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Polícia

Nova facção entra na disputa pelo tráfico e causa terror em Andorinhas

Um dos grupos, com traficantes que atuam em Itararé e Morro do Macaco, conta com o apoio e a força do armamento do Primeiro Comando da Capital, o PCV. Do outro lado, um novo bando se forma como resistência: o Terceiro Comando Puro, o TCP.

Publicado em 20 de Setembro de 2019 às 20:07

Glacieri Carraretto

Publicado em 

20 set 2019 às 20:07
Uma guerra entre facções vem deixando os moradores no meio do fogo cruzado nos bairros de Andorinhas e Itararé, em Vitória. Um dos grupos, com traficantes que atuam em Itararé e Morro do Macaco, conta com o apoio e a força do armamento do Primeiro Comando da Capital, o PCV. Do outro lado, um novo bando se forma como resistência: o Terceiro Comando Puro, o TCP.
O PCV é uma organização criminosa mantida pelo tráfico de drogas que domina todo o Complexo da Penha. Entre os bairros compreendidos nessa área estão o Bairro da Penha, Gurigica, São Benedito, Bonfim e Itararé. Atualmente, o gerenciamento do PCV está nas mãos de Fernando Moraes Pimenta, o Marujo, que está foragido, e recebe ordens de Carlos Alberto Furtado da Silva, o Beto, preso no Presídio de Segurança Máxima II.
Marujo oferece apoio aos chefes do tráfico de Itararé e do Morro do Macaco, os chamados “Irmãos Vera”, que fazem o comércio de drogas loca. No outro lado dessa briga, está o grupo chamado de Terceiro Comando Puro (TCP), que surgiu em Andorinhas após um racha dentro da facção local.
“A disputa não é por um ponto de venda em si, mas sim pela resistência. Andorinhas não se alinha com o comando do PCV, não aceita as ordens”, explica o Tenente Almeida, comandante da Força Tática do 1º Batalhão de Vitória.
CONFRONTOS
Desde domingo (15), foram três tiroteios. O mais recente deles foi na noite de quinta-feira (21), quando o bando de Itararé e Morro do Macaco, com cerca de 15 pessoas fortemente armadas, foram para a região de Andorinhas para dar um ataque.
O local é chamado de Mangue Seco, conhecido como ponto de comércio de drogas, mas se depararam com uma equipe da Força Tática da Polícia Militar realizando patrulhamento de rotina.
Foram cerca de cinco minutos de troca de tiros intenso que foram se espaçando depois da chegada do reforço da Polícia Militar. “Sai do meu quarto e fui para o corredor de casa. Era muito barulho de tiros. Meus filhos ficaram no quarto ao lado, todos esperando parar os tiros. Apareceu muita polícia depois dos tiros, mas normalmente não é isso que acontece”, disse uma moradora da região que não quer ser identificada.
"Pela quantidade de cápsulas que foram recolhidas no pós-confronto e pela quantidade de indivíduos, aconteceria uma chacina se não fosse a ação da PM. Até porque os dois suspeitos presos confessaram que estavam indo fazer um ataque", afirmou o tenente Almeida.
PRISÕES
Com a chegada de mais policiais, os integrantes do grupo se separam na fuga. Foram presos dois suspeitos: Gabriel dos Santos Rocha, 18 anos, e João Vitor Gomes, 19. Eles foram detidos sem armas e levados para o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
Os dois foram autuados em flagrante por tentativa de homicídio duplamente qualificado por motivo fútil e contra agentes de segurança pública no exercício da função. Eles foram encaminhados para o Centro de Triagem de Viana (CTV), segundo informações da Polícia Civil. A assessoria de imprensa da corporação não informou se há investigações acerca dos tiroteios ou tráfico na região.
ATAQUES
No domingo, os tiros foram na Pracinha do Bairro Itararé, onde duas pessoas foram baleadas. Na terça-feira, houve um contra-ataque à noite, em Mangue Seco, Andorinhas.
“A gente não tem sossego pra dormir, pra sair de casa à noite. Nem carro de aplicativo a gente pode pedir pois eles não entram aqui depois das 18 horas devido ao tráfico de drogas, por medo”, lamentou uma moradora.
Inúmeras casas da rua da orla, onde fica o Mangue Seco, tem marcas de tiros em janelas ou paredes. No confronto recente, um disparo também atingiu a casa de uma moradora em Barro Vermelho.
POLÍCIA REFORÇADA
A Polícia Militar está realizando operações de saturação em toda a região. “Temos uma viatura fixa na pracinha do Itararé e outra fixa no Mangue Seco. Fora isso, contamos com o as viaturas do patrulhamento ordinário, mais a Força Tática, o grupo da Companhia com Cães, mais a equipe da Cimesp atendendo a toda a região”, elencou o tenente Almeida.

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