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Casagrande diz que deputado deve ter responsabilidade com o que fala

Governador pontuou que a "população não pode sair em defesa da justiça com as próprias mãos" e falou em buscar "caminho da racionalidade e da sociedade equilibrada"

Publicado em 12/09/2019 às 15h02
Atualizado em 12/09/2019 às 20h33
Governador do Espírito Santo Renato Casagrande (PSB). Crédito: Tati Beling/Ales
Governador do Espírito Santo Renato Casagrande (PSB). Crédito: Tati Beling/Ales

O governador Renato Casagrande (PSB) defendeu que é preciso cautela nas falas de lideranças políticas, como as de um deputado estadual, um governador e um presidente, pois todas elas geram repercussão na sociedade. Questionado sobre a declaração do deputado Capitão Assumção (PSL), na Assembleia, que ofereceu R$ 10 mil a quem matasse o suspeito de um homicídio, em Cariacica, o governador frisou que o caminho para solucionar crimes deve ser estruturando as polícias.

"Todas as lideranças que tem representatividade são referências. Tudo que um deputado fala, um governador, um presidente da República fala, vira uma referência, é observado. E é preciso que nós possamos defender um projeto de vida que esteja alicerçado na cultura da justiça e paz, e não na cultura da violência", afirmou.

Casagrande acrescentou que a população não pode sair em defesa da justiça com as próprias mãos.

Renato Casagrande, governador do ES

Nós temos uma Polícia Civil que é uma das mais resolutivas do Brasil. O que é importante é continuarmos trabalhando. Quanto menor a impunidade, menor o número de crimes. Este é o caminho que temos que seguir, que deu certo nos países desenvolvidos. É estruturar polícia, para que ela possa prevenir e solucionar crimes. Em todos os locais em que as pessoas buscam resolver suas questões com as próprias mãos, isso aumentou a criminalidade. Deus não nos deu a autorização nem a liberdade de tirar a vida de ninguém, então é preciso que junto com a Assembleia - e o Capitão Assumção faz parte disso - a gente trabalhe para ter políticas efetivas, esse é o caminho da racionalidade e da sociedade equilibrada

Casagrande preferiu não opinar sobre a necessidade de que a Assembleia e os órgãos de controle tomarem providências sobre as declarações de Assumção.

O subsecretário de Integração Institucional da Secretaria de Estado de Segurança (Sesp), Guilherme Pacífico, afirmou que os policiais do Estado trabalham para retirar criminosos de circulação e encaminhar os suspeitos de crime à Justiça, e que a declaração do deputado não interfere nos trabalhos de investigação.

"Esse não é o papel (de um parlamentar). A função do policial é trabalhar para que não ocorram delitos, trabalhar para que quem cometeu o crime possa ser levado à Justiça e responder por esses crimes. Não é função do Estado tirar a vida de ninguém. E com relação a isso, acho que esse estado de beligerância não ajuda ninguém", disse Pacífico.

PARES

Entre os demais deputados estaduais, também houve reprovação às falas de Assumção, embora até o momento nenhum deles tenha se prontificado a tomar uma medida formal na Assembleia.

Delegado da Polícia Civil, o deputado estadual

pontuou que a fala de Assumção se deu durante a discussão de um projeto de lei complementar enviado pelo governo do Estado. Segundo Pazolini, o texto tratava sobre o uso de tornozeleiras e o pagamento de recursos a egressos do sistema prisional capixaba.

“Acho que houve, talvez, um excesso que precisa ser analisado com ponderação, mas o contexto não pode ser retirado. Eu entendo que o momento que o país passa é um momento extremamente perigoso e as medidas extremadas não são mais adequadas. Nós precisamos de ponderação, de bom senso, de um pouco mais de prudência, evitar esse choque, esse conflito social”, avaliou.

A deputada Janete de Sá (PMN) também se disse contra a atitude. "Me manifestei logo depois dele, repercutindo contrariamente à postura. Vi que naquele momento, foi uma fala de revolta. Acredito que o deputado se excedeu por conhecer a moça. Mas nós, em uma Casa de leis, tem que levar as coisas pelo caminho da legislação. Não cabe a nós, parlamentares, incitar a barbárie".

Para Sergio Majeski (PSB), não é correto reforçar discurso fácil, de que se resolve a violência armando ou matando criminosos. "Nós, além de representantes da sociedade, somos formadores de opinião, temos que refletir sobre as causas da violência, e as políticas que podem resultar na redução da violência. Qual país do mundo resolveu na base do olho por olho?", opinou.

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