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Eleições 2018

Verba pública é 84% da receita de 12 partidos políticos

Em média, esse é o percentual do dinheiro vindo do fundo partidário

Publicado em 07 de Julho de 2018 às 23:07

Redação de A Gazeta

Publicado em 

07 jul 2018 às 23:07
Fachada do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-ES) Crédito: Gustavo Louzada/Arquivo
O fundo partidário representou, em média, 84,2% de toda a receita dos 12 partidos que contaram com o recurso em 2017 no Espírito Santo. Cinco deles (MDB, PSDB, PP, PSB e PSD) dependem exclusivamente dessa verba. O que teve menor participação foi o PROS, com 12,2%.
O levantamento – que contém 33 siglas ao todo – foi feito pela reportagem a partir da prestação de contas dos partidos, do exercício de 2017, no site do Tribunal Regional Eleitoral (TRE). É a primeira vez que essas informações são tornadas públicas. As contas ainda serão julgadas para que seja atestada ou não a regularidade dos números.
Os partidos com maiores bancadas na Câmara dos Deputados detêm mais recursos do fundo – 95% são distribuídos na proporção dos votos obtidos na última eleição para deputado federal – e, logo, têm mais a repassar aos diretórios estaduais.
Alguns partidos não usam o fundo partidário para manter sua estrutura e guardam para a campanha eleitoral
Lelo Coimbra - presidente estadual do MDB
O MDB lidera, com R$ 923.388,46. Presidente do partido no Estado, Lelo Coimbra diz que o critério da direção nacional para contemplar os Estados é o tamanho da bancada local. “Quando éramos Rose (de Freitas), Camilo (Cola) e eu, recebíamos um valor. Agora, recebemos um terço disso”, lembra. Hoje, ele é o único representante do MDB na bancada capixaba.
Mesmo com a cifra expressiva em relação às demais legendas, o emedebista diz que não sobra muito para aportar em candidatos. “Alguns partidos não usam o fundo partidário para manter sua estrutura e guardam para a campanha eleitoral. Nós temos uma sede própria para manter e damos cursos em todo o Estado, de oratória, gestão. O que sobra não é um valor muito relevante para usar em campanha”, afirma.
Já o tesoureiro do PSB estadual, Paulo Júnior, conta que o partido economiza recursos do fundo para usar em campanhas, mas sem descuidar da estrutura e das atividades partidárias.
“Em 2016 nós gastamos, na campanha dos prefeitos, cerca de R$ 600 mil frutos de economia do fundo partidário de anos anteriores”, ressalta. Em 2017, o PSB recebeu R$ 643.411,92 do fundo partidário.
O PSD estadual ficou com a fatia de R$ 240 mil. Presidente do partido no Estado, Neucimar Fraga diz que não há movimentação em busca de doações de pessoas físicas ou contribuições de filiados. “O partido hoje está sobrevivendo do fundo partidário”, resume.
Para este ano há incerteza sobre a divisão do recurso. “O partido (nacional) pode privilegiar onde tem deputado federal. Mas vou atrás porque me filiei e o partido se comprometeu a me ajudar”, diz.
O PTB-ES ficou um tempo barrado do fundo partidário, por pendências com o TRE. No ano passado, contou com a verba a partir do segundo semestre, após se regularizar. Na primeira parte do ano recebeu ajuda dos diretórios municipais. “Cada vereador, estatutariamente, é obrigado a dar 5% do seu salário para o partido. Esse montante vai para a municipal e a municipal repassava à estadual”, conta Serjão Magalhães, presidente da sigla. Ainda assim, em 2017, dos R$ 60.162,49 de receita, R$ 41.000,00 (66,4%) vieram do fundo partidário.
O PT aparece em duas prestações de contas, ambas de 2017. Em uma delas, o valor do fundo partidário é de R$ 643.892,31, única fonte de recursos no item “demonstrativo de receitas e gastos”. Na outra prestação há o indicativo de que mais verbas podem fazer parte da receita. O partido conta com doações de filiados. Na última sexta-feira, no entanto, a sigla não informou qual dado deveria ser considerado.
Saiba mais
Fundo partidário
Composição
O fundo partidário é composto de dotações orçamentárias da União (é a principal fonte, dinheiro público, portanto) e de valores de multas aplicadas pela Justiça Eleitoral.
Divisão
Do total do fundo partidário, 5% vão, em partes iguais, para todos os partidos (diretórios nacionais). Os outros 95% são distribuídos na proporção dos votos obtidos na última eleição para a Câmara dos Deputados.
Redistribuição
A distribuição dos valores para os diretórios estaduais fica a critério das direções nacionais.
Para que serve
O fundo partidário é, prioritariamente, para a manutenção dos partidos. Mas parte da verba pode ser usada em campanhas eleitorais. No total, em 2018, o fundo partidário, para todo o país, será de R$ 888 milhões.
Fundo eleitoral
É outra coisa. Além do fundo partidário existe o fundo eleitoral, voltado para a campanha – e criado no final do ano passado pelo Congresso –, no valor de R$ 1,7 bilhão. Do montante, 2% serão divididos igualmente entre as legendas; 35% divididos entre os partidos que tenham pelo menos um representante na Câmara dos Deputados, na proporção do percentual de votos por eles obtidos na última eleição geral para a Câmara dos Deputados; 48% conforme o número de deputados na Câmara; e 15% conforme o número de senadores de cada partido.

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