Mistério envolve morte de criança de quatro anos em Cariacica

Polícia Militar afirma que médicos disseram, após realizar exames, que a menina apresentava sinais de agressão física e sexual; delegado que teve acesso ao laudo do Departamento Médico Legal (DML), diz que perícia não constatou nenhuma marca de violência

Uma criança chegou já morta e com sinais de violência sexual no PA de Alto Lage, em Cariacica. Crédito: Fernando Madeira
Uma criança chegou já morta e com sinais de violência sexual no PA de Alto Lage, em Cariacica. Crédito: Fernando Madeira

Uma menina de quatro anos foi levada, já sem vida, para o Pronto Atendimento (PA) de Alto Lage, em Cariacica, na manhã desta quinta-feira (7) — mas o que não se sabe ainda e que virou um grande mistério é a causa da morte e as condições em que ela chegou no local.

O Instituto de Gestão, Inovação e Saúde (IGIS), responsável pelo PA de Alto Lage,  se manifestou por nota informando que "a menina de 4 anos deu entrada no Pronto Atendimento às 9h desta quinta-feira (07), já com parada cardiorrespiratória. A equipe seguiu o protocolo de reanimação e não houve êxito. Sendo constatado óbito, o corpo foi encaminhado para o IML. Durante a avaliação, a equipe médica constatou que a criança apresentava hematomas e sinais de violência. Por esse motivo, o PA acionou a Polícia Militar e o Conselho Tutelar".

Já a Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas) informou, também por nota, que "o Conselho Tutelar está ciente do caso. Na tarde desta quinta-feira (07) serão formalizadas denúncias na Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) e na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP)".

Por sua vez, a Polícia Militar disse que "no final da manhã de hoje (07), policiais militares foram acionados pelo Pronto Atendimento de Alto Laje, em Cariacica, pois havia dado entrada no local uma criança de quatro anos sem vida com marcas de agressão. Após alguns exames, constatou-se que a criança havia sido estuprada".

As investigações se iniciaram logo após o fato, pela equipe do plantão do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).  Familiares da vítima foram encaminhados ao DHPP, ouvidos e liberados.

O corpo da vítima foi encaminhado para o Departamento Médico Legal (DML) de Vitória. A análise inicial não identificou marca de qualquer tipo de agressão, nem física e nem sexual no corpo da criança, segundo o delegado Filipe Pimentel, que teve acesso ao laudo cadavérico feito pelo DML. Foram coletadas amostras que serão encaminhadas para uma análise mais aprofundada. O prazo para a conclusão do laudo cadavérico é de 30 dias.  Diante disso, o delegado acrescentou que, até o momento, não é possível afirmar se houve crime e ninguém foi detido.

"O prontuário médico avaliou e disse que tinham sinais, mas o exame da perícia não constatou nenhuma marca na criança", disse. Questionado sobre a causa da morte, Pimentel destacou que ainda não é possível afirmar qual foi. "Até o momento a causa é indeterminada", concluiu.

O delegado destacou ainda que em depoimento a família relatou que a criança estava dormindo. "Eles disseram que a menina estava dormindo e quando foram verificar ela já estava com o corpo mole", completou Pimentel.

Após a declaração do delegado, a reportagem de A Gazeta voltou a entrar em contato com a Polícia Militar e com a Prefeitura de Cariacica. A PM reforçou que "as informações que constam no boletim do Ciodes é de que após uma análise da equipe médica, constatou-se que a criança havia sofrido abuso sexual, no entanto não foi constatada a presença de sêmen na vítima. A perícia da Polícia Civil foi acionada para ir ao PA e verificar realmente o que havia acontecido com a menina".

Já a Prefeitura de Cariacica reforçou o posicionamento da equipe médica que acionou a polícia no final da manhã desta quinta-feira (07). "Conforme nota, 'durante a avaliação, a equipe médica constatou que a criança apresentava hematomas e sinais de violência', logo, seguiu o protocolo de acionar a Polícia Militar e Conselho Tutelar". 

O caso segue sob investigação da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Mulher (DHPM) da Polícia Civil. 

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