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Publicado em 14 de novembro de 2025 às 19:32
Caracterizada como um crime que acontece predominantemente no ambiente familiar, a violência doméstica tem componentes que acabam dificultando o seu enfrentamento, mas a tecnologia pode se tornar uma ferramenta para proteger as mulheres. Programa lançado nesta sexta-feira (14) pelo governo do Espírito Santo prevê que vítimas sejam avisadas, por celular, sobre a aproximação do agressor, que passará a ser monitorado por tornozeleira eletrônica. >
Foram adquiridos 200 conjuntos — tornozeleira e celular — para implementação da estratégia no Estado, mas o monitoramento começa pela Região Metropolitana, particularmente por Vitória, onde três vítimas já são contempladas pelo Programa Mulher Segura. A proposta é que, com essa iniciativa, seja possível prevenir casos de feminicídio que, neste ano, já totalizam 29 registros no Espírito Santo. >
"Esse é um desafio no Estado. A gente está reduzindo o feminicídio, até ontem (dia 13) reduzimos 17%, mas temos necessidade de avançar. E, com o programa, esperamos alcançar mais resultados daqui para a frente", ressaltou o governador Renato Casagrande (PSB), durante o lançamento do programa, no Palácio Anchieta. >
Na apresentação da nova estratégia, a delegada Michelle Meira, da Gerência de Proteção à Mulher da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp), explicou que o monitoramento se soma a outras iniciativas, como a Patrulha Maria da Penha, que vai fazer um acompanhamento diferenciado das vítimas atendidas pelo programa, com mais visitas tranquilizadoras. >
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Mas, para chegar ao monitoramento do agressor, algumas etapas deverão ser cumpridas:>
Da ordem da Justiça — que vai estabelecer o raio de distância que o agressor deve permanecer da vítima — ao início do monitoramento, o prazo é de até 24 horas para que a mulher esteja integrada ao programa. Serão contempladas aquelas que, pela avaliação do magistrado, apresentarem maior risco de novos episódios de violência. >
Michele Meira pontuou que os equipamentos vão estar interligados e a proteção foi definida em dois níveis:>
Zona Amarela (advertência)>
Portanto, essa é uma área em que o agressor até pode circular, mas haverá uma sinalização de que está se aproximando do espaço restrito e que está sendo monitorado. >
Zona Vermelha (Exclusão)>
A zona de exclusão é justamente a área em que, por determinação da Justiça, o agressor não pode entrar, ou estará descumprindo a medida protetiva. Em caso de violação, além dos alertas vibratórios e mensagens, agentes da central de monitoramento vão ligar para ele e para a vítima informando da situação. Se o monitorado não atender a ligação ou se recusar a acatar as orientações, a Polícia Militar será acionada. >
Esse é o modo de alerta 1, acionado assim que o agressor monitorado ingressa na zona de exclusão. Mas a mulher também pode recorrer ao modo de alerta 2, pressionando o botão "Preciso de Ajuda". Neste caso, a central de monitoramento recebe a notificação e automaticamente o celular inicia a gravação de áudio e vídeo. >
O subsecretário de Segurança Pública, Guilherme Pacífico, acrescenta que a mulher também vai ser alertada no caso de ela, inadvertidamente, se aproximar da área em que o agressor se encontre. Um exemplo, conforme pontuou, seria os dois irem a uma mesma praia.>
A implantação do Mulher Segura começou por Vitória e segue, gradativamente, para Serra, Cariacica, Vila Velha, Viana e Guarapari. Numa segunda fase, o programa será levado para o interior do Estado, mas depende da análise de infraestrutura, como a cobertura de sinal de GPS e de telefonia móvel no município para que o monitoramento possa funcionar adequadamente. >
O governador afirmou que a Capital foi escolhida para o início da estratégia basicamente por sua localização. "Não tem motivo especial a não ser a proximidade do serviço e a facilidade de começar. Estamos em um processo de aprendizado do uso da tecnologia e, como Vitória está perto de sede de governo, foi feita a escolha." >
Casagrande também esclareceu que o modelo adotado atende melhor ao programa de proteção, justificando o motivo para a demora na implantação da medida, que já havia sido anunciada há três anos. Ele disse que a tecnologia da empresa anterior apresentou falhas. >
Além dos órgãos de governo e das polícias, o programa está sendo implementado com a parceria do Tribunal de Justiça e do Ministério Público do Espírito Santo (MPES). >
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