O partido que elegeu o presidente da República em 2018 está agonizando - pelo menos no Espírito Santo. Segundo dados do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-ES) atualizados até maio passado, o
Partido Social-Liberal (PSL), a ex-legenda de Jair Bolsonaro, perdeu quase 90% dos seus filiados no Estado no período de um ano. Em 2020, o partido tinha 9.328 adeptos, mas em 2021 foi reduzido para 1.164, uma queda expressiva de 87,52%.
O movimento coincide, ao que tudo indica,
com a ruidosa saída de Bolsonaro do PSL, no final de 2019, ainda no primeiro ano do seu governo. O presidente da República, que brigou com parte da direção do seu antigo partido, até hoje não conseguiu uma nova legenda para se abrigar. Ele está querendo ingressar no Patriota, mas dirigentes do partido resistem à filiação do presidente da República.
Dos 30 partidos registrados no TSE, 26 perderam filiados no Estado durante este período que também coincidiu com a
pandemia de Covid-19. Nem mesmo o maior partido de oposição, o PT, escapou do emagrecimento, ainda que bem light. O partido do presidenciável Lula, que tinha 24.316 filiados no ano passado, em 2021 aparece com 24.239 na tabela do TRE-ES - queda de 0,32%.
Mas tem um partido com crescimento “chinês” no Espírito Santo, pelo menos em termos proporcionais: é o
PSOL, legenda de esquerda, que cresceu 13,66% no número de filiados. Tinha 1.662 e passou agora para 1.889.
E apesar de todas as crises, da falta de identidade política e do dilema eterno de ser governo ou oposição, o MDB continua sendo o partido com o maior número de filiados no Estado. De 37.768 adeptos, foi para 36.990, perda de 2,06%.
Partido do
governador Renato Casagrande, o PSB também não escapou da redução de filiações. Em 2020, os socialistas tinham 21.680 filiados em suas fileiras, mas, mesmo no poder, acabou ficando menor, com 21.492 integrantes em 2021.
As legendas de extrema esquerda brigam pelas últimas posições no quadro de filiações. O que tem menos é o trotskista Partido da Causa Operária (PCO), com apenas 129 filiados - e ainda perdeu quatro (3,01%) no último ano. É seguido pelo PCB (329 filiados) e pelo também trotskista PSTU (430).
No geral, durante o período pandêmico, decresceu em 3,75% o número de filiados a partidos políticos no
Espírito Santo. São 12.586 filiações partidárias a menos. Parece que, nesse intervalo de tempo, o cuidado com a saúde ficou à frente da disputa política.