o suposto jantar teria servido apenas de cobertura, uma vez que o desembargador capixaba teria se ausentado do local para se encontrar secretamente com Rodrigo Bacellar. Um indício dessa suposta manobra seria uma mensagem de Wilson para Macário perguntando se ele queria que entregasse o "filé rossini", prato pedido pelo desembargador que ficou "esquecido" na mesa.
Uso de aparelhos telefônicos "bomba"
A denúncia ainda destaca que, para evitar a rastreabilidade de suas comunicações e localizações reais, teriam sido utilizados aparelhos não vinculados diretamente aos usuários principais, conhecidos no jargão policial como "celulares bomba".
Medidas contra registro feito por antenas de celular
O texto da denúncia apresentada pela PGR aponta que, durante encontro entre Macário e Bacellar, em uma churrascaria carioca, teriam sido adotadas medidas para evitar registros de conexão em antenas (ERBs) que cobrissem a área do restaurante. Isso indica, de acordo com a Procuradoria-Geral, que eles podem ter deixado seus aparelhos principais em outros locais ou nem levado para o encontro.
Atribuição do vazamento às autoridades policiais
A denúncia também destaca que, durante uma sessão oficial no Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), em 8 de setembro de 2025, Macário teria reconhecido publicamente que a operação havia vazado. Entranto, teria atribuido a culpa à atuação conjunta das polícias, alegando que a reunião de várias forças teria facilitado o vazamento. Segundo a PGR, essa foi uma estratégia para reduzir os impactos negativos de suas próprias ações e desviar o foco de sua responsabilidade
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A PGR apresentou denúncia, na segunda-feira (16), contra o deputado estadual Rodrigo Bacellar (União), o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos, o TH Joias – ambos do Rio de Janeiro –, e o desembargador federal do Espírito Santo Macário Júdice Neto, preso desde dezembro do ano passado.>
Eles e outras duas pessoas (Jéssica de Oliveira Santos e Thárcio Nascimento Salgado) foram denunciados por obstrução de investigação relacionada ao vazamento de informações sigilosas para o Comando Vermelho, no Rio.
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Na denúncia é destacado que, entre 2 e 3 de setembro de 2025, na condição de relator de investigações no Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), Macário teria usado informações sigilosas para antecipar a deflagração da Operação Zargun — que levou à prisão de TH Joias. >
Valendo-se do cargo, o desembargador teria revelado a Bacellar, com quem mantinha amizade, a existência de medidas cautelares contra TH e outros investigados. Com isso, o magistrado supostamente agiu para beneficiar o núcleo político da organização criminosa alvo da ação policial.>
Preso desde dezembro do ano passado, Macário Júdice reconheceu que houve vazamento da ação policial, mas atribuiu o ato a policiais envolvidos nas prisões e apreensões.>
A afirmação do desembargador foi feita durante uma sessão de julgamento do caso no TRF-2, em 8 de setembro de 2025, cinco dias após TH Joias ser preso.>
“A operação vazou. E não foi na Justiça Federal. Eu fui contra a execução dos mandados junto com a Polícia Civil, não porque desconfio ou não confio na Polícia Civil. Porque, depois que três ou quatro se unem, vira comício”, declarou Macário Júdice. Ouça abaixo a fala na íntegra.>
Conforme informado pelo jornal O Globo, a transcrição do voto de Macário consta no relatório da Polícia Federal entregue à Procuradoria-Geral da República (PGR). Diferentemente dos outros investigados, o magistrado não foi indiciado por ser desembargador federal. Dessa forma, o caso teve de ser levado à PGR, que agora decidiu oferecer denúncia contra ele.>
Em fevereiro, a Polícia Federal indiciou a esposa do desembargador, Flávia Júdice Neto, ex-assessora da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj); o ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União); e o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva.>
Macário disse que alertou o superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro, Fábio Galvão, a não fazer a operação em conjunto. >
