O incêndio que destruiu o Arquivo Geral do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES), na manhã desta terça-feira (21), na Serra, provocou manifestações de apoio à Corte e de preocupação com a perda do acervo documental. Entidades ligadas ao Judiciário destacaram que os danos vão além da destruição física dos processos e atingem parte da memória institucional e histórica do Estado.
A presidente do Sindicato dos Trabalhadores Judiciários do Espírito Santo (Sindijudiciário-ES), Maria Célia da Costa Almeida, lamentou o ocorrido. Em entrevista à TV Gazeta, ela manifestou apoio aos 15 servidores que trabalham na unidade e também à atual gestão do Tribunal de Justiça.
“A nossa preocupação é com os servidores que trabalham aqui. Estão todos muito abalados, sofrendo, porque é uma tragédia que não tem precedentes. Todo o arquivo foi incinerado”, disse Almeida, que esteve no local com a equipe do SindjudES para acompanhar a situação.
Alguns (servidores) trabalham com o acervo do Tribunal de Justiça há mais de 35 anos. Um trabalho todo feito que foi destruído em questão de segundos
Maria Célia da Costa Almeida, presidente do Sindijudiciário-ES
Ela também lamentou a perda de todos os processos arquivados no galpão incendiado. “São processos de todas as comarcas que vêm para cá. Muitos vêm digitalizados, outros são digitalizados aqui, e são guardados como acervo. Não estamos falando só de processos, estamos falando da história do Espírito Santo, da história das pessoas. Isso nos deixa muito tristes”, disse a presidente do Sindijudiciários.
Segundo Maria Célia, o sindicato vai aguardar a conclusão da perícia sobre as causas do incêndio. Ela lembrou que a entidade já havia denunciado as condições do arquivo, como mostrou reportagem publicada por A Gazeta em outubro de 2025.
Imagens divulgadas pelo Sindijudiciários mostraram o arquivo do Tribunal de Justiça em condições precárias, com mofo e um amontoado de processos. Até um princípio de incêndio foi registrado pelos servidores do local em julho de 2024.
A presidente do sindicato afirmou que as denúncias realizadas pelo sindicato há um ano e meio estão sendo ouvidas pela atual gestão do TJES. “O Tribunal de Justiça tem feito um trabalho de reconstrução nos locais que a gente vem denunciando. E a gente agradece porque o sindicato tem sido ouvido. Onde a gente denuncia, o tribunal vai lá, faz as ponderações e inicia as obras”, explicou a presidente do Sindijudiciários.
Segundo a presidente, desde a denúncia, a atual gestão tem se empenhado para reverter a situação. “Nós fizemos inspeções e fiscalizações em arquivos de todos os fóruns do Estado. Identificado o problema, este era encaminhado para o tribunal. A atual gestão acolheu a denúncia e começou a fazer uma transformação”, conta Almeida.
A Ordem dos Advogados (OAB-ES), o Ministério Público do Espírito Santo (MPES) e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) foram procurados para comentar sobre o incêndio.
Em nota, a OAB-ES disse apenas que “se solidariza com o TJES diante deste fato e torce para que os danos sejam mínimos possíveis para a prestação jurisdicional”.
Até a publicação desta matéria, MPES e CNJ ainda não haviam retornado à demanda.
Mas o CNJ, em outubro de 2025, chegou a cobrar explicações do Tribunal de Justiça sobre as condições do arquivo geral, após reportagem de A Gazeta revelar que o galpão apresentava problemas graves de segurança e armazenamento, com desorganização, mofo, pragas e risco de incêndio, conforme denúncia do Sindijudiciário-ES. Na ocasião, o conselho informou, ainda, que a situação também era acompanhada pelo Programa Nacional de Gestão Documental e Memória do Poder Judiciário (Proname).
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