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O que Petrix fez no BBB é considerado assédio sexual?

Pela lei, Petrix pode ser preso pelo crime de importunação sexual. Até pouco tempo, este tipo de conduta não levava à prisão, apenas ao pagamento de multa

Publicado em 08 de Fevereiro de 2020 às 11:09

Redação de A Gazeta

Publicado em 

08 fev 2020 às 11:09
Petrix e Bianca Andrade (Boca Rosa) na primeira festa do BBB20 Crédito: Reprodução | Redes sociais
O ginasta e ex-BBB Petrix Barbosa foi eliminado do Big Brother Brasil 20 na última terça-feira (04), envolvido em diversas polêmicas. Entra elas, a acusação, por parte do público, de assediar sexualmente mulheres dentro da casa do reality show.
O comportamento do jovem, que encostou e sacudiu os seios de uma das participantes, levou a Delegacia Especial de Atendimento à Mulher de Jacarepaguá, na zona oeste do Rio, a abrir uma investigação. Petrix foi intimado a prestar depoimento e compareceu à delegacia na tarde desta sexta-feira (07). 
Petrix compareceu à delegacia para prestar depoimento Crédito: Rede Globo/ Reprodução
Mas ao contrário do que foi denunciado pelo público, Petrix não será investigado por assédio, mas por importunação sexual. A diferença vai muito além do nome e tem características e penas diferenciadas.
Até pouco tempo, passar a mão em uma mulher, esfregar os órgãos sexuais nela ou roubar um beijo não eram considerados crimes. Qualquer pessoa que praticasse um ato destes, e fosse denunciada, poderia pagar uma multa, mas não seria presa. Em setembro de 2018, porém, a lei mudou. Atitudes que antes eram consideradas apenas ofensivas, ou atentados ao pudor, viraram crimes por meio da criação da lei de importunação sexual.
"Com esta nova tipificação penal a lei torna crime casos como homens que se masturbam e ejaculam em mulheres em ônibus e metrôs, homens que durante festas e blocos de carnaval, por exemplo, passam a mão nas partes íntimas e seios das mulheres. Condutas que são repugnantes, ferem a dignidade sexual da mulher e devem ser punidas com rigor."
Cláudia Dematté - Chefe da Divisão Especializada de Atendimento à Mulher

IMPORTUNAÇÃO SEXUAL

De acordo com a Lei 13.718, importunação sexual é qualquer ato praticado contra alguém, sem consentimento, que tenha como objetivo satisfazer vontades sexuais. Neste caso se enquadram: passar a mão, tocar partes íntimas, roubar beijos, filmar partes íntimas, se masturbar na frente de alguém sem consentimento.
Só em 2019 foram registradas 53 denúncias de importunação sexual no Espírito Santo. De acordo com a delegada Cláudia Dematté, o crime é grave, e uma pessoa que é investigada por importunação sexual, como é o caso do ginasta Petrix, se condenado, pode pegar de um a cinco anos de prisão, em regime aberto, semiaberto ou fechado. 
"Infelizmente este tipo de contuda ainda é praticado, principalmente por homens em desfavor de mulheres, em festas. Hoje, a importunação sexual é crime e o autor pode ser preso em flagrante"
Cláudia Dematté - Chefe da Divisão Especializada de Atendimento à Mulher

ASSÉDIO SEXUAL

O assédio sexual é caracterizado pelo constrangimento da vítima por meio de um ato de cunho sexual. Apesar do público ter acusado Petrix de assédio, pela lei, o crime não foi praticado pelo ginasta. Isso porque, para ser caracterizado como assédio, dois fatores são essenciais:  

1- Relação hierárquica ou ascendência entre as pessoas envolvidas

2- Intenção de obter vantagem ou favorecimento sexual


O crime de assédio é mais comum no ambiente de trabalho e independe de contato físico, ou seja, pode ser cometido por meio de mensagens, comentários ou mesmo gestos. Um exemplo é de um chefe que, usando de sua posição superior, canta um funcionário com objetivo de obter favores sexuais. A pena para este tipo de crime é de um a dois anos de prisão, que geralmente são cumpridos, inicialmente, em regime semiaberto.
Apesar de pela lei serem diferentes, tanto o assédio quanto a importunação sexual são crimes e devem ser denunciados. Apesar disto, não dependem de representação da vítima. No caso de Petrix, a polícia já ouviu o ginasta e aguarda os depoimentos das participantes envolvidas no processo. 
"É importante agirmos e, juntos desconstruirmos esses valores e condutas machistas, para que as mulheres tenham seus corpos, sua dignidade e liberdade sexual respeitadas"
Claudia Dematté - Chefe da Divisão Especializada de Atendimento à Mulher

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