ASSINE

Casagrande critica ato pró-militarismo: "Democracia é o único caminho"

Governador do Espírito Santo disse nas redes sociais que pessoas foram às ruas defender sistema autoritário. Presidente Bolsonaro participou de protesto em Brasília

Publicado em 19/04/2020 às 21h04
Atualizado em 19/04/2020 às 22h24
O governador Renato Casagrande e o presidente Jair Bolsonaro
O governador Renato Casagrande e o presidente Jair Bolsonaro. Crédito: Helio Filho/Secom-ES | Marcos Corrêa/PR

O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), criticou os atos realizados neste domingo (19) pelo país contra o Congresso Nacional, as medidas de isolamento social e pedindo até intervenção militar. Em sua conta no Twitter, o socialista afirmou que a democracia é o único caminho.

"No dia em que algumas pessoas foram às ruas para defender um sistema autoritário, é preciso reafirmar nossa crença que a democracia é nosso único caminho para alcançar uma nação soberana", disse.

Idealizado por apoiados do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o ato nacional pró-militarismo foi realizado em várias cidades do Brasil, inclusive na Grande Vitória.

O presidente chegou a participar de uma das manifestações, em Brasília, e discurso dizendo que "não queremos negociar nada" e que "acabou a época da patifaria". No evento, o líder brasileiro atacou a "velha política" e afirmou que "acabou a época da patifaria". A fala provocou uma forte reação dos poderes.

No Espírito Santo, grupos também saíram às ruas para protestar contra o isolamento e também pediram o fechamento do Congresso e do STF, como mostrou o colunista Vitor Vogas.

Os eventos pelo país foram organizados pelas redes sociais e grupos do WhatsApp. A campanha fala "“Fora STF”, “Fora CN (Congresso Nacional) e “um golpe comunista está sendo implementado no Brasil. Vamos para frente dos quartéis ou será tarde demais" foram algumas das mensagens disparadas por bolsonaristas. O presidente não repreendeu os manifestantes por pedirem medidas antidemocráticas."

MILITARES REAGEM

Segundo o Estado de São Paulo, a participação do Bolsonaro nas manifestações causou um "enorme desconforto" na cúpula militar.  Ao jornal, os oficiais-generais disseram que as Forças Armadas são instituições permanentes, que servem ao Estado Brasileiro e não ao governo.

“Se a manifestação tivesse sido na Esplanada, na Praça dos Três Poderes ou em qualquer outro lugar seria mais do mesmo”, disse um militar ao Estadão. “Mas em frente ao QG, no dia do Exército, tem uma simbologia dupla muito forte. Não foi bom porque as Forças Armadas estão cuidando apenas das suas missões constitucionais, sem interferir em questões políticas.” Os generais ainda disseram que o comportamento do Bolsonaro mostrou uma provocação desnecessária e fora de hora.

LIVE ACUSA MAIA DE TRAMAR GOLPE

Após a participação nos protestos, Bolsonaro agravou a crise com os Poderes ao compartilhar uma live (transmissão ao vivo) no Twitter do ex-deputado Roberto Jefferson (PTB). No vídeo, o condenado por participação no Mensalão disse que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), pode gerar o impeachment de Bolsonaro.

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) criticaram os protestos e também os gestos do Bolsonaro. Marco Aurélio Mello chamou os protestantes de saudositas inoportunos e Luiz Roberto Barroso disse que é assustador ver o pedido para o retorno do Regime Militar. Gilmar Mendes disse que a convocação por um novo AI-5 é rasgar a Constituição.

A Gazeta integra o

Saiba mais

Se você notou alguma informação incorreta em nosso conteúdo, clique no botão e nos avise, para que possamos corrigi-la o mais rápido possível

Para melhorar a sua navegação, A Gazeta utiliza cookies e tecnologias semelhantes como explicado em nossa Politica de Privacidade. Ao continuar navegando, você concorda com tais condições.

Bem-vindo

A Gazeta deseja enviar alertas sobre as principais notícias do Espírito Santo.