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Tensão na Capital

Quem é Marujo, traficante pivô de ataques a tiros e incêndios em Vitória

Foi após uma denúncia de que Fernando Moraes Pimenta, o Marujo, estaria no Bonfim, que a polícia foi ao local; ocorrência acabou com morte do suspeito, o que desencadeou queima de ônibus, tiros e caos na Capital

Publicado em 11 de Outubro de 2022 às 19:42

Júlia Afonso

Publicado em 

11 out 2022 às 19:42
Número um da lista dos mais procurados do Espírito Santo, Fernando Moraes Pimenta, o Marujo, de 30 anos, tem uma ficha criminal extensa. De acordo com o Conselho Nacional de Justiça, são pelo menos sete mandados de prisão em aberto, desde 2017. Foi após uma denúncia de que ele estaria no Bonfim, em Vitória, nesta segunda-feira (10), que uma ação da polícia acabou com um dos seguranças do traficante morto, o que desencadeou uma série de ataques na Capital nesta terça-feira (11).
Teve ônibus metralhado logo cedo, carro de reportagem incendiado no Bairro da Penha, cinco coletivos em chamas pela Capital e muitos disparos ao longo da manhã, tarde e noite. Todos os episódios, segundo a polícia, foram uma retaliação à morte do segurança de Marujo. Mas, afinal, quem é esse traficante?
De acordo com a Polícia Civil, Marujo é o chefe do tráfico de drogas do Bairro da Penha e Bonfim, na Capital. Ele responde diretamente à cúpula da liderança do Primeiro Comando de Vitória (PCV), facção que comanda a região e se estende a vários bairros – não só na Grande Vitória como no interior do Estado.
Quem é Marujo, traficante pivô de ataques a tiros e incêndios em Vitória
Fernando Moraes Pereira,  o Marujo, procurado pela polícia
Fernando Moraes Pereira, o Marujo, é o número na lista de procurados pela polícia do ES Crédito: Divulgação| Sesp
Como a cúpula da facção está na cadeia, Marujo, que está do lado de fora, põe em prática as ordens dos líderes. As últimas investigações davam conta de que ele estaria escondido no Rio de Janeiro, dentro de áreas comandadas pelo Comando Vermelho (CV), grupo com quem o PCV é aliado.

INFORMAÇÕES DE QUE ELE ESTARIA NA REGIÃO

Na noite desta segunda-feira (10), o serviço de inteligência da Polícia Militar recebeu a informação de que Marujo estaria na escadaria Alexandre Rodrigues, no Bonfim, com seguranças munidos de armas longas, como fuzil e espingarda de calibre 12.
Eles foram até lá averiguar. Ainda conforme o Boletim de Ocorrência, os suspeitos começaram a disparar quando notaram a presença dos policiais e fugiram em seguida.
Jonathan Candida Cardoso, de 26 anos, morreu em um confronto com a Polícia Militar
Jonathan Candida Cardoso, de 26 anos, morreu em um confronto com a Polícia Militar Crédito: Reprodução
Durante a correria e troca de tiros, Jonathan Candida Cardoso, de 26 anos, foi encontrado caído no chão portando uma arma e munições. Ele chegou a ser encaminhado ao hospital, mas não resistiu. O jovem é apontado pela polícia como segurança de Marujo.

FICHA CRIMINAL DE MARUJO

Os mandados de prisão em aberto de Marujo são por diversos crimes: homicídio qualificado, tráfico de drogas, associação ao tráfico, organização criminosa e corrupção de menores.
De acordo com os dados do Portal do Banco Nacional de Monitoramento de Prisões (BNMP), Marujo tem um mandado de prisão expedido em 2017, um em 2019, um em 2020, três em 2021 e um em 2022.

QUIS FAZER CHAMADA DE VÍDEO COM DELEGADO

Uma das últimas "aparições" de Marujo foi em abril deste ano, durante uma operação da Polícia Civil. Enquanto os agentes faziam buscas na casa do pai dele, o traficante teve a ousadia de fazer uma chamada de vídeo com uma tia e pedir para que ela passasse o telefone para o delegado Marcelo Cavalcanti, titular da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
À época, ele disse que o pai poderia passar mal devido à ação. O delegado não quis atender. "A surpresa foi quando um policial me indagou quando estávamos fazendo a busca acerca do Marujo no telefone, uma chamada de vídeo pedindo para falar com o delegado responsável. Logicamente não falamos com ele, não temos nada a falar com ele. Marujo tem que prestar contas à Justiça!", afirmou Cavalcanti, na ocasião.

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