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Contarato diz que permanência de Bolsonaro na Presidência é insustentável

Irmãos Miranda afirmaram em depoimento aos senadores que alertaram o presidente Jair Bolsonaro sobre a suspeita de corrupção na compra da vacina indiana Covaxin

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 26/06/2021 às 08h46
Fabiano Contarato durante depoimento dos irmãos Miranda na CPI da Covid
Fabiano Contarato durante depoimento dos irmãos Miranda na CPI da Covid. Crédito: Waldemir Barreto

O senador Fabiano Contarato (Rede) afirmou que a permanência do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), no cargo se tornou insustentável após o depoimento dos irmãos Miranda na CPI da Covid nesta sexta-feira (25). Durante uma das reuniões mais tensas do colegiado, o deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) e Luis Ricardo Miranda, servidor de carreira do Ministério da Saúde, sustentaram que avisaram ao presidente da suspeita de corrupção no contrato de compra da vacina Covaxin, imunizante indiano, ainda em março.

"Hoje está sacramentado que a permanência do presidente da República na cadeira, no Palácio do Planalto, se torna insustentável. A Câmara dos Deputados tem que ter a hombridade, a responsabilidade de abrir um dos 130 pedidos de impeachment contra o presidente da República", afirmou o senador capixaba.

"Os ataques a Constituição Federal foram sistematizados. (...) Em plena pandemia, vai contra as orientações da OMS, nega aquisição da Pfizer, exige autorização das agências reguladoras e faz esse acordo espúrio com o aval do líder do governo na Câmara dos Deputados e que agora indica uma funcionária para direção da Anvisa. Isso tudo é muito grave porque tudo está correlacionado", completou.

Luis Ricardo, chefe da divisão de importação do Departamento de Logística do Ministério da Saúde desde 2011, afirma ter dito a Bolsonaro que foi pressionado por três superiores para "agilizar" os trâmites de importação da vacina. Miranda suspeitou de irregularidades no contrato de U$ 45 milhões que tinha uma empresa offshore (como as que atuam em paraísos fiscais) como intermediária. 

O presidente teria garantido que pediria para a Polícia Federal investigar os fatos. Para o irmão do servidor, deputado federal Luis Miranda, Bolsonaro demonstrou que sabia a origem da pressão e que a situação poderia ser "mais um rolo" do deputado federal Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo na Câmara. A conversa foi no dia 20 de março.

O governo federal reagiu às acusações. Onyx Lorenzoni, ministro da Secretaria-Geral da Presidência, afirmou em coletiva de imprensa que a Polícia Federal investigaria os dois irmãos. "Ele vai se entender com Deus e com a gente também", disse Lorenzoni. Na CPI, o senador Marcos Rogério (DEM-RO), um dos principais aliados de Bolsonaro, insinuou que Miranda teria "motivações" para depor, mas não disse quais ao ser questionado pelos demais parlamentares.

Diante do que foi dito na comissão, Contarato, que se opõe ao governo federal, questionou o posicionamento de Bolsonaro e dos aliados dele e pediu que Barros seja convocado para depor na CPI.

"Como pode o governo federal utilizar do aparato estatal para ir contra um servidor que está denunciando uma irregularidade em um contrato de US$ 45 milhões?", questionou. "E aquele a quem nós almejávamos que tivesse um comportamento pró-ativo de investigação dos fatos nada fez."

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