Repórter / [email protected]
Publicado em 12 de março de 2026 às 08:55
Pouco antes do inicio do julgamento do juiz aposentado Antônio Leopoldo, acusado de ser um dos mandantes do assassinato do juiz Alexandre Martins de Castro Filho, o pai da vítima falou sobre a expectativa da família por uma condenação após mais de duas décadas de espera. >
Em frente ao Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES), na manhã desta quinta-feira (12), Alexandre Martins de Castro afirmou que a família aguarda que a sentença seja proporcional à gravidade do crime.>
Segundo ele, são 23 anos de espera por justiça desde o assassinato do filho.>
“A expectativa é de uma condenação que é merecida, que é aguardada, porque o crime foi muito grave e merece uma condenação compatível com essa gravidade.”>
>
O pai lembrou que a perda do filho continua presente no cotidiano da família, especialmente em datas simbólicas.>
“São 23 anos em que eu não tenho a companhia dele. Natal, Semana Santa, Dia dos Pais, aniversário… essas datas de família trazem uma saudade. Não um sofrimento, mas uma saudade.”>
Ele também afirmou que nada pode reparar a perda, mas destacou que buscou justiça ao longo de todo esse período.>
“Nada vai apagar, nada vai trazer ele de volta, mas pelo menos eu fico com a consciência tranquila de que fiz o meu papel de pai, que era perseguir os culpados até os dias de hoje.”>
De acordo com ele, uma eventual condenação também teria efeito simbólico e pedagógico.>
“Dependendo da condenação, ela será pedagógica e vai desestimular, principalmente, o ataque às autoridades. Não é possível que o Estado tenha elementos do alto escalão atingidos como o Alexandre foi. Isso é um absurdo.”>
O julgamento de Antônio Leopoldo ocorre no Tribunal de Justiça do Espírito Santo e trata da acusação de que ele teria participado como um dos mandantes do assassinato do juiz Alexandre Martins de Castro Filho, morto em março de 2003, em Vila Velha.>
O advogado Fabrício Campos, responsável pela defesa de Leopoldo, refutou as alegações de que os recursos apresentados tiveram o intuito de procrastinar o andamento do processo. Segundo o defensor, as medidas judiciais foram respostas diretas a ilegalidades identificadas, muitas das quais acabaram reconhecidas pela Justiça — incluindo a existência de um documento que permaneceu oculto por mais de 15 anos. Campos enfatiza que a linha de investigação inicial, que apontava para outros suspeitos, foi abandonada em favor de um "subterfúgio" criado contra o magistrado, culminando em uma acusação que ele classifica como gratuita e sem fundamentos reais.>
Também antes do início do julgamento, a defesa do juiz aposentado Antônio Leopoldo Teixeira sustenta que não há provas que liguem Leopoldo ao crime, destacando a ausência de registros de comunicação telefônica ou encontros com os mandantes. De acordo com o advogado, na época dos fatos, Alexandre prestava apoio jurisdicional a uma missão especial que investigava terceiros, não Leopoldo, acrescentando que o juiz aposentado não estava na Vara de Execuções Penais, sim na Cível, no momento do homicídio. >
"Tinha uma cadeira vaga para um culpado e poderia ser qualquer outra pessoa", afirmou Campos, reiterando que a tarefa de comprovar a culpa cabe exclusivamente à acusação, que teria ignorado a falta de envolvimento do réu em atos de corrupção ou no assassinato.>
ENTENDA A MORTE DE ALEXANDRE MARTINS
O juiz tornou-se um alvo porque suas decisões atingiam diretamente o coração do crime organizado do Estado. Ao assumir a Vara de Execuções Penais, ele passou a fiscalizar presídios e a combater esquemas de corrupção que envolviam a venda de benefícios para detentos e transferências irregulares de presos de alta periculosidade. Suas investigações e sentenças ameaçavam o poder de ex-policiais, contraventores e até membros do Judiciário que mantinham negócios ilícitos dentro do sistema prisional.>
Alexandre Martins foi assassinado na manhã de 24 de março de 2003, com três tiros, quando chegava a uma academia de ginástica em Itapoã, Vila Velha. Ele estava sozinho e não utilizava escolta no momento do ataque, apesar das ameaças que recebia. O crime foi uma execução planejada: dois pistoleiros em uma motocicleta o aguardavam e efetuaram os disparos à queima-roupa. Embora a defesa dos acusados tenha tentado sustentar a tese de latrocínio (roubo seguido de morte), as investigações provaram que se tratou de um crime de mando, articulado por uma rede que envolvia intermediários e mandantes ligados ao crime organizado.>
Antônio Leopoldo é um juiz aposentado que, na época do crime (2003), era colega da vítima na Vara de Execuções Penais de Vitória. Ele é apontado pelas investigações como um dos mandantes do assassinato. Diferente dos executores e intermediários, que já foram julgados e condenados em anos anteriores, Leopoldo é o último réu de grande relevância a enfrentar o julgamento devido a uma série de recursos que prolongaram o processo por mais de duas décadas. O caso será analisado pelo Tribunal do Pleno do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES).>
O Ministério Público sustenta que Antônio Leopoldo participou do planejamento da morte de Alexandre Martins por motivos de vingança e queima de arquivo.>
Segundo a acusação, a motivação seria porque Alexandre Martins teria descoberto e passado a combater um esquema de venda de alvarás de soltura e benefícios a presos, do qual Leopoldo supostamente fazia parte.>
Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.
Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta