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Decisão do STF

Macário Júdice é solto com uso de tornozeleira após quase um ano de prisão

O desembargador capixaba é réu de processo porque teria vazado medidas cautelares contra investigados em esquema de corrupção no Rio de Janeiro

Publicado em 30 de Outubro de 2026 às 20:26

Aline Nunes

Publicado em 

30 out 2026 às 20:26

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), mandou soltar, nesta sexta-feira (30), o desembargador Macário Ramos Júdice Neto, que estava preso havia quase um ano porque teria vazado informações para investigados em esquema de corrupção. Mas, para assegurar a liberdade, ele vai ter que cumprir medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica. 


Além do equipamento de monitoramento, Macário será obrigado a se recolher à noite (das 19h às 6h), de segunda a sexta-feira, e integralmente nos finais de semana e feriados. Ele também deverá entregar os passaportes, estando proibido de sair do país e de manter contato com outros investigados. 

Macário Júdice Neto está preso desde dezembro
Macário Júdice Neto estava preso desde dezembro do ano passado em um presídio de Niterói (RJ) Cloves Louzada

Entre os argumentos que sustentaram a decisão de Moraes está o fato de já ter sido iniciada a ação penal no STF para apurar os crimes de obstrução de investigação sobre organização criminosa e violação de sigilo funcional que recaem sobre Macário. Assim, o ministro entendeu que não há mais motivos para manter a prisão preventiva com a finalidade de garantir a ordem pública.


O advogado do desembargador, Patrick Berriel, ressalta que a defesa, desde o início, entendia que a prisão era desnecessária e que medidas cautelares seriam suficientes, o que agora foi reconhecido pelo STF.  "Durante a instrução, iremos provar a inocência do desembargador. Desde o início, tem sido um grande trabalho em equipe."

Entenda o caso

O desembargador Macário Júdice, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2), foi preso em 16 de dezembro de 2025, durante a Operação Unha e Carne 2, da Polícia Federal. A ação aconteceu no Rio de Janeiro e no Espírito Santo, onde o magistrado tem residência.


A operação foi deflagrada para investigar a atuação de agentes públicos no vazamento de informações sigilosas sobre operações policiais. Na primeira fase, foi preso o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) Rodrigo Bacellar, que, segundo as investigações da PF, teria alertado o ex-deputado Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias, sobre uma ação que seria realizada pela Federal na casa dele.


Segundo a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), o desembargador teria vazado informações sobre medidas cautelares autorizadas por ele contra TH Joias e outros investigados. O suposto vazamento teria prejudicado a Operação Zargun, que investiga um esquema envolvendo integrantes do Comando Vermelho e agentes públicos.


A acusação também aponta que Macário teria se encontrado com Bacellar na véspera da operação. A defesa contesta essa versão e afirma que o magistrado estava em outro local na data apontada pela investigação. Em agosto, porém, o STF decidiu tornar réu o desembargador, que estava preso preventivamente no Presídio Constantino Cokotós, em Niterói (RJ).

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