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O que é adido da Polícia Federal no exterior?

Eugênio Ricas saiu da cúpula da PF e pode ocupar prestigiado posto em Washington

Publicado em 02/03/2018 às 00h39
Atualizado em 15/05/2020 às 09h59

Após ser substituído na chefia da Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal (Dicor), Eugênio Ricas é cotado para ser adido da PF em Washington, nos Estados Unidos. Ex-secretário de Controle e Transparência do Espírito Santo, o delegado, que também tem convite do governador Paulo Hartung (PMDB) para voltar ao Estado, ainda não se manifestou sobre o seu futuro.

Nos cerca de três meses na cúpula da PF, Ricas teve sob seu comando todas as operações de combate ao crime organizado, inclusive a Operação Lava Jato. Ele chegou ao posto pelas mãos de Fernando Segovia, o ex-diretor-geral. Com a troca de Segovia por Rogério Galloro, o novo chefe da Dicor será Elzio Vicente da Silva, superintendente da PF no Distrito Federal.

MAS O QUE É ADIDO?

A PF mantém adidos em 16 grandes cidades mundiais, como Roma, Paris e Londres. Os postos são considerados honrosos e são cobiçados no meio diplomático nacional.

O adido trabalha dentro da embaixada brasileira e tem o compromisso de ser a "cara" da Polícia Federal em determinado país. O trabalho serve tanto para apurações nacionais que envolvam brasileiros ou estrangeiros em outro país quanto para investigações relacionadas a estrangeiros no Brasil.

O adido não tem poder de investigação no país em que atua, mas é o responsável por uma importante interlocução com as autoridades locais e por lançar um olhar brasileiro sobre as movimentações criminosas no território internacional.

"O adido faz uma ligação entre as corporações. Faz diálogo frequente com as demais forças policiais do local. Ele tem formas legais de compartilhar informações com as instituições. Se um delegado no Brasil busca alguma informação sobre evasão de divisas, pode pedir ao adido informações que há em determinados países", explicou o presidente da Associação dos Delegados da PF no Estado, Guilherme Helmer.

Como a proposta é permanecer em constante interlocução com autoridades locais, o adido também conhece estratégias, tecnologias e modelos que se mostram bem-sucedidos.

"Cada país tem uma legislação e um modelo criminal. E tem modelos de trabalho que funcionam melhor do que outros. O adido deve entender como funcionam esses sistemas e passá-los para o Brasil. Mostrar ferramentas de investigação que ainda não são usadas aqui para que sejam implementadas. Ele importa soluções, boas práticas", detalhou Helmer.

Ex-diretor-geral da PF, Fernando Segovia foi nomeado pelo presidente Michel Temer (PMDB) adido em Roma. Há, contudo, um entrave à viagem do delegado. É que para ocupar o posto, o delegado não pode ter sido adido nos últimos três anos. Segovia era adido em Pretória, na África do Sul, até 2017.

EUA

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