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No ES, ex-servidora de Flávio Bolsonaro muda rotina em meio a investigação

Andrea Siqueira Valle, irmã de uma ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro, está entre as pessoas que tiveram os sigilos bancário e fiscal quebrados

Publicado em 03/06/2019 às 19h45
Conjunto de quitinetes onde mora Andrea Siqueira Valle, ex-assessora de Flávio Bolsonaro, em Guarapari. Crédito: Fernando Madeira
Conjunto de quitinetes onde mora Andrea Siqueira Valle, ex-assessora de Flávio Bolsonaro, em Guarapari. Crédito: Fernando Madeira

A rotina de Andrea Siqueira Valle, de treinos na academia e corridas no calçadão da Praia do Morro, em Guarapari, foi ligeiramente abalada após a revelação de que ela – irmã de Ana Cristina Siqueira Valle, ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro (PSL) – estava lotada no gabinete de Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

De acordo com reportagem do jornal "O Globo", Andrea constou como funcionária na Casa por mais de uma década, mas obteve um crachá somente a partir de 2017. Ela entra na lista dos servidores que teriam dificuldade para comprovar que, de fato, assessoraram Flávio. 

A reportagem do Gazeta Online esteve na cidade do litoral do Espírito Santo nesta segunda-feira (02) à procura de Andrea. Lá, vizinhos e conhecidos informam que ela, fisiculturista, costuma frequentar a academia Sports Center, ainda na Praia do Morro, mais de uma vez por dia, e também é presença constante na orla. 

Renata Mendes, dona da Sports Center, ressaltou que pouco pode dizer sobre a vida pessoal da ex-funcionária de Flávio, atleta patrocinada pela academia, que ostenta uma faixa de "sob nova direção". "Assumi a academia há cerca de seis meses e ela já malhava aqui, ela é aluna. Também não sou daqui", afirmou Renata.   

Perto dali, no mesmo bairro, Andrea mora em uma quitinete. Vizinhos contam que ela mantém uma rotina rígida de exercícios, mas, nesta segunda, o que chamou a atenção de todos foi a procura da imprensa pela fisiculturista.

"Ela sumiu, não tá aí, não. Depois que veio até televisão aí ela saiu e não voltou mais", contou um vizinho. A quitinete é alugada por R$ 860 ou R$ 800, com desconto, mensais.

Na academia, o relato é que a ao menos um treino Andrea compareceu, na manhã desta segunda. A reportagem se postou por horas em frente ao endereço da ex-assessora de Flávio, mas ela não apareceu. A fisiculturista está entre as pessoas que tiveram os sigilos fiscal e bancário quebrados, como o próprio Flávio Bolsonaro, em uma investigação do Ministério Público Estadual do Rio.

Atualização: À noite, na mesma segunda-feira em que a reportagem esteve à procura de Andrea Valle, ela mudou de endereço.

SALÁRIOS

No Portal da Transparência da Alerj ela está. A página não é, assim, tão transparente, mas registra repasses feitos a Andrea até agosto do ano passado. De acordo com "O Globo" foi no final de 2018 que ela passou a morar em Guarapari.

Em agosto de 2018, os vencimentos de Andrea foram de R$ 3,2 mil brutos; no mês anterior, de R$ 8,5 mil. A folha de pagamento mais antiga disponível no Portal da Transparência é de 2016. Em janeiro daquele ano, ela recebeu R$ 7,3 mil brutos.

A página lista nomes de funcionários, cargos e salários, mas não apresenta informações sobre para qual deputado trabalham, ou trabalharam. 

RACHID

A suspeita é que no gabinete do ex-deputado Flávio Bolsonaro, hoje senador, havia um esquema de "rachid" – no Rio chamado de "rachadinha" –, em que funcionários comissionados devolvem parte dos salários. O ex-assessor Fabrício Queiroz seria o operador do esquema. Queiroz também tem paradeiro desconhecido.

Na investigação, o Tribunal de Justiça do Rio determinou, a pedido do MP, a quebra dos sigilos de Flávio e de outras 94 pessoas físicas e jurídicas. Os promotores pediram dados relativos a dez anos, de abril de 2007 a dezembro de 2018. Flávio tenta, pela terceira vez, impedir que as apurações sigam em frente.

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