ASSINE

Parlamentar do Brasil custa 528 vezes mais que a renda média da população

Um estudo analisou os gastos do sistema político de 34 países. O Brasil aparece como o que mais gasta para manter o Congresso. Financiamento público também chama a atenção

Colatina / Rede Gazeta
Publicado em 07/07/2021 às 20h32
Congresso derrubou veto 12 anos depois para alterar salários e status da carreira de servidores da Receita Federal
No caso do Brasil, foram considerados os 513 deputados 81 senadores que fazem parte do Congresso Nacional. Crédito: Pedro França

Um parlamentar do Brasil – considerando deputados federais e senadores – custa aos cofres públicos um valor 528 vezes superior ao da renda média da população brasileira. A conclusão é de um estudo divulgado no Simpósio Interdisciplinar sobre o Sistema Político Brasileiro, na segunda-feira (5). O trabalho também mostrou que o país é o que tem a maior despesa por congressista, quando comparada à renda média dos habitantes.

O estudo foi desenvolvido pelos pesquisadores Luciano Irineu de Castro, do Instituto de Matemática Pura e Aplicada; Odilon Câmara, da Universidade do Sul da Califórnia, e Sebastião Oliveira, da Universidade de Brasília. Eles reuniram os gastos dos sistemas políticos do Brasil e de outras 33 democracias.

Segundo Castro, os pesquisadores optaram por analisar nações com perfil diferente. Incluindo ricas e pobres e de tamanhos distintos. Foram analisados o panorama de gastos políticos de países da Europa, das Américas e da África. Os dados foram compilados durante os seis últimos meses.

Para chegar ao comparativo do cálculo dos gastos dos parlamentares em relação à renda média da população, os pesquisadores reuniram todos os recursos alocados no Legislativo federal e os dividiram pelo número de congressistas em cada um dos países. Em seguida, os responsáveis pelo estudo dividiram o resultado pela renda média do país.

No caso do Brasil, foram considerados os 513 deputados e 81 senadores que integram o Congresso Nacional, totalizando 594 representantes. Segundo o estudo, o Brasil tem um orçamento anual por parlamentar de US$ 5 milhões (R$ 24,7 milhões).

A cifra, que contempla o valor empregado para manter toda a Casa legislativa e não apenas as despesas diretas dos parlamentares, é 528 vezes maior do que a renda anual média da população, de US$ 9.500 (R$ 46.943), de acordo com o estudo. Entre as 33 nações analisadas no trabalho, o país lidera o ranking com o maior custo por parlamentar.

O professor Luciano Irineu Castro explicou que o estudo dividiu o custo dos parlamentares pela renda média, pois em uma analise simples poderia apresentar dados distorcidos. Um país com mais potencial econômico poderia gastar mais com seus congressistas. Além disso, o pesquisador argumentou que o comparativo permite ter uma base de comparação entre países pobres e ricos.

Excluindo o Brasil do levantamento, a média dos outros países equivale a 40 vezes a renda média das suas respectivas populações. Um valor que não chega a 10% do observado no Congresso brasileiro. Na Argentina, que está em segundo lugar na listagem, por exemplo, o custo por parlamentar representa 228 vezes a renda média da população.

“Nosso artigo mostra como o Brasil é um caso isolado em uma série de dimensões importantes de seu sistema político. Sua alocação de fundos públicos para parlamentares está bem acima da de outros países”, afirmou Castro.

MAIS PARTIDOS EFETIVOS E MAIOR GASTO PARA MANTÊ-LOS

Além do custo dos parlamentares, os pesquisadores também analisaram o número de partidos efetivos no Brasil. O país conta com 24 partidos representados no Congresso Nacional. Desses, 15 são considerados efetivos. Na avaliação do estudo, são chamados assim aqueles com atuação mais relevante. 

Esse número também coloca o Brasil na liderança desse quesito entre todas as nações consideradas no estudo. A Bélgica, que aparece na segunda posição do ranking, conta com 10 agremiações partidárias consideradas efetivas. Na maioria dos países, esse número não passa de cinco partidos. O professor reforça que algumas nações até contam com mais partidos que o Brasil, mas nenhuma com tantas siglas relevantes como no sistema político nacional. 

Com essa quantidade de partidos relevantes no país, os responsáveis pelo estudo apontaram uma correlação com o financiamento público para bancar as legendas. O Brasil também lidera o ranking entre todos os analisados pelo estudo, concentrando o maior volume de recursos empregados.

Somadas, as agremiações brasileiras recebem, em média, US$ 446 milhões por ano (R$ 2,2 bilhões). O professor Castro destacou que esse valor gasto pelo Brasil ocorre mesmo em ano em que o processo eleitoral não é realizado. Nesse quesito, o México vem em segundo lugar, com US$ 307 milhões (R$ 1,5 bilhão). Excluindo o Brasil, a média da amostra é de US$ 65,4 milhões (R$ 323 milhões).

A Gazeta integra o

Saiba mais

Se você notou alguma informação incorreta em nosso conteúdo, clique no botão e nos avise, para que possamos corrigi-la o mais rápido possível

Para melhorar a sua navegação, A Gazeta utiliza cookies e tecnologias semelhantes como explicado em nossa Politica de Privacidade. Ao continuar navegando, você concorda com tais condições.

Bem-vindo

A Gazeta deseja enviar alertas sobre as principais notícias do Espírito Santo.