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Operação Xampu II

Os veículos comprados por família suspeita de golpe de R$ 500 milhões no ES

Documentos mostram que alguns dos veículos negociados chegavam a R$ 500 mil. Segundo a polícia, familiares compravam carros com cheques sem fundo e vendiam por preços abaixo da tabela de mercado

Publicado em 14 de Dezembro de 2023 às 09:08

Vinicius Zagoto

Publicado em 

14 dez 2023 às 09:08
A família presa na tarde de quarta-feira (13) envolvida em um esquema na compra de veículos de luxo no Espírito Santo chegou a negociar carros de até R$ 500 mil. Os investigados compravam os automóveis de forma parcelada, com cheques sem fundo e, após tomarem a posse dos carros, vendiam os mesmos. Confira o posicionamento das defesas no fim do texto.
Valores dos carros comprados:
  • TOYOTA HILUX 2017                                    R$223.000
  • MERCEDES C300 2018                                R$ 220.000
  • DUSTER 1.6 2019                                         R$72.000
  • JETTA CL 2019                                              R$ 115.000
  • AUDI TT COUPE 2016                                   R$ 256.000
  • TOYOTA COROLLA XEI 2016                       R$ 86.000
  • BMW X1 2016                                                 R$ 150.000
  • AUDI AS 2015                                                 R$ 104.000
  • AMAROK V6 EXTR 2020                                R$ 253.000
  • AUDI RS6 AVANT 560CV 2016                      R$503.000
  • MERCEDES BENZ GLE400 2016                  R$ 300.000
  • CHEVROLET S10 2019 DIESEL                    R$ 148.000
  • CHEVROLET S10 2019 GASOLINA               R$ 59.000
  • FORD RANGER 2017                                     R$ 120.000  
  • HILUX 2017                                                     R$ 201.000
  • FORD KA 2020                                               R$ 64.000
  • HILUX 2020                                                     R$ 200.000
  • FIAT STRADA RANCH 2022                           R$ 130.000
  • TROLLER T4 2013                                          R$ 100.000
Os automóveis eram vendidos abaixo da tabela de preços (Fipe), o que, segundo a polícia, dava vantagem financeira ao grupo. Documentos aos quais a reportagem teve acesso mostram que os suspeitos não registravam os automóveis comprados no nome deles e nem das empresas que eles possuíam.
Os registros eram feitos em nome de terceiros, que, segundo as investigações, faziam a documentação de boa-fé, o que demonstra a ramificação do crime com outras vítimas.
Issac Gabriel Borin Borges, Leonardo Quilqui, Luzildo Adeodato Borges e Cláudia Cristina Borin Borges foram presos na Operação Xampu II
Issac Gabriel Borin Borges, Leonardo Quilqui, Luzildo Adeodato Borges e Cláudia Cristina Borin Borges foram presos na Operação Xampu II Crédito: Pablo Campos

Quem são os presos 

Os investigados foram alvo da Operação Xampu II, deflagrada em Iguape, na zona rural de Guarapari. Foram bloqueados R$ 5 milhões das contas deles e de empresas ligadas ao grupo criminoso pela Justiça. Os presos são:
  1. Isaac Gabriel Borin Borges
  2. Leonardo Quilqui
  3. Luzildo Adeodato Borges
  4. Cláudia Cristina Borin Borges
Os presos foram levados para a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco) e depois para o Departamento Médico Legal (DML) de Vitória para exames de delito. Na manhã desta quinta-feira (14), foi informado que três dos quatro presos foram liberados pela Justiça.
Polícia investiga fraude que pode ter causado R$ 500 milhões em prejuízo no ES
A investigação sobre o caso começou em setembro, quando foram apreendidos pela polícia R$62 milhões em cheques e R$11 mil em dinheiro Crédito: Polícia Civil

Investimento em empresa de cosméticos 

Durante a investigação foi descoberto que parte do dinheiro era investido em uma empresa da família do ramo de cosméticos (DNA Cosméticos, de Guarapari). O valor do maquinário industrial utilizado para produção dos produtos foi avaliado em R$ 50 milhões, que é de propriedade da mulher denunciada. Além do investimento, o documento aponta que os suspeitos também usavam de outro empreendimento familiar para realizar lavagem de dinheiro.
A investigação do caso começou em setembro, quando foram apreendidos R$ 62 milhões em cheques, R$ 11 mil em dinheiro, além de armas, notas promissórias e aparelhos eletrônicos na casa de seis pessoas.
Além disso, R$ 7 milhões em veículos tinham sido bloqueados pela Justiça para o ressarcimento das vítimas. Na época, nenhum suspeito de envolvimento foi preso.

Nota da defesa de Luzildo, Isaac e Cláudia

"1. O Tribunal de Justiça do Espírito Santo revogou as prisões menos de 18h após sua ocorrência, diante dos excessos e abusos da operação policial. Isso já fala por si sobre as ilegalidades cometidas, incompatíveis com o devido processo legal e o Estado de Direito. 

 2. O mesmo Delegado já havia pedido as prisões na 1ª fase da investigação e não conseguiu êxito com o juiz de Direito, que indeferiu esses pedidos. Esse magistrado é o juiz vinculado para julgar todos os atos referentes à essa investigação, como manda a legislação. 

 3. Causa perplexidade que agora, na 2ª fase da mesma investigação com o mesmo nome, o Delegado afronte a legislação e o juiz natural já vinculado, para que outro juiz recebesse os mesmos pedidos de prisão, em nova distribuição dos autos, e decretasse as prisões que antes lhe foram indeferidas. 

 4. A má-fé do Delegado induziu a erro o novo magistrado, ocultando-lhe a decisão anterior do colega já vinculado, sendo caso de Corregedoria e crime de abuso de autoridade. 

 5. Por fim, salta aos olhos que a retórica policial não tem base na realidade, inventando números e narrativas extraídas de redes sociais para produzir sensacionalismo e execração pública dos investigados, que sempre colaboraram com as apurações, têm residência fixa, trabalho reconhecido e nenhum antecedente criminal. 

 Dr. Jardel Sabino de Deus"

O advogado de Leonardo, por sua vez, disse que o processo segue em segredo de Justiça e não pode dar detalhes sobre o caso.

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