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Golpistas usam contas em nome de "laranjas" para driblar polícia

Polícia explica que as contas geralmente são encerradas após o golpe. A comunicação errada de crime também dificulta o trabalho da polícia

Publicado em 01/11/2018 às 21h48
Atualizado em 05/02/2020 às 12h21
Delegado Fabiano Rosa, da Delegacia Patrimonial. Crédito: Fernando Madeira
Delegado Fabiano Rosa, da Delegacia Patrimonial. Crédito: Fernando Madeira

Cair em um golpe é, na maioria das vezes, nunca mais reaver o dinheiro perdido para os criminosos. Seja no golpe do “falso sequestro” ou do “bilhete premiado”, os golpistas utilizam o uso do nome de pessoas que nada tem a ver com a situação, os chamados “laranjas”, para receber o dinheiro da vítima e cancelam a conta após retirar o valor.

Essa estratégia dificulta a linha de investigação da polícia para rastrear o valor tomado da vítima. “Não é fácil chegar ao dinheiro pois, na maioria das vezes, a conta é de um ‘laranja’. Após o depósito bancário, o dinheiro é retirado e a conta encerrada. Quando chegamos os autores conseguimos recuperar joias e pertences, mas dinheiro é mais complicado, mas não impossível”, explicou o delegado chefe da Divisão de Repressão a Crimes Contra o Patrimônio, Fabiano Rosa.

Esta semana dois casos do golpe do “falso sequestro” chamaram atenção nos noticiários. Em deles foi na madrugada de quarta-feira, em Vila Velha, onde uma médica pediatra perdeu R$ 4 mil para criminosos que simulavam estar com a filha dela. Já na terça-feira, uma aposentada de 85 anos, moradora de Jardim da Penha, em Vitória, transferiu para contas de bandidos R$ 98 mil em dinheiro e entregou joias avaliadas em R$ 200 mil para supostamente salvar a filha refém de bandidos, sequestro que também nunca existiu.

Os dois casos foram encaminhados para a Delegacia Especializada de Falsificações e defraudações (Defa), que integra a Divisão de Repressão a Crimes Contra o Patrimônio (DRCCP). Valores como o da aposentada não são comuns, como aponta o delegado Fabiano Rosa. “Em regra, os golpes são de valores menores, de R$ 3 mil a R$ 5 mil, quantias que podem ser sacadas ou mesmo transferência em caixas eletrônicos”, observou.

DIVISÃO

De acordo com o delegado, como são crimes praticados por quadrilhas especializadas, o valor que recebem são divididos. “São quadrilhas, ou seja, mais de uma pessoa participa desses golpes, não apenas aquele indivíduo que lida com a vítima diretamente. Assim que o conseguem concretizar o crime, os integrantes do bando dividem os valores”, pontua.

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Outro caso que dificulta a apuração da polícia é a comunicação errada do crime. "O 'falso sequestro' é uma extorsão, fica com uma equipe de policiais especializada nesse tipo de delito, gastam tempo e estrutura para lidar com essa linha de investigação. Mas, é muito comum no meio da investigação descobrir que se tratava de um golpe como o ‘bilhete premiado’, que é um estelionato, que poderia ter sido investigado por uma equipe policial dessa área. Há uma perda de tempo que prejudica todo o trabalho”, explicou Rosa.

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