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O dia de Jaqueline Moraes no comando do Espírito Santo

A Gazeta acompanhou a governadora em exercício por um dia no comando do Estado. Jaqueline Moraes assumiu função enquanto Renato Casagrande viaja à Itália

Publicado em 26/09/2019 às 09h43
Atualizado em 26/09/2019 às 15h23

O passado como camelô é apenas uma das características que torna singular a passagem da primeira mulher a comandar, ainda que interinamente, o governo do Espírito Santo.

Jaqueline Moraes (PSB) teve apenas um mandato anterior, como vereadora de Cariacica, permanece no mesmo bairro em que mora há cerca de 20 anos, na periferia da cidade, e, de modos simples, não se acostuma ao séquito de servidores do Palácio Anchieta, sempre dispostos a abrir a porta do carro ou a servir um cafezinho.

É na sede do Executivo estadual que ela tem despachado desde a última sexta-feira (20), quando o governador Renato Casagrande (PSB) partiu em viagem oficial à Itália. Jaqueline fica no posto mais alto do Executivo estadual até sexta (27).

Jaqueline Moraes é a governadora em exercício. Crédito: Carlos Alberto Silva
Jaqueline Moraes é a governadora em exercício. Crédito: Carlos Alberto Silva

A Gazeta acompanhou um dia da agenda da governadora em exercício, nesta quarta-feira (25). Boa parte dos vaivéns entre palácios (assim são chamados diversos prédios públicos em plena República) foi registrado em vídeo.

O novo cargo, ainda que temporário, dá visibilidade à vice, visibilidade que ela tem usado para defender, principalmente, a pauta das mulheres. O ineditismo da empreitada, no entanto, não deixa de ser controverso para quem já olhava, com desconfiança, para as qualificações da ex-vereadora. Ela mesma não desconhece tais críticas ou provocações.

"Eu falei isso no meu discurso de posse, citei duas frases das muitas que eu ouvi, por exemplo: 'essa mulher tem capacidade de governar o Estado?', uma bem maldosa é 'nossa, agora o governador não pode pegar nem uma gripe'. Como se dissesse: o governador não pode se ausentar porque como vai ficar o Estado, na mão de alguém que não sabe", lembra.

"O bom líder ele não precisa saber todas as respostas, basta fazer as melhores perguntas, se cercar de pessoas melhores do que ele, servir e empoderar os outros. Quando eu vi isso do primeiro presidente negro dos Estados Unidos (Barack Obama), eu falei assim: 'eu tenho total capacidade de fazer isso, porque eu só consigo agir assim, empoderando as pessoas que estão do meu lado, trazendo pessoas que saibam pensar e refletir até melhor do que eu'. É o meu perfil, é o perfil do governador e eu aprendo muito com ele", rebate. 

SÓ POR SER MULHER?

Outra provocação possível seria: Jaqueline foi escolhida para ser vice "só por ser mulher?". Eis a resposta da governadora em exercício:

"Não foi uma escolha só por ser mulher. Foi porque somos todos iguais, mas as políticas públicas são diferentes. As políticas que envolvem as mulheres são diferentes das que envolvem os homens. Saúde da mulher tem que ser tratada de forma diferente, qualificação (...). A questão das mulheres é essa subrepresentatividade. O que o nosso governador abriu foi o caminho do empoderamento. O poder … existe uma frase que é muito falada nos coletivos, nos movimentos sociais, que é 'o poder é masculino e branco'. Se você for nas paredes dos palácios, na parede dos tribunais que você vai ver isso." 

E justamente um tribunal estava na agenda de Jaqueline nesta quarta. Ela foi ao Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) falar sobre a criação do Observatório de Políticas para Mulheres, que pretende reunir dados sobre ações voltadas às mulheres no Estado. Na reunião, contou sobre o projeto aos desembargadores. A maioria, homens.

A própria criação do observatório também estava no roteiro, o decreto foi assinado por Jaqueline no Palácio Anchieta. O nome dela, aliás, está diferente. Quem leu reportagens aqui em A Gazeta até recentemente pode ter reparado que antes era "Jacqueline", havia um "c" antes do "q". Ela mudou. Disse que é para tornar mais fácil a busca por Jaqueline Moraes na internet.

CAMELÔ

Antes de ocupar a cadeira do governador, ou governadora, do Estado, Jaqueline Moraes atuava como camelô no Centro de Vitória, não muito longe do próprio Palácio Anchieta. Chegou a ser algemada e colocada em uma viatura da Polícia Militar, que hoje ela comanda.

 

2020

Ano que vem é um ano eleitoral. E a vice-governadora, título que volta a ostentar oficialmente na próxima sexta, admite que, originalmente, a ideia era disputar uma vaga na Câmara Federal em 2018, para se projetar, ainda que não fosse eleita. Já em 2020 a disputa seria pela Prefeitura de Cariacica. Estaria o plano mantido? Aí Jaqueline, que costuma responder as perguntas sem titubear, ao contrário do "embromation" costumeiro dos políticos, desconversa:

"A gente tem uma construção, eu o governador somos do mesmo partido e nosso partido é muito orgânico, ele tem uma discussão local, que é o diretório. A decisão local pesa muito. E nós temos a Executiva estadual. Tem um grupo aqui de Cariacica, da Executiva municipal que diz assim: 'tem que ser Jaqueline'. Aí traz isso para a estadual e a estadual diz assim: 'não, ela é vice-governadora'. Então está nesse debate".

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