Um grupo de bispos da Igreja Católica, do Espírito Santo e de outros Estados, está divulgando uma carta pública à população em defesa da democracia e da soberania nacional, às vésperas do segundo turno das Eleições 2026. Pastores de diversas denominações evangélicas também têm se posicionado pela preservação do Estado democrático no Brasil.
No âmbito educacional, a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) se manifestou para resguardar os valores da instituição em meio à campanha política, fato que chama atenção para a escolha, neste domingo (25), de quem vai comandar o país. Na disputa, estão o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Entre os religiosos que se manifestaram, está Dom Luiz Fernando Lisboa, arcebispo da Diocese de Cachoeiro de Itapemirim, no Sul capixaba. Na reflexão, ele faz referência à Magnifica Humanitas, uma carta escrita pelo Papa Leão XIV direcionada aos fiéis.
"Há situações em que, para permanecermos humanos, temos de abandonar as hesitações e tomar posição. Há conflitos nos quais não é justo permanecer neutros nem é suficiente pensar 'não ser cúmplice'."
Na sequência da citação papal, Dom Luiz pontua que bispos de dioceses e arquidioceses pelo país, em comunhão com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), decidiram assinar a mensagem diante do cenário eleitoral brasileiro e diz que é necessário adotar um posicionamento de acordo com o Evangelho e a doutrina social da Igreja Católica.
Em vídeo publicado nas redes sociais, alguns religiosos se manifestam reproduzindo os trechos da carta em que, além de defender a democracia e a escolha de candidato que tem projeto voltado ao bem comum, criticam o negacionismo climático, a subjugação do Brasil aos Estados Unidos e a falta de políticas que visem aos mais vulneráveis.
Alguns pastores também têm se manifestado em publicações na internet, como líderes das igrejas Luterana, Batista, Presbiteriana e Pentecostal, sempre na defesa da democracia. Um desses nomes é o de Usiel Carneiro, que comandava a Igreja Batista da Praia do Canto, em Vitória.
Ele tem estimulado reflexões sobre o período eleitoral e já tratou de temas como igualdade garantida pelo voto, cidadania e o papel do algoritmo em tempos de redes sociais.
A Ufes também elaborou uma carta à sociedade devido a uma série de ataques virtuais, ameaças e declarações mentirosas. "Há momentos em que é preciso lembrar o que não se negocia", ressalta a instituição, no início do documento.
Ao longo do texto, a universidade pontua o trabalho de mais de 70 anos na formação de profissionais e produção científica. Destaca, ainda, que a Constituição Federal estabelece que todos têm direitos e ninguém está acima da lei. A Ufes, diz a carta, não pertence a um governo, mas a todas as pessoas.
"Um ataque à Ufes e à sua comunidade é um ataque à sociedade brasileira e a toda a população. Atinge quem espera atendimento no hospital, quem sonha com o primeiro diploma da família, quem planta, quem empreende e quem trabalha. Atinge até quem nunca pisou no campus universitário, mas vive melhor pelo o que aqui se produz. A Ufes é de todos e é em nome de todos que ela se pronuncia", conclui.
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