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Lava-Jato: Iskin foi salvo por Cunha em CPI e pagava mesada para Cabral

Lava-Jato: Iskin foi salvo por Cunha em CPI e pagava mesada para Cabral

Empresário é apontado pelo MPF como o "grande corruptor" na área da saúde

Publicado em 4 de julho de 2018 às 13:34

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O empresário Miguel Iskin é apontado pelo Ministério Público Federal (MPF) como o "grande corruptor" da iniciativa privada na área da saúde no Estado do Rio há pelo menos 30 anos. (Reprodução/YouTube)

Principal alvo da nova fase da operação Fatura Exposta, o empresário Miguel Iskin é apontado pelo Ministério Público Federal (MPF) como o “grande corruptor” da iniciativa privada na área da saúde no Estado do Rio há pelo menos 30 anos, reconhecido como um dos principais fornecedores de equipamentos médico-hospitalares. Sua influência entre políticos de 'alta patente' tanto no Rio quanto em Brasília somada à sua postura para lidar com os negócios lhe rendeu o apelido de "Xerife".

Foi com essa influência no meio político que Iskin se livrou de prestar, graças a Eduardo Cunha (PMDB-RJ), depoimento em uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) de 2015 que investigava fraudes no mercado de órteses e próteses. Cunha está preso na Operação Lava-Jato desde outubro do ano passado.

A CPI das Próteses teve início com uma reportagem do programa Fantástico, da TV Globo, que mostrava representantes de empresas negociando pagamentos a médicos para a prescrição de órteses e próteses para pacientes que não necessitavam. A empresa Oscar Iskin foi uma das citadas desde o início, mas Cunha impediu que se ouvisse o empresário na fase final das investigações.

MESADA PARA CABRAL E AMIGO DE BAIANO

Ainda de acordo com as investigações do Ministério Público no âmbito da Fatura Exposta, Iskin seria responsável por repassar R$ 450 mil por mês ao ex-governador Sérgio Cabral. Presidente da Oscar Iskin, empresa do ramo de equipamentos hospitalares, Miguel Inskin seria o “Xerife”, que aparece nas anotações encontradas na casa do operador Luiz Carlos Bezerra, durante a operação Calicute. As anotações são uma contabilidade paralela do esquema de corrupção liderado por Cabral. O nome “Xerife” aparece com regularidade ao lado do valor de R$ 450 mil, o que, segundo os investigadores, leva a crer que os pagamentos eram realizados mensalmente.

Peça-chave na investigação, o delator Cesar Romero Vianna, ex-subsecretário executivo da secretaria de Saúde e ex-assessor da direção do Into, conta que foi apresentado a Iskin por Côrtes, quando ele era diretor-geral do Into. O empresário estava preocupado com a implementação de pregões eletrônicos no instituto, para substituir as compras feitas com dispensa de licitação. O próprio Côrtes teria dito a Romero que Iskin era uma pessoa “influente em Brasília” e que “seria um ótimo negócio para todos” se Romero conseguisse privilegiar suas empresas nas licitações.

O delator disse que, mesmo com o sistema eletrônico de compras, as licitações eram direcionadas para beneficiar Miguel Iskin. Com o tempo, no entanto, outras empresas passaram a se encaixar nos critérios exigidos pelos editais, o que prejudicava a hegemonia do empresário. Por isso, em 2004, Romero e Sergio Côrtes tiveram a ideia de lançar o pregão internacional para a compra de equipamentos para o Into.

O delator afirma que passou a existir um “clube do pregão internacional”, com empresas trazidas ao Brasil por Miguel Iskin, que faziam um rodízio para que cada uma ganhasse parte das licitações. Até os preços oferecidos pelas empresas nos pregões internacionais eram previamente acertado por Miguel Iskin e informados ao Into antes mesmo de ser lançado o edital de licitação. No exterior, os valores pagos indevidamente eram repassados pelos fabricantes a Miguel Iskin em forma de taxa de serviços. Cesar Romero diz que a propina circulou em contas secretas internacionais.

O Ministério Público Federal apurou que Miguel Iskin solicitou adesão ao Regime Especial de Regularização Cambial, que permite a repatriação de recursos depositados em contas no exterior. Ele solicitou autorização para repatriar quase US$ 27 milhões depositados nas Bahamas, alegando que os recursos não declarados seriam referentes a comissões sobre vendas de produtos industriais de empresas sediadas no exterior.

Em abril do ano passado, pouco antes de ser preso, Iskin admitiu em entrevista ao GLOBO ser amigo de Fernando Antonio Falcão Soares, o Fernando Baiano apontado como operador de Cunha no PMDB, que frequentava a sua empresa no Humaitá, Rio de Janeiro.

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