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Publicado em 18 de outubro de 2022 às 08:07
A reportagem de A Gazeta teve acesso aos depoimentos dos quatros suspeitos pela morte de dois policiais militares, na madrugada do último domingo (16), em Cariacica. O grupo é formado por Eduardo Bonfim Meirelles, Eric da Silva Ferreira, Luana de Jesus Luz e Erica Lopes Ferreira. Sete horas depois dos assassinatos, todos foram capturados pelas autoridades.>
Os soldados Bruno Mayer Ferrani e Paulo Eduardo Oliveira Celini foram mortos após uma perseguição aos quatro suspeitos, que se iniciou na Rodovia Leste-Oeste e seguiu até o bairro Santa Bárbara. Segundo as autoridades, eles foram alvo de tiros em uma emboscada. Os dois foram socorridos e encaminhados ao Hospital Meridional, em Cariacica, mas não resistiram aos ferimentos. >
É possível notar, em alguns trechos, incoerências entre os quatro depoimentos e a versão informada pelas autoridades. Entre os dados que divergem, destacam-se o envolvimento dos quatro integrantes com os assassinatos e o modo como foi a abordagem dos policiais antes do tiroteio. Outro ponto de contradição foi o tempo em que Eduardo e Erica, que namoram, dizem estar juntos, por exemplo. Além disso, outra diferença tem relação se ela estava ou não com uma arma.>
Veja abaixo alguns dos pontos de contradição que envolvem os depoimentos apresentados:>
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Em seu depoimento, Eduardo Bonfim Meireles, que em um vídeo confessou ter atirado nos soldados Ferrani e Celini, disse que foi abordado de forma violenta pelos policiais. Segundo sua versão, após a perseguição, a viatura conseguiu cercá-los, e os soldados abordaram o grupo de armas em punho, realizando um disparo em direção ao Fox branco, onde estavam. Nesse momento, Eduardo disse, durante o interrogatório, que revidou e que o outro militar também atirou.>
Após a troca de tiros, os dois PMs foram atingidos e caíram. Eduardo também relatou que, depois, pegou as armas das vítimas e fugiu. Em fala, disse que sua intenção era de fugir, não matar os policiais. Porém, segundo ele, o resultado foi uma reação à atitude agressiva dos militares. >
Eduardo relatou, no interrogatório, que não sabia se os soldados morreram ou não no local e que estava sob efeito de bebidas alcóolicas durante a ocorrência. >
Conforme informações de entidades da área de Segurança Pública — Polícia Militar, Polícia Civil e Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp) —, em coletiva de imprensa realizada na tarde de domingo (16), Eduardo e a parceira, Erica, teriam chegado ao local do crime antes dos policiais e se escondido atrás de um caminhão.>
Conforme informações de entidades da área de Segurança Pública — Polícia Militar, Polícia Civil e Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp) —, em coletiva de imprensa realizada na tarde de domingo (16), Eduardo e a parceira, Erica, teriam chegado ao local do crime antes dos policiais e se escondido atrás de um caminhão.>
No momento que a dupla de policiais abordou o motorista e carona do Fox branco, Eduardo e Erica teriam saído de trás do veículo e emboscado os PMs, realizando disparos na direção dos dois.>
Erica Lopes Ferreira disse, durante seu depoimento, que estava em um relacionamento com Eduardo há um mês. Durante esse tempo, conhecia o parceiro como “Marcelo” e não sabia o seu verdadeiro nome até o fim da ocorrência. >
Também durante o interrogatório, Erica relatou que estava em um churrasco na casa do pai — Eric, também um dos suspeitos — até que ela e Eduardo discutiram. Ambos estavam retornando para casa, quando avistaram um grupo de quatro pessoas na Rodovia Leste-Oeste e pediram a Eric, que estava conduzindo a todos em um Fox branco, que parasse para ajudá-los.
