Embora o governador Ricardo Ferraço (MDB) não tenha sido reeleito, a coligação que apoiou seu nome para o Palácio Anchieta fez a maioria dos deputados estaduais.
"Os partidos coligados com o governador tiveram muito mais sucesso do que a oposição", afirma o cientista político João Victor dos Santos, relacionando 18 cadeiras do grupo do emedebista na futura Assembleia.
O especialista também aponta o crescimento do PT no Legislativo Estadual, que passou de 2 para 3 vagas. "O principal desafio do futuro governador (Lorenzo Pazolini, do Republicanos) é construir a maioria da Assembleia, que, a princípio, não é aliada. Muitas movimentações deverão ser feitas na formação da nova base governista", acrescenta.
Nesse sobe e desce de partidos, João Victor também faz menção ao União Brasil, comandado no Espírito Santo pelo presidente da Assembleia, deputado Marcelo Santos. Na avaliação do cientista político, o partido teve um desempenho abaixo do esperado, considerando que, junto ao PP com o qual está federado, detém um dos maiores volumes de recursos financeiros para investir em candidaturas.
O partido, que tem hoje quatro deputados estaduais, garantiu apenas uma cadeira na próxima legislatura. Questionado se o resultado pode ter relação com o fato de Marcelo ter disputado uma vaga na Câmara Federal, concentrando-se na própria campanha, João Victor não tratou esse cenário como fator determinante.
"Da Vitória (presidente do PP) também focou na sua candidatura, mas o partido foi bem-sucedido e dobrou de tamanho na Assembleia. Ele foi estrategista, articulador, seja na própria candidatura, seja para a Assembleia. O oposto do outro federado (União) que não fez uma boa articulação para o seu partido ocupar o espaço que (Marcelo Santos) está deixando ao se eleger deputado federal", avalia.
O cientista político ainda fez uma análise do PSB, do ex-governador Renato Casagrande. Mesmo com a eleição do socialista para o Senado Federal, João Victor considera que o partido não se saiu bem.
"Ele deixou o governo com aprovação alta, mas isso não se concretizou na disputa. Havia uma expectativa de que teria grande sucesso na corrida para o Senado. Porém, apesar de ter sido eleito, ele e Evair (de Melo, do Republicanos) disputaram as cadeiras por igual. Algo que não estava mapeado", pondera.
Além disso, continua João Victor, o PSB indicou vários ex-secretários para concorrer e apenas Manuela Pedrosa garantiu uma vaga na Câmara Federal. "Não é que o partido sai menor, mas havia a expectativa de que, por ser governo, teria melhor desempenho", completa.
Por fim, o cientista político comenta o novo status do PL, que, para ele, saiu das Eleições 2026 como uma grande força, mas, pela primeira vez, vai compor o governo do Estado. "O partido nunca esteve na base governista. Fazia bem a articulação de oposição. Era uma pedra na gestão de Casagrande, especialmente na área de costumes. Agora, sendo governo, será uma atuação inédita."
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