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Após punição do PSB, Rigoni avalia deixar o partido

Por ter votado a favor da reforma da Previdência, o deputado federal foi proibido pelo partido de exercer funções na Câmara, como participar de comissões

Publicado em 30/08/2019 às 15h21
Atualizado em 04/09/2019 às 18h53
Deputado federal Felipe Rigoni (PSB-ES). Crédito: Cleia Viana/Câmara dos Deputados
Deputado federal Felipe Rigoni (PSB-ES). Crédito: Cleia Viana/Câmara dos Deputados

Completamente insatisfeito com a decisão do PSB nacional de afastá-lo de todas as suas funções não só dentro do partido, como também na Câmara dos Deputados pelo período de um ano, o deputado federal Felipe Rigoni (PSB) estuda a possibilidade de deixar a sigla caso não consiga garantir sua participação nas comissões das quais faz parte atualmente.

A punição de alto calibre decretada pelo diretório do PSB nesta sexta-feira (30) para Rigoni e para outros oito parlamentares, incluindo o deputado federal Ted Conti, ocorre porque todos eles votaram a favor da reforma da Previdência, contrariando o posicionamento do partido, que havia fechado questão contra a matéria.

“Foi a pior coisa que poderiam ter feito com a gente. Se o partido acredita que estávamos errados, tinha que expulsar a gente”, critica Rigoni, que continua: “É uma decisão antidemocrática, que mostra que o PSB nacional não tem abertura para a diversidade de opiniões”.

Atualmente, Rigoni faz parte de 12 comissões na Câmara dos Deputados, entre elas, as de Finanças e Tributação, de Educação, de Ciências e Tecnologia, de Recuperação Fiscal dos Estados e do Fundeb. Além disso, o deputado, que foi eleito para seu primeiro mandato em 2018, já acumula 11 relatorias de projetos, incluindo a do Projeto de Lei apresentado pelo ministro da Justiça, Sergio Moro, para tipificar como crime o caixa 2 de campanha eleitoral.

“Eu sou muito técnico. Essa é a parte mais importante da minha atuação. Para mim é inviável ficar sem atividade parlamentar. Como eu vou caber num partido que pega tudo que eu construí ao longo desses últimos sete, oito meses, e me faz ficar sem fazer isso por um ano?", questiona o deputado.

Por determinação do regimento interno da Câmara, Rigoni, assim como os outros deputados, deve permanecer em ao menos uma comissão, a qual ele não sabe qual será. No entanto, ele também continua na comissão de fiscalização externa do Ministério da Educação, já que esta não está ligada ao PSB, e também nas comissões da reforma tributária e do saneamento básico por ter sido indicado por outros partidos.

De acordo com a decisão do diretório nacional, a punição para os deputados julgados poderá ser revertida após os primeiros seis meses, caso os parlamentares se adequem às diretrizes partidárias. Mas Rigoni não acredita nessa possibilidade. “Eu sou mais liberal na economia do que o partido, vai haver discordâncias”, afirma.

Rigoni afirma já ter sido convidado a ingressar em 15 partidos, mas ainda não aponta preferências. “Vou estudar junto à direção do PSB se existe uma solução pra eu continuar nas comissões e aí vou ver. Eu não queria sair do partido até hoje.”

RELAÇÃO COM O GOVERNO

Apesar da relação estremecida com o PSB, Felipe Rigoni deixa claro que sua relação com o governador Renato Casagrande (PSB) e com o governo estadual permanece a mesma.

"Ele (Casagrande) é meu amigo pessoal, faz um excelente governo. Vou continuar lutando e muito para que o governo dê certo”, destacou.

Membro da executiva nacional do partido, o governador esteve na reunião nesta sexta e sentou-se ao lado do presidente da sigla, Carlos Siqueira, mas se absteve de votar.

Para o governador, a punição deveria ter sido mais branda. “Desde o início defendi uma posição equilibrada. O partido caminhou para uma posição equilibrada, mas podia ser um grau um pouco abaixo. Por isso me abstive da votação”, justificou o governador, que em outros momentos já havia declarado ser contra a possibilidade de expulsão do PSB.

CARTA ASSINADA

Durante a votação que decidiu o futuro dos deputados julgados, o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, refutou diretamente um dos argumentos apresentados pela defesa de Rigoni, que afirma que o presidente assinou uma carta de compromisso com o Movimento Acredito (do qual o deputado faz parte) na qual se comprometia com a independência dos parlamentares.

“Quando eu assinei o compromisso com o Movimento Acredito eu pedi para excluir o parágrafo que se referia à informação que ele (Rigoni) dá na sua defesa. eu só assino o que eu concordo [...] As regras são as regras do partido, ele como os demais assinou uma ficha se comprometendo a cumprir.”

Mas Rigoni reitera que o compromisso da parte do PSB foi registrado. “ Isso quer dizer que ele não leu antes de assinar. O que eu acho que aconteceu é que ele achou que a gente era um bando de moleques, que não íamos dar certo, que não teríamos futuro.”

TED CONTI

Por outro lado, o deputado federal Ted Conti, que também sofrerá as mesmas sanções, afirma que aceita a decisão do partido. “Quando eu votei a favor da reforma, eu sabia que haveria algum tipo de sanção. Agora temos que construir uma boa relação com o partido e o restante da bancada. Minha relação é muito boa com todos, não há nenhum tipo de enfrentamento”, garante.

Contudo, Ted lamenta por possivelmente ter que deixar as comissões de Ciência e Tecnologia e das Pessoas com Deficiência, das quais faz parte. “Eu tenho trabalhos que estão sendo desenvolvidos, pedidos de audiência pública e isso pode prejudicar um pouco meu trabalho”, diz.

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