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Publicado em 13 de março de 2026 às 17:00
Após o julgamento que condenou o juiz aposentado Antônio Leopoldo Teixeira como um dos mandantes do assassinato do juiz Alexandre Martins de Castro Filho, ocorrido em 2003, o pai da vítima, Alexandre Martins, comemorou, em entrevista à CBN Vitória, nesta sexta-feira (13), a sentença do Tribunal do Pleno do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES). “Vale a pena confiar no Estado. A justiça pode tardar, mas ela vem”, afirmou. >
O professor, que foi ao julgamento usando um terno que era do filho, destacou a dificuldade até chegar ao julgamento do caso, após uma espera de quase 23 anos. “Os recursos fizeram com que o Leopoldo fugisse o tempo todo. Eu tinha certeza que ele havia sido o mandante (do crime).”>
Apesar da condenação de Leopoldo, Alexandre Martins disse que não podia se sentir satisfeito com o resultado do julgamento. “Não se trata mais disso. A decisão não me fez feliz, mas me aliviou. Ficar 23 anos perseguindo alguma coisa é muito duro”, disse.>
Ainda sobre a decisão, o pai da vítima questionou a ida de Leopoldo para o Quartel do Comando Geral (QCG) da Polícia Militar, em Maruípe, em função de possíveis benefícios que o condenado poderia receber. “Espero que ele passe pouco tempo no quartel, pois o lugar dele é em outro espaço, principalmente pelo requinte de crueldade dele.”>
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O pai da vítima ainda relembrou uma conversa com o filho, logo após o caso de assassinato do juiz Antônio José Machado em Presidente Prudente (SP), dez dias antes da morte de Alexandre Filho. Eles compararam a situação em que os dois magistrados se encontravam, tendo a luta contra o crime como algo em comum. >
“Eu avisei o Alexandre (sobre os perigos de lidar com o crime organizado), que ali ele deveria começar a prestar mais atenção, pois já tem um precedente”, disse ter alertado o pai.>
Ele ainda destacou a força emocional e a inteligência do filho, que, mesmo sob pressão, continuava fazendo o que acreditava ser o melhor para o Estado, mas subestimando o que poderia acontecer com ele. “Eles desdenharam a força maléfica do crime organizado”, lamentou.>
Atuando no Rio de Janeiro por anos, Alexandre ainda destacou que há uma diferença específica na atuação do crime de lá e do Espírito Santo: “Lá, no Rio, tem muita bala perdida. Aqui, no Espírito Santo, tem bala endereçada”, disse, fazendo referência ao fato de a morte de Alexandre Filho ter sido encomendada.>
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