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Entenda o que está por trás da operação no Complexo da Penha

Ordens de ataques a rivais, assassinatos e assaltos. Facção criminosa do Complexo da Penha controla tráfico de drogas e aterroriza moradores onde atua

Publicado em 02/10/2019 às 16h54
Vaninho (esquerda) e Marujo são os mais procurados do PCV. Crédito: Divulgação/PCES
Vaninho (esquerda) e Marujo são os mais procurados do PCV. Crédito: Divulgação/PCES

A megaoperação Leviatã II realizada na manhã desta quarta-feira (02) no Complexo da Penha, em Vitória, tem como alvos dois dos criminosos mais procurados do Estado: Fernando Moraes Pereira, o Marujo, de 26 anos, e Geovani Andrade Bento, o Vaninho, 24 anos. A dupla faz parte da liderança do Primeiro Comando de Vitória (PCV).

De acordo com a polícia, o PCV é liderado por Carlos Alberto Furtado da Silva, o Beto, que está preso na Penitenciária de Segurança Máxima II, em Viana. Detido desde 2013, Beto lidera a organização que domina o Complexo da Penha.

As investigações apontam que Marujo e Vaninho ordenam ataques e assassinatos a integrantes de facções rivais e crimes contra o patrimônio como assaltos e arrombamentos na Grande Vitória. Além deles, há mandados de prisão expedidos para pelo menos outros 21 comparsas que integram o PCV.

TREM BALA

Braço armado do PCV, o Trem Bala é formado por um grupo de bandidos da facção que usa o poder do fuzil para matar quem cria obstáculos a seus interesses, inclusive inocentes. Segundo investigações da polícia, o PCV começou a se instalar no Complexo da Penha, em 2010, sob as orientações de integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), organização criminosa paulista.

A expansão é promovida pelo Trem Bala. Na ampliação das bocas de fumo, são eles os responsáveis pelos homicídios. Tomam o território, chamam os expulsos para trabalhar junto e, se estes não aceitam, os matam. Já o PCV é responsável pelo gerenciamento das drogas. O PCV compra as drogas e faz a distribuição no Estado, – incluindo para os morros –, e as vende.

LÍDERES

Marujo e Vaninho são apontados como responsáveis pelo ataque a uma empresa que fornece alimentos para os presídios, em Cariacica, em fevereiro; a um coletivo, incendiado em Nova Almeida, na Serra; e ao veículo incendiado da reportagem de uma rede de televisão, no dia da operação Leviatã I, em junho deste ano; além do incêndio a residências no morro da Piedade, em junho.

Polícia Civil realiza operação no Bairro da Penha, em Vitória. Crédito: Caíque Verli
Polícia Civil realiza operação no Bairro da Penha, em Vitória. Crédito: Caíque Verli

COMPARSAS

Alan Rosário de Oliveira, 30 anos, Rafael Batista Lemos, o Boladão, 25 anos, e Carlos Magno Pereira Teixeira, 35 anos, também atuam na facção criminosa que controla o tráfico de drogas nos bairros da Penha, Itararé, Bonfim, Gurigica , São Benedito e Consolação.

Segundo a polícia, Alan é o principal executor dos ataques promovidos no bairro Piedade. Ele foi indiciado nas investigações que apuraram os assassinatos de Walace de Jesus Santana, em 10 de junho de 2018, e os irmãos Damião Marcos Reis e Ruan Reis no dia 25 de março de 2018. Junto dele, Boladão é apontado pela polícia como um dos líderes dos ataques promovidos na Piedade e no Morro do Moscoso.

Integrante do Primeiro Comando da Capital, ele é também acusado de participação nas mortes dos irmãos Ruan e Damião. Segundo a polícia, Rafael também teve envolvimento no triplo homicídio registrado no Morro do Moscoso, em janeiro de 2019.

Casa da família Ferreira, que tomava conta do Morro da Piedade, em Vitória, após o incêndio causado por bandidos do PCV. Crédito: Fernando Madeira
Casa da família Ferreira, que tomava conta do Morro da Piedade, em Vitória, após o incêndio causado por bandidos do PCV. Crédito: Fernando Madeira

Além disso, é apontado pelo ataque na Piedade que aconteceu no último dia 19, quando criminosos atearam fogo na casa da mãe de Paulo Ricardo Ferreira Dias, irmão de João Ferreira Dias, o JP.

