Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

  • Início
  • Todas Elas
  • Mulher Segura: veja como funciona o monitoramento que alerta vítima sobre agressor no ES
Proteção à vítima

Mulher Segura: veja como funciona o monitoramento que alerta vítima sobre agressor no ES

Ferramenta monitora a distância entre vítimas de violência doméstica e homens com tornozeleira. Inclusão no programa depende de decisão judicial e da avaliação do risco

Publicado em 23 de Outubro de 2026 às 19:44

Nicoly Reis

Publicado em 

23 out 2026 às 19:44

Um celular passou a acompanhar uma moradora do Espírito Santo sempre que ela sai de casa. Entregue pelo Programa Mulher Segura, o aparelho monitora a distância entre a vítima de violência doméstica e o ex-companheiro, que usa tornozeleira eletrônica. Se ele se aproximar, os dois recebem alertas, e policiais da Central de Monitoramento Eletrônico são avisados.


“Hoje eu me sinto bem mais tranquila. Com a medida protetiva normal, ele tinha ali uma medida, mas era um papel. Com o botão [telefone], se ele violar, a Justiça fica sabendo”, relata a mulher, que terá a identidade preservada por segurança.


Ela conta que viveu um relacionamento de quatro anos marcado por agressões, separações e reconciliações. Segundo a vítima, o ex-companheiro prometia mudar, mas os episódios de violência voltavam a se repetir. Ao longo desse período, ela também perdeu duas gestações.


Uma das agressões foi praticada dentro de casa, na presença dos filhos. A mulher relata que foi agarrada pelo homem enquanto estava no sofá e que as crianças tentaram defendê-la. Em seguida, afirma, foi jogada de uma altura de aproximadamente cinco metros.

Jornada até proteção

Após o episódio, a vítima procurou a polícia e conseguiu uma medida protetiva. A determinação judicial, no entanto, não teria impedido que o ex-companheiro continuasse se aproximando dela e dos filhos.


A mulher voltou à delegacia depois de perceber que o homem estava seguindo as crianças na saída da escola. Como já havia conhecido pela televisão o monitoramento com tornozeleira e o aparelho entregue às mulheres, pediu uma proteção adicional.


Com a decisão da Justiça, o ex-companheiro passou a usar tornozeleira eletrônica, enquanto ela recebeu o smartphone do Mulher Segura. A escola dos filhos também foi incluída entre os locais dos quais o agressor deve manter distância.


Além de acompanhar a localização da mulher, o sistema protege endereços fixos definidos pela Justiça, como a casa, o trabalho e a escola dos filhos.

Alerta começa a um quilômetro

O Mulher Segura é acompanhado 24 horas por dia por policiais que atuam em uma sala específica da Central de Monitoramento Eletrônico da Secretaria de Estado da Justiça (Sejus). A principal diferença em relação a outras formas de monitorar é a criação de uma zona de exclusão móvel. Em vez de proteger somente endereços fixos, a Central acompanha a mulher durante os deslocamentos. 


“Onde essa mulher estiver, esse monitorado não pode estar. Se ele se aproximar, os protocolos são iniciados, e a central é alertada”, explica o gerente de Alternativas Penais e Monitoramento Eletrônico, Rômulo Victor Praxedes. 

Monitoramento das tornozeleiras eletrônicas da Sejus
Central de Monitoramento Eletrônico acompanha trajetos das vítimas para protegê-las de agressores   Fernando Madeira

A distância mínima determinada pela Justiça é de 500 metros. Para antecipar uma possível aproximação, a Central acrescenta outra área de advertência do mesmo tamanho. Assim, os alertas começam quando agressor e vítima ficam a um quilômetro de distância.


Na primeira área, a tornozeleira vibra, e o homem recebe mensagens e ligações orientando que mude o trajeto. Um policial também entra em contato para verificar a situação. Se ele continuar avançando e chegar à distância proibida, o celular da mulher emite um alerta. A central orienta a vítima e pode acionar uma viatura.

Veja também 

Tornozeleira eletrônica da cor preta, a utilizada atualmente, inclusive em agressores de mulheres

Lei Maria da Penha: mais de 300 agressores usam tornozeleira eletrônica no ES

Imagem de destaque

Mulher Segura: ES tem 21 violações e 1ª prisão por descumprimento de medida protetiva

O sistema também identifica quem provocou a aproximação. Isso permite diferenciar uma tentativa de contato de um encontro não intencional, como quando o agressor já está em determinado local e a mulher segue em direção à mesma região sem saber.


A vítima entrevistada já recebeu um alerta depois que o ex-companheiro se aproximou de seu local de trabalho. Segundo ela, o celular começou a vibrar, e a central entrou em contato com os dois. Como o homem não teria explicado o motivo de estar naquela região, a ocorrência foi registrada e comunicada à Justiça.

Quem pode entrar no programa?

Atualmente, o Mulher Segura acompanha 20 mulheres e 20 agressores. A inclusão não é automática, após a concessão de uma medida protetiva. Depende da decisão do magistrado responsável pelo caso e é destinada a situações consideradas de risco grave ou extremo.


Segundo a coordenadora estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar, a juíza de Direito Thaíta Trevizan, podem ser considerados fatores como descumprimentos anteriores, histórico de agressões contra outras mulheres, porte de arma, repetição dos pedidos de proteção e medo relatado pela vítima.


“Tem que haver uma escalada de risco grave para muito alta, porque se trata de uma medida que restringe a liberdade de alguém, mesmo sem a existência de uma ação penal. Por isso, cada caso precisa ser avaliado com muito critério”, explica.

Ampliar o alcance dessa tecnologia deve ser uma prioridade, exigindo, na prática, uma triagem ágil para identificar os casos de maior gravidade

Fernanda Prugner, coordenadora de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher.

