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Câmara da Serra: após racha, aliados de Audifax se aproximam de Vidigal

Na eleição da Mesa Diretora,  os grupos políticos ligados ao prefeito e ao ex estavam em lados opostos. Mas oposição, que iniciou o mandato com sete nomes, encolheu

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 06/03/2021 às 18h19
Atualizado em 06/03/2021 às 18h19
Posse do prefeito Sérgio Vidigal na Câmara Municipal da Serra
Sessão de posse na Câmara da Serra: clima entre os vereadores tem sido de harmonia após racha inicial. Crédito: Ricardo Medeiros

Câmara da Serra foi em 2021 a única da Grande Vitória a ter uma eleição acirrada para decidir quem seria o novo presidente do Legislativo. Por 15 votos, Rodrigo Caldeira (PRTB), ligado ao grupo do prefeito Sergio Vidigal (PDT), foi reeleito, enquanto Rodrigo Caçulo (Republicanos), mais próximo do ex-prefeito Audifax Barcelos (Rede), recebeu sete votos. Três meses depois, dois dos aliados de Audifax, incluindo o próprio Caçulo, estão mais próximos de Vidigal.

Do "grupo dos sete", como foi chamada a tropa de Audifax no plenário, permaneceram os três ex-secretários do ex-prefeito, Raphaella Moraes (Rede), que foi secretária adjunta de governo; Elcimara Loureiro (PP), que assumiu na última gestão a pasta de Assistência Social; e Igor Elson (Podemos), que era secretário de Serviços. O vereador Ericson Duarte (Rede), do partido de Audifax, também é um dos que defendem o legado do ex-prefeito.

Dos outros três membros do "grupo dos sete", Caçulo, que encabeçou a chapa apoiada pelo ex-prefeito, diz que seu "compromisso com Audifax terminou na eleição" e que atualmente está mais alinhado com o prefeito Sergio Vidigal. Anderson Muniz (Podemos) se identifica como independente e nega que esteja na oposição.

O vereador William Miranda (PL) – que apoiou o candidato do grupo de Audifax, Fábio Duarte (Rede), no segundo turno da eleição para prefeito, contrariando o próprio partido – também afirma que possui um entendimento melhor com Vidigal atualmente.

"A eleição passou e não vejo problema nessa aproximação com o prefeito. Conversamos com ele (Vidigal) depois da eleição da Mesa, e não vamos trabalhar contra a gestão. Não queremos repetir os erros da legislatura anterior que, com esse acirramento político, acabou criando problemas para quem estava na prefeitura. A cidade escolheu a renovação”, sustenta Miranda.

De fato, há uma preocupação para que as diferenças partidárias e eleitorais não gerem dificuldades na administração. A vereadora Raphaella Moraes é apontada, informalmente, como "líder da oposição", por ter feito parte da gestão de Audifax. Além disso, seu chefe de gabinete é o antigo braço-direito do redista, Jolhiomar Massariol (Rede), que chegou até a ser cotado como um possível candidato a prefeito apoiado pelo ex-chefe do Executivo.

"Esse papel (de líder de oposição) foi apontado para mim involuntariamente. Eu sou oposição, mas não estou fazendo oposição. Vamos cumprir nosso papel de fiscalizar, vamos questionar se os projetos forem colocados em pauta sem tempo para análise, como já aconteceu, mas não existe uma orientação nossa para atrapalhar o mandato, como sofremos no passado, quando estávamos na prefeitura", argumenta Raphaella.

Descontados a cerimônia de posse e o recesso parlamentar, o ano legislativo começou no dia 3 de fevereiro, na primeira sessão ordinária do ano. De lá para cá, não houve votações que dividissem o plenário, nem projetos enviados pela administração municipal.

A única divisão na Casa, após a eleição, foi ao votar um projeto de decreto legislativo, de autoria do presidente da Câmara, Rodrigo Caldeira, que anula um ato de Audifax, que autorizava a Comissão Municipal de Avaliação de Impacto de Vizinhança propor mudanças no zoneamento ambiental da cidade. Caldeira justificou que o decreto burlava a competência do Legislativo para alterar as zonas da cidade.

Segundo Raphaella, o projeto foi colocado em pauta poucos minutos após ser disponibilizado para os vereadores. Ela e a vereadora Elcimara se abstiveram da votação, justificando que não houve tempo hábil para a análise. A proposta foi aprovada.

REFORMAS TRIBUTÁRIAS E ADMINISTRATIVAS

O primeiro teste que Vidigal deve enfrentar na Câmara nos próximos dias é um projeto que fará alterações no Código Tributário do município. A proposta foi lida em plenário na quarta-feira (3) e deve ir à votação em breve. A medida visa regulamentar as mudanças do Imposto sobre Serviços de qualquer Natureza (ISSQN), que passou, desde 2017, a ser recolhido no destino, em vez de na origem do serviço.

O tema não deve dividir a Câmara e há consenso para ele ser aprovado. Outro projeto aguardado – este, sim, pode ter maior discussão – é a reforma administrativa de Vidigal. A proposta deve apresentar mudanças na estrutura da prefeitura, como junções de secretarias e gerências, além da possibilidade de transformar cargos. O projeto ainda está em fase de construção no Executivo.

CÂMARA JÁ TEM A PRIMEIRA CPI DA LEGISLATURA

Nos últimos dias, a Câmara também instaurou a CPI do TIMS (Terminal Industrial Multimodal da Serra). O objetivo é investigar a atuação da Andrade Gutierrez Terminais Intermodais (AGTI), que detém a concessão de uma área pública destinada pelo município para aluguel de galpões a outras empresas. A área tem, desde 1992, isenção de tarifas para a concessionária.

"Queremos investigar e fiscalizar. Se há essa isenção até hoje, é preciso analisar se isso ainda é algo que beneficia o município", afirma William Miranda, autor do requerimento para a criação da CPI.

Apesar de a criação ser anterior ao início do primeiro mandato de Vidigal na Serra, a CPI pode criar problemas para a atual gestão. Nos bastidores, a avaliação é que a medida pode afugentar empresas importantes do município durante a pandemia, que buscariam zonas de isenção de tarifas em outras cidades.

PREFEITO ESTÁ SEM LÍDER NA CÂMARA

Apesar de ter maioria no plenário, Vidigal ainda não escolheu o líder do governo na Câmara. Tudo indica que o vereador Sérgio Peixoto (PROS) vai assumir o cargo, mas ainda não há uma definição. O parlamentar, aos 73 anos, é o mais velho da Casa e teve seu primeiro mandato na década de 1970. De lá para cá, ele já acumula sete legislaturas.

"É um nome que tem o aval da administração e conhece bem o Legislativo. Por sua história, é muito respeitado por todos os vereadores, por isso é o nome ideal para liderar a base do governo", aponta Willian da Elétrica (PDT), um dos três vereadores do partido de Vidigal na Câmara.

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