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Queda de 22%

Onda de desfiliações: mais de 80 mil saíram de partidos no ES

PSL e Novo são os que mais perderam integrantes no Estado. Dos 33 partidos registrados no TSE, 14 tiveram saldo negativo de filiados entre 2020 e 2021.

Publicado em 18 de Setembro de 2021 às 18:43

Rafael Silva

Publicado em 

18 set 2021 às 18:43
Urna - confirma
A urna eletrônica e o botão de confirma o voto Crédito: Carlos Alberto Silva
Entre abril de 2020, quando venceu o prazo para que candidatos nas eleições municipais estivessem filiados, e o início de julho de 2021, 82.455 pessoas se desfiliaram de partidos em diretórios no Espírito Santo. O dado é do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No Estado, há siglas que perderam 87% de seus filiados em pouco mais de um ano.
É o caso do PSL, que elegeu o presidente da República, Jair Bolsonaro, hoje sem partido. Como escreveu o colunista de A Gazeta Leonel Ximenes, o partido, que tinha 9.166 filiados em abril do ano passado, chegou a julho deste ano com 1.174 integrantes.
A direção do PSL justifica as saídas a uma ação promovida pela Executiva nacional para desfiliar todos os membros que estavam com documentos pendentes. Além disso, com a saída de Bolsonaro do partido e a tentativa, fracassada, de criar o Aliança pelo Brasil, parte dos apoiadores bolsonaristas deixou o PSL.
Proporcionalmente, foi o maior encolhimento entre os diretórios estaduais. Em números totais, o PSL só não perdeu mais membros que o MDB que, após uma divisão estadual que levou a eleição interna do partido para a Justiça, viu 12.063 filiados debandarem.
Outro partido que reduziu sua influência foi o Novo, que perdeu 36% dos filiados. Dos 1.088 membros de outrora no Espírito Santo, conta, atualmente, com 697 em situação regular. Para o presidente do diretório do Novo no Espírito Santo, Orlando Rezende, a oposição de alguns membros a Bolsonaro e o fato de o partido ser bancado por contribuições dos filiados, afastou militantes após a eleição.
"Ao se posicionar contra o governo Bolsonaro, por ter deixado de lado as reformas, muitos membros que tinham uma antipatia grande pela esquerda e eram adeptos do presidente não aceitaram essa decisão e preferiram sair. Como não conseguimos formar diretórios em algumas cidades, houve alguns que foram procurar outros partidos para se candidatar também. Vemos isso como algo normal. Nosso projeto, diferentemente de outras siglas, é a longo prazo e não voltado para as próximas eleições", afirma.
No total, 14 dos 33 partidos tiveram redução de filiados. Além dos já citados, também houve uma onda de desfiliações em PSDB, PT, DEM, PP, PDT, PTB, PCB, PTC, PSTU, PCdoB e PL. Veja a tabela do sobe e desce dos partidos.

"MUDANÇAS SEGUEM EXPECTATIVA DE PODER"

Para analistas consultados pela reportagem, a onda de desfiliações é natural em anos entre eleições. Como boa parte dos filiados procura partidos com o intuito de se candidatar, depois que passa o pleito, os que não conseguiram se viabilizar deixam as siglas em busca de agremiações em que possam ter mais chances.
Para o cientista político Fernando Pignaton, as saídas de filiados dos partidos raramente tem a ver com alguma mudança ideológica, mas, sim, com a expectativa de que em outro partido, ou ao lado de outros caciques políticos locais, as chances de eleição a algum cargo público aumentem.
"Infelizmente, é o que tem acontecido na política brasileira. Não há uma identificação programática com as bandeiras que cada partido defende. A decisão entre ir para um partido ou outro passa pelo quanto de poder terão as lideranças de cada sigla. As mudanças seguem uma expectativa de poder e não uma troca de pensamento, como acontece em democracias mais maduras", analisa.
O maior exemplo dessa lógica é o próprio PSL, que viveu um boom de filiações em 2018 com a eleição de Bolsonaro, mas que após a saída do presidente assiste ao desmonte de sua militância. Para o cientista político João Gualberto Vasconcellos, o partido sai mais enfraquecido após as filiações relâmpago provocadas pela onda bolsonarista.
"Foram adesões oportunistas, que cresciam à medida que o discurso reacionário do presidente ia ganhando adeptos. Bolsonaro deixou o partido e levou com ele muitos aliados. Entre os que ficaram, estão aqueles que abandonaram Bolsonaro entre a eleição e o início de governo. O partido nunca teve organicidade partidária ou um conjunto claro de ideias. Com essas mudanças, perdeu seu protagonismo na cena política", opina.

