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Polícia prende acusados de estupro coletivo em Guarapari

Polícia prende acusados de estupro coletivo em Guarapari

As prisões ocorreram na manhã desta quinta-feira (1) nas casas dos acusados

Publicado em 1 de março de 2018 às 12:56

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Adenis Pereira de Souza, de 38 anos, e Felipe Marques Fernandes, de 25 anos, foram presos em Guarapari . (Divulgação/PC)

A Polícia Civil apreendeu dois adolescentes e prendeu outros dois homens acusados de terem estuprado e esfaqueado uma jovem de 23 anos no município de Guarapari. As prisões ocorreram na manhã desta quinta-feira (1) no município. O caso aconteceu na Aldeia de Perocão no último dia 17.

Segundo o delegado Tarik Souki, titular da Delegacia de Crimes Contra a Vida (DCCV) de Guarapari, os acusados estavam em casa quando foram presos e apreendidos. Dois deles foram detidos na Aldeia de Perocão e outro na região do Portal Clube. Nenhum deles reagiu.

Adenis Pereira de Souza, de 38 anos, e Felipe Marques Fernandes, de 25 anos, estão presos temporariamente por 30 dias. Nenhum deles foi apresentado pela Polícia Civil. Os adolescentes são de 16 e 17 anos de idade. 

O crime aconteceu no dia 17 deste mês, quando uma jovem de 23 anos saiu da casa da mãe de uma amiga, onde estava hospedada, para usar cocaína, segundo informou a Polícia Civil. De madrugada, próximo a um campo de futebol, a jovem foi estuprada, levou 22 facadas e ainda foi apedrejada na cabeça quase até a morte. Ela ainda está internada em estado grave no Hospital São Lucas, em Vitória.

Segundo as investigações três acusados disseram que a motivação foi uma discussão entre um dos rapazes e a jovem, mas que o sexo teria sido consentido. Um deles, no entanto, afirmou que teve relações com ela após as facadas e pedradas. O quarto acusado negou tudo.

"Eles estavam todos usando drogas, segundo os autores. Eles quiseram ir para um campo de futebol, em um local ermo, e praticaram sexo, segundo eles consensual. Houve uma discussão antes e eles já se conheciam por causa da divisão do uso de drogas, que em um momento faltou", detalhou o delegado. 

Segundo Tarik, um dos adolescentes e outro rapaz tinham a intenção de cometer o crime. "No dia, o Felipe e um dos adolescentes já tinham a intenção de matar ela, porque estavam com uma faca cada um. Eles já haviam premeditado o crime", explicou o delegado. 

Ainda segundo a polícia, os criminosos não são velhos conhecidos, mas tem envolvimento com o tráfico de drogas na região onde ocorreu o crime. "Foi um crime bárbaro e todos responderão por estupro qualificado, tentativa de homicídio qualificado e roubo", disse o delegado. 

De acordo com o delegado, as investigações vão continuar, pois restam provas periciais e testemunhais para serem produzidas. "Estamos coletando diversas provas e representamos pelas prisões e busca e apreensão dos adolescentes de modo que hoje de manhã encontramos os locais que eles residem e prendemos todos", disse.

PEDRAS USADAS NO CRIME 

No local do crime, além da faca, pedras foram encontradas manchadas de sangue. Elas foram jogadas contra a cabeça da vítima, que chegou a ter um osso do antebraço fraturado. Só até a semana passada, a jovem passou por sete cirurgias e continua com diversas lesões pelo corpo. 


A jovem está desempregada e mora em Barra de São Francisco, no Noroeste do Espírito Santo. Ela estava desde o dia 15 de janeiro na casa da mãe de uma amiga, que mora em Guarapari. “Nós viemos passear, mas como acabamos ficando sem dinheiro para voltar acabamos ficando por aqui, com minha mãe”, explicou a amiga da vítima à reportagem, uma dona de casa de 24 anos, que prefere não se identificar. 

INVESTIGAÇÃO

De acordo com o delegado, os suspeitos foram identificados cinco dias depois do crime e foram ouvidos. Segundo Tarik, as investigações estão adiantadas. “Eles não estavam em situação flagrancial e estavam colaborando. Por isso não foram presos na hora", justificou. 

A coleta do material genético foi feita pelos médicos envolvidos na perícia. A perícia deve indicar qual dos envolvidos estuprou a jovem ou se todos praticaram o crime juntos.

Para a amiga, que ainda tenta entender o que aconteceu, houve muita covardia. “Eu fui saber apenas no outro dia de tarde, porque fui à praia e não sabia onde ela estava. Foi uma covardia muito grande. Ela não tinha malícia de revidar em nada. Sempre falei com ela para ter atenção com a violência por aqui”, declarou, chorando.

"ELES AGIRAM COM CRUELDADE", DIZ DELEGADO 

Qual era a relação da vítima com os criminosos?

Ela é do interior do Estado e estava na região de Perocão. Ela foi para uma região que tem intenso tráfico de drogas e era uma usuária. Essa era a relação dela com os suspeitos.

Como aconteceu o crime?

Delegado Tarik Souki, titular da DCCV de Guarapari . (Bernardo Coutinho | Arquivo)

Eles foram naquele dia na intenção de usar drogas, mas já havia a intenção de executar ela, já que um deles estava portando uma faca. Eles disseram que executaram ela depois de uma discussão, mas eles já haviam brigado antes. Ela foi encontrada ferida no início da manhã por uma pessoa que passava e ia trabalhar, que acionou o Samu.

O que os suspeitos dizem?

Três deles confessaram as facadas e as pedradas e disseram que foi por causa de uma discussão entre a jovem e um deles, mas o quarto suspeito diz que não participou do ato. Os que confessam dizem que a relação sexual foi consentida, apesar de um deles dizer que praticou sexo após as facadas que ela levou. Os indivíduos agiram com muita crueldade.

O estupro foi comprovado?

A gente acredita que existiu apesar de declararem que o sexo foi consentido. Ainda é necessário esperar os resultados dos exames. Mas um deles disse que depois das facadas, fez sexo com ela mesmo assim. Só não sabemos ainda se todos praticaram a ação, mas acreditamos que sim.

Como estão as investigações desse caso?

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Estão em estado avançado. A perícia foi feita no local do crime, a faca utilizada na tentativa foi encontrada, assim como a pedra. Todos os envolvidos foram ouvidos. Agora a gente quer saber quem estuprou a vítima. Como ela está internada, esse material genético não foi coletado antes.

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