A Defensoria Pública do Espírito Santo (DPES) destaca, além da triagem ágil dos casos mais graves, a aplicação criteriosa das regras de inclusão no programa e uma articulação sólida de toda a rede de proteção e do Sistema de Justiça.


O Mulher Segura, como explica a defensora pública Fernanda Prugner, coordenadora de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher, é essencial para garantir a integridade das mulheres, especialmente em situações de risco iminente e nos casos de descumprimento de medidas protetivas de urgência.

Monitoramento das tornozeleiras eletrônicas da Sejus
Pedido de socorro é feito pelo celular
Fernando Madeira

A medida protetiva tem a finalidade de resguardar a mulher e independe da abertura de uma ação penal.


Antes de determinar o uso da tornozeleira, o magistrado pode adotar outras providências, como o afastamento do agressor do lar, a proibição de contato ou aproximação e a participação em grupos reflexivos.


Por isso, a Defensoria Pública reforça a importância do monitoramento eletrônico. "O uso de tornozeleira eletrônica e o Programa Mulher Segura são ferramentas fundamentais no enfrentamento à violência de gênero", pontua Prugner.

A própria mulher pode pedir para entrar no programa ao solicitar a medida protetiva ou posteriormente, caso ocorram novas ameaças ou descumprimentos. De acordo com Thaíta, a manifestação da vítima é um dos elementos considerados pelo juiz, mas o pedido não garante automaticamente a inclusão.

Proteção às vítimas

Também é possível procurar o Ministério Público ou a Defensoria Pública para solicitar o reforço da proteção. 


Desde dezembro de 2018, o Núcleo Especializado de Defesa dos Direitos da Mulher (Nudem), da Defensoria Pública, oferece assistência jurídica gratuita para o acesso à Justiça para mulheres em situação de violência de gênero.


Atualmente, a DPES está presente em 29 comarcas do Espírito Santo, com Defensorias Especializadas de Atendimento à Vítima de Violência Doméstica e Familiar em Vitória, Vila Velha, Cariacica, Serra e Linhares.

5 MIL

mulheres já usaram o Click Delas, canal on-line da Defensoria do ES que facilita pedidos de medidas protetivas.

O órgão público ainda oferece, para todo o território capixaba, o Click Delas: um formulário 100% digital e gratuito que permite solicitar medidas de urgência de forma rápida, discreta e segura, sem a necessidade de boletim de ocorrência prévio.


Prugner explica que, após o preenchimento do formulário, a vítima recebe atendimento jurídico especializado no primeiro dia útil seguinte. Mais de 5 mil mulheres já utilizaram a ferramenta desde o lançamento. Entre os serviços jurídicos, estão os pedidos de medida protetiva, com atendimentos que respeitam o sigilo e a autonomia da mulher.

Nem toda tornozeleira faz parte do Mulher Segura

O Espírito Santo tem 330 agressores monitorados eletronicamente em casos relacionados à Lei Maria da Penha. O número, porém, não representa a quantidade de homens vinculados ao Mulher Segura.


Thaíta Trevizan explica que existem duas formas diferentes de monitoramento. No programa, a tornozeleira pode ser determinada durante a análise da medida protetiva, mesmo sem a existência de uma ação penal. Nesse caso, a vítima também recebe um celular e tem sua localização conectada à do agressor.

Monitoramento das tornozeleiras eletrônicas da Sejus
Tornozeleiras eletrônicas são usadas por agressores Fernando Madeira

A tornozeleira também pode ser aplicada como medida cautelar durante uma investigação ou ação penal, por exemplo, depois de uma prisão em flagrante e como alternativa à prisão preventiva. Nessas situações, a vítima não necessariamente participa do Mulher Segura.


“Uma coisa é a tornozeleira determinada em razão de uma prisão em flagrante, como alternativa à prisão preventiva. Outra é o monitoramento do Mulher Segura, definido durante a análise da medida protetiva. São situações diferentes”, esclarece a juíza.


Desde o lançamento do Mulher Segura, em novembro de 2025, foram registradas 21 ocorrências de aproximação. Na maioria delas, o homem deixou o local depois dos primeiros alertas, sem necessidade de acionamento policial.


O programa também registrou uma prisão por descumprimentos reiterados. Além de entrar na área proibida, romper a tornozeleira, bloquear o sinal ou deixar o equipamento sem carga podem ser considerados descumprimentos da determinação judicial. As ocorrências são registradas e encaminhadas à Justiça.


Atualmente, o serviço está disponível em 18 municípios do Espírito Santo, incluindo as seis cidades da Grande Vitória e localidades das regiões Norte e Central do Estado.

Veja também 

Monitoramento das tornozeleiras eletrônicas da Sejus

Mulher Segura: veja como funciona o monitoramento que alerta vítima sobre agressor no ES

Linhares inaugura espaço para mulheres e famílias vítimas de violência

Delegacia de Linhares ganha sala para acolher mulheres vítimas de violência

Violência doméstica

INSS passa a pagar benefício de até 6 meses para mulheres vítimas de violência doméstica

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Acidente entre moto e carro mata uma pessoa e deixa outra ferida no Sul do ES
Homem morre e outra pessoa fica ferida em acidente na BR 101 em Cachoeiro
Treinar a escrita, revisar erros e aprimorar a argumentação são passos importantes para buscar a nota mil na redação do Enem
Enem 2026: reta final tem aulões gratuitos já neste fim de semana; veja como participar
Motorista morre após tombamento de carreta em Ponto Belo
Motorista morre após carreta tombar na ES 137, em Ponto Belo

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados

Fale com a gente

Escolha o canal de sua preferência para assinar A Gazeta ou tirar dúvidas.