“E fizeram. E tiveram a dificuldade de prender o TH porque a operação vazou. Então, talvez essa seja a situação de não encontrarem armas, dinheiro. Depois das 18h do dia anterior da prisão, já sabiam. Quem é que ia deixar alguma coisa à mostra?”, manifestou o desembargador.>
A investigação da Polícia Federal apontou que Macário teria vazado informações da Operação Zargun. A principal linha de apuração se baseia em um suposto encontro do desembargador com o então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, em um jantar em 2 de setembro, véspera da ação policial que levou à prisão de TH Joias.>
Agentes confirmaram que houve uma troca de mensagens, às 22h12 de 2 de setembro, entre o assessor de Bacellar, Rui Carvalho Bulhões Júnior, e TH. Na conversa, o então presidente da Alerj teria relatado a Rui que estava em uma reunião com o desembargador capixaba, em uma churrascaria.>
A PF ainda teria encontrado, no celular do presidente da Alerj, mensagens trocadas entre ele e o desembargador, o que embasou a investigação. Depois disso, Bacellar teria avisado TH Joias sobre a operação da Polícia Federal.>
Após ser avisado por Bacellar, TH Joias teria apagado dados do seu celular e se desfeito de objetos em casa. Com um aparelho novo, teria colocado Bacellar como primeiro contato na lista de comunicação urgente. Enquanto a Polícia Federal estava em sua residência, o então deputado enviou ao presidente da Alerj uma foto das imagens do sistema de segurança que mostravam a equipe dentro do local. Os ambientes estavam revirados e faltavam móveis.>
Em 3 de dezembro, Bacellar foi preso durante outra operação, a primeira fase da Unha e Carne, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). >
As investigações mostraram indícios de que TH Joias usava o mandato para favorecer o Comando Vermelho e intermediava compra e venda de fuzis, além de drogas e equipamentos antidrones.>
De acordo com a denúncia, esses equipamentos eram utilizados para impedir ações policiais em áreas sob domínio da facção. TH ainda é acusado de nomear para cargos na Alerj pessoas investigadas por envolvimento com o CV.>
A defesa de Bacellar afirmou que ele não atuou para obstruir investigações e negou ter vazado informações a possíveis alvos de operações da Polícia Federal. Os advogados dizem ainda que Bacellar foi ouvido pela PF e esclareceu tudo o que lhe foi perguntado.>
Ainda segundo a defesa, o então presidente da Alerj não teria jantado com o desembargador na véspera da prisão de TH Joias. Segundo o advogado de Bacellar, o desembargador “teve o nome mencionado em vão” durante uma conversa entre seu cliente e TH Joias.>
Patrick Berriel, advogado de defesa de Macário Júdice Neto
A defesa do desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto recebeu com surpresa a denúncia da Procuradoria-Geral da República oferecida contra o seu cliente e lamenta que toda a narrativa desenvolvida pela acusação seja fruto de ilações e conjecturas que não se sustentam diante da lógica mais elementar e dos elementos concretamente reunidos ao longo da investigação. De toda forma, Macário se mantém sereno em razão da plena confiança que nutre pelo Poder Judiciário e da certeza de que provará sua inocência no processo
Defesa de Rodrigo Bacellar
A Defesa do Deputado Rodrigo Bacellar recebe com surpresa a denúncia oferecida pela Procuradoria-Geral da República, uma vez que está baseada em ilações e narrativas repetidamente refutadas, por meio de extensa prova documental. A acusação se traduz numa infrutífera tentativa de esconder arbitrariedades da Polícia Federal, já que NADA foi apurado que pudesse relacioná-lo aos fatos. Por fim, pontue-se, ainda, que foram realizadas medidas cautelares contra os verdadeiros responsáveis pelos vazamentos, o que, uma vez mais, evidencia a plena inocência e afasta o Deputado Rodrigo Bacellar de qualquer conduta ilícita, o que se espera seja brevemente reconhecido e declarado."
A defesa dos demais denunciados não se pronunciou até a publicação desta reportagem.>
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