Após casos de ataques a ônibus, tiroteios e mortes na Serra, decorrentes da guerra entre facções rivais do tráfico de drogas, a Polícia Civil realizou, nesta sexta-feira (3), a Operação Carapebus. A ação teve como objetivo cumprir nove mandados de busca e apreensão e um de prisão nos bairros Balneário de Carapebus, Praia de Carapebus e Lagoa de Carapebus.
Duas pessoas foram presas: um homem de 26 anos, que confirmou que estava guardando armas para uma facção, e um de 28 anos. O primeiro será autuado em flagrante por tráfico de drogas, porte ilegal de armas e por integrar organização criminosa; o outro vai responder por porte ilegal de arma de fogo. Os nomes dos suspeitos não foram divulgados. Além das capturas, a Polícia Civil apreendeu cinco armas, uma arma falsa, drogas e rádios comunicadores.
Além de cumprir as ordens judiciais, a operação buscava coletar informações para aprofundar o conhecimento sobre a área controlada pela facção criminosa, o que pode auxiliar futuras investigações e ações de enfrentamento ao crime organizado.
"Nossa inteligência identificou residências que estão sendo usadas por criminosos para guardar armamentos e drogas. Os detidos são faccionados, somente um deles estava guardando quatro armas de fogo, que seriam distribuídas para os comparsas promoverem esses ataques na região. Vamos fazer perícia e comparação balística (nas armas) com os homicídios que ocorreram e voltaremos aqui na região se necessário for", destacou o delegado Tarcísio Otoni, da Delegacia Especializada de Narcóticos (Denarc).
Participaram da ação cerca de 50 policiais civis das Delegacias de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), de Homicídios e Proteção à Mulher (DHPM), do Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic) e do Centro de Inteligência e Análise Telemática (Ciat), além do apoio aéreo do Núcleo de Operações e Transporte Aéreo (Notaer).
Operação Carapebus, na Serra, mira suspeitos de ataques a ônibus e tiroteios
Cronologia dos ataques e mortes em Balneário de Carapebus
- No dia 22 de agosto, bandidos armados com pistolas e até fuzil chegaram atirando perto de um bar e atingiram dois homens na calçada. Dionata Firmino de Paula, de 28 anos, foi socorrido, mas morreu a caminho do hospital. Um jovem de 20 anos também foi baleado, mas sobreviveu.
- No dia 25 de agosto, a pequena Alice Rodrigues, de 6 anos, morreu após ser baleada dentro do carro em que estava com a família. Um olheiro do tráfico achou que o veículo era de rivais, e traficantes abriram fogo. No automóvel estavam o pai, que levou um tiro de raspão, e a mãe da menina, que estava grávida.
- No dia 28 de agosto, a polícia apontou 12 pessoas envolvidas no ataque que matou a pequena Alice.
- Em 12 de setembro, Diego Clemente Barcelos Costa, de 30 anos, foi morto a tiros no meio da rua. Um adolescente de 15 anos estava perto dele e também acabou atingido.
- No dia 14 de setembro, um homem e uma mulher ficaram feridos durante um tiroteio. Moradores relataram ter ouvido uma sequência intensa de disparos, mais de 30, na Travessa do Cravo e ruas próximas.
- Na madrugada de 29 de setembro, dois homens morreram e um adolescente de 14 anos ficou ferido em um ataque a tiros dentro uma casa. Os bandidos invadiram o local se passando por policiais e abriram fogo. Depois, fugiram.
- Em 21 de setembro, um homem de 33 anos foi baleado durante uma emboscada. Bandidos se esconderam em um carro que estava estacionado e dispararam quando o alvo passou. O veículo, que era de um morador, ficou fuzilado. Por conta disso, ônibus chegaram a ficar sem circular na região atá a manhã do dia seguinte.
O que está por trás desses ataques?
Na época da morte da pequena Alice, o secretário de Estado da Segurança Pública e Defesa Social, Leonardo Damasceno, explicou que o ataque partiu do Primeiro Comando de Vitória (PCV) e tinha como alvo integrantes do Terceiro Comando Puro (TCP).
"Um olheiro estava procurando um carro que seria usado por traficantes do TCP. O olheiro identificou errado o carro da família e acabou vitimando a Alice. Esses ataques começaram no sábado em Lagoa de Carapebus, depois em Balneário de Carapebus, e no domingo tentaram de novo", detalhou.
O secretário pontuou que a disputa entre as facções é motivada pelo controle de áreas estratégicas para o tráfico: “Esse domínio territorial é fundamental para eles (traficantes). Eles estão tentando dominar pontos de drogas. Enquanto tivermos consumo de drogas, as pessoas forem comprando, gerando demanda, essa disputa continua ocorrendo”.