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Em seguida, falou que ambos, ela e Eduardo, saíram do carro em que estavam para ajudar as pessoas. O parceiro, que estava sob efeito de bebidas alcoólicas, começou a agredir o quarteto, pegou o celular de um deles e a chave do carro, um Fiat Argo.>
Logo após as agressões, uma viatura avistou o ocorrido. Na versão apresentada, Erica contou que ficou nervosa e retornou para o Fox em que Eduardo já estava. Com base em suas palavras, Eduardo mandou que o pai de Erica fugisse. Neste momento, foi dado início à perseguição. Erica também negou que estivesse armada.>
No depoimento de Eduardo, foi informado que o casal se conhecia há três meses, não um. Em momento algum foi dito que Erica não sabia o verdadeiro nome de Eduardo. >
Além disso, segundo informações da polícia, o nome “Marcelo” é do irmão de Eduardo. As informações da polícia também dizem que não é a primeira vez que o criminoso utiliza a identidade falsa.>
Já o quarteto que estava no Fiat Argo disse que perdeu o controle do carro e bateu no meio fio da rodovia. Os criminosos, então, os abordaram oferecendo ajuda, porém, anunciaram o assalto logo em seguida. As vítimas também relataram à polícia que foram atingidas por coronhadas. >
Em coletiva, a polícia no domingo (16) havia informado que uma delas havia sido atingida de raspão por um disparo de arma de fogo.>
Depois de o grupo avistar o Fiat Argo na Leste-Oeste, Eric da Silva Lopes disse, em seu depoimento, que Eduardo apontou uma arma para a sua cabeça e o obrigou a parar o veículo em que estavam. Segundo ele, Eduardo — também conhecido pelo motorista apenas como Marcelo — e Erica saíram do carro e retornaram assim que avistaram a aproximação de uma viatura. >
Após chegarem ao bairro Santa Bárbara, Eric relatou que Eduardo teria ordenado que conduzisse o veículo a um local deserto e com mato. Erica e o parceiro, então, saíram do carro e se esconderam. No depoimento consta que, a partir do momento em que a polícia os alcançou, um tiroteio começou e Eric e Luana, que estavam dentro do Fox branco, abaixaram a cabeça.>
Nas palavras de Eric, ao fim dos disparos, Erica e Eduardo voltaram para o Fox e ordenaram que ele os tirasse do local. Ao chegarem no bairro Padre Gabriel, o casal mandou o motorista e Luana descerem e fugiram com o automóvel.>
Segundo informações do tenente-coronel da PMES Paulo Roberto Schulz Barbosa, tanto o Fox branco — carro utilizado no crime — quanto Eric e Luana foram encontrados nas proximidades do bairro Castelo Branco. Ambos apresentavam atitude suspeita quando foram abordados por soldados da Polícia Militar. >
Schulz também informou que, ao abordarem os criminosos em Santa Bárbara, os soldados Celini e Ferrani foram até o carro do grupo para realizar a abordagem, sem efetuar tiros, sendo, na sequência foram alvejados pelos dois envolvidos que estavam escondidos fora do veículo.>
Em seu relato, Luana de Jesus Luz diz que, após a abordagem do Fiat Argo, Eric foi coagido por Eduardo a fugir dos policiais militares. Além disso, falou que, em um determinado momento, o condutor se perdeu, entrou em uma rua errada e que o Fox branco ficou preso a um tronco. >
Ao verem que a viatura se aproximava, Luana, ainda em seu depoimento, teria pedido a Eduardo e Erica — segundo ela, os autores da abordagem na Rodovia Leste-Oeste —, que se entregassem. O casal saiu do carro e ela e Eric, que permaneceram no Fox, ouviram sons de disparos nas proximidades, seguidos de um silêncio.>
Após os tiros, a dupla retornou ao veículo e Luana disse ter notado que Erica também estava armada e que, com o namorado, renderam ela e Eric. >
Em seguida, após terem sido deixados pelos criminosos em Padre Gabriel, foram encontrados por soldados da PM. Inicialmente, sob orientação de Erica e Eduardo, mentiram, dizendo que haviam sido assaltados. Porém, decidiu falar a verdade e confessou o fato.>
Em seu interrogatório, Eduardo disse que, fora ele, nenhum dos outros três integrantes do Fox branco teve participação ativa no crime. Mas Luana relatou que Erica portava, sim, uma arma.>
Em depoimento que consta no auto, um soldado envolvido com a abordagem que resultou na prisão de Luana e Eric disse que uma das vítimas do Fiat Argo, ao tentar reconhecer os autores do assalto, teria identificado Luana pelas vestimentas. Porém, segundo a mesma vítima, ela e Eric se passaram por reféns de Erica e Eduardo.>
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