REPUBLICANOS E PSOL CRESCEM 

Nacionalmente, os partidos que mais aumentaram o saldo de filiados foram o PSOL e o Republicanos. O PSOL teve crescimento maior em Belém e São Paulo, capitais onde teve candidatos com votações expressivas, com a eleição de Edmilson Rodrigues (PSOL) na prefeitura de Belém e Guilherme Boulos (PSOL) chegando ao segundo turno em São Paulo.
Já a principal razão do crescimento do Republicanos são os movimentos de base feitos pelo partido, sobretudo em cidades do interior. Ligado à Igreja Universal do Reino de Deus, o Republicanos tem se posicionado mais no campo conservador e é da base de Bolsonaro no Congresso. No Estado, o Republicanos teve o maior crescimento em números gerais, com 2.385 novas filiações, o que representa 42%. O partido foi o segundo a eleger mais prefeitos, vencendo em 10 cidades, entre elas a Capital, Vitória.
"É como diz a Bíblia, há tempo de plantar e tempo de colher. Estamos trabalhando em um projeto a médio prazo, dialogando com os diretórios municipais, tivemos um bom número de vereadores eleitos e muitos que querem ser candidatos a deputado estadual em 2022. É um trabalho conjunto, seguindo a orientação nacional do partido", afirma o presidente do diretório do Republicanos no Espírito Santo, Roberto Carneiro.
Proporcionalmente, quem mais cresceu no Estado foi o Solidariedade, que aumentou em 46% seus quadros, com 1.793 novos membros. Vice-presidente do Solidariedade, Sebastião Monteiro acredita que o crescimento do partido no Estado se deve ao movimento de base feito com prefeitos e pelo fato de não se dividir na polarização entre direita e esquerda em âmbito nacional.
"Nossa atuação é discreta, mas mantendo a linha de lealdade com nossos filiados, em uma política de construções mais sólidas, principalmente nos municípios. O que também tem feito muitas pessoas abraçarem nossa proposta é não entrarmos nessa disputa entre direita e esquerda. Se o presidente propuser algo bom para a população, não vamos ir de encontro, mas também defendemos que se investigue o que precisar, independentemente se um político for de direita ou esquerda", afirma.
Quinto maior crescimento no Estado, o PSOL aumentou em 15% o número de filiados. Para a secretária de mobilização do partido, Brice Bragatto, o perfil dos novos membros não é de pessoas que entram no partido já pensando em eleições, mas, sim, de quem se interessou em participar de construções políticas durante o governo de Bolsonaro.
"É claro que aumentar o número de filiados traz um potencial de novas candidaturas, mas não são pessoas que estão entrando para se candidatar. Vejo como um dos fatores para esse crescimento a própria insatisfação com o governo Bolsonaro e por nós estarmos sempre presentes na oposição a ele aqui no Estado", aponta.
Para João Gualberto Vasconcellos, até o ano que vem, quando se aproximar o prazo de filiação para os que desejam disputar cargos eleitorais, pode haver mais mudanças no sobe e desce dos partidos.
"Estamos em um período do ciclo eleitoral propício para isso, as mudanças, no geral, estão dentro da margem que antecedem as eleições. Os candidatos migram com seu grupo para um novo partido onde houver candidatura mais viável. Até o prazo final de filiação muito movimento ainda se dará", prevê.
Plenário da Câmara dos Deputados vai votar reforma tributária
Plenário da Câmara dos Deputados: mudança no sistema eleitoral agrada maioria dos parlamentares Crédito: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados
Caso não haja mudanças, 2022 será o primeiro teste do formato sem coligações, quando os partidos precisam conquistar sozinhos um número de votos suficiente para conquistar uma cadeira. No Congresso Nacional, o modelo preferido dos parlamentares é o chamado "distritão", em que são eleitos os mais votados nos distritos definidos pela Justiça Eleitoral.
Pignaton acredita que uma mudança neste sentido seria um retrocesso, pois tira o protagonismo do debate de ideias entre os partidos e abre espaço para candidatos "famosos", que possuem um número elevado de eleitores, ainda que não tenham compromisso com alguma bandeira política.
"É um passo atrás em um pequeno avanço que nós demos na última eleição, que seria essencial para a redução de partidos. O voto distritão destrói os partidos e deixa a política local nas mãos de caciques regionais. O voto vai para a pessoa e não para programas ou ideologias. Isso é ruim para a democracia, pois a pessoa não sabe como quem elegeu vai se posicionar, torna a política mais casuística e menos representativa", argumenta.

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