IMOBILIÁRIA

Importante na cadeia de comando do PCV, outra procurada pela polícia é Jennifer Correia Serafim, 26 anos. Ela é responsável pela administração de uma imobiliária que negocia gratuitamente imóveis a moradores do Complexo da Penha. Em troca, os inquilinos devem armazenar drogas e armas que pertencem à facção criminosa.

De acordo com as apurações, Jennifer determina quem ocupa os imóveis, o tipo de material que o inquilino vai armazenar e por qual período. Quem concorda com o contrato, não precisa pagar o aluguel. O morador que desrespeita as determinações da organização pode sofrer punições como advertências e até a expulsão do bairro.

Contra ela, há mandado de prisão preventiva expedido no dia 3 de dezembro de 2018 por organização criminosa e tráfico de drogas. O processo tramita em segredo de Justiça na 6ª Vara Criminal de Vitória.

TRÁFICO NA SERRA

Com sede no Complexo da Penha, as investigações da polícia indicam que o Primeiro Comando de Vitória (PCV) também opera o tráfico de drogas na Serra. Membros da facção criminosa são investigados por envolvimento nas mortes de Marlon Martins da Silva, 28 anos, e Gustavo Salles Siqueira, 16 anos, em abril deste ano no bairro das Laranjeiras, na Grande Jacaraípe, na Serra.

A 2ª fase da Operação Leviatã visa cumprir mandados de prisão temporária e mandados de busca e apreensão nos municípios de Vitória e Serra. A primeira fase aconteceu em junho e resultou em sete suspeitos detidos e um adolescente apreendido, cerca de 50kg de entorpecentes, sete armas - entre elas, um fuzil calibre 556, 855 munições, 14 balanças de precisão, 66 aparelhos celulares, 04 bombas de fabricação caseira e R$2.375, em espécie.

A operação faz referencia ao livro Leviatã, do filósofo político Thomas Hobbes. De acordo com ele, só existe um poder constituído, o Estado. E esse poder constituído deve se opor a qualquer outro que venha tentar se estabelecer.

OPERAÇÃO LEVIATÃ - 0S PROCURADOS

Rafael Batista Lemos, o Boladão. Crédito: Divulgação/PCES
Rafael Batista Lemos, o Boladão. Crédito: Divulgação/PCES
Geovani Andrade Bento, o Vaninho. Crédito: Divulgação/PCES
Geovani Andrade Bento, o Vaninho. Crédito: Divulgação/PCES
Rhamon Brendo Nascimento Araújo, o Niquinho. Crédito: Divulgação/PCES
Rhamon Brendo Nascimento Araújo, o Niquinho. Crédito: Divulgação/PCES
Laion da Silva Oliveira. Crédito: Divulgação/PCES
Laion da Silva Oliveira. Crédito: Divulgação/PCES
Paulo César de Oliveira. Crédito: Divulgação/PCES
Paulo César de Oliveira. Crédito: Divulgação/PCES
Ivan Machado Clicério, o Nego Ivan. Crédito: Divulgação/PCES
Ivan Machado Clicério, o Nego Ivan. Crédito: Divulgação/PCES
Italo da Costa Santos Sabino. Crédito: Divulgação/PCES
Italo da Costa Santos Sabino. Crédito: Divulgação/PCES
Helton Pontia Machado, o Cara de Mulher. Crédito: Divulgação/PCES
Helton Pontia Machado, o Cara de Mulher. Crédito: Divulgação/PCES
Gabriel Nascimento de Oliveira. Crédito: Divulgação/PCES
Gabriel Nascimento de Oliveira. Crédito: Divulgação/PCES
Jennifer Correia Serafim. Crédito: Divulgação/PCES
Jennifer Correia Serafim. Crédito: Divulgação/PCES
Carlos Edifranklin Alves de Oliveira. Crédito: Divulgação/PCES
Carlos Edifranklin Alves de Oliveira. Crédito: Divulgação/PCES
Felipe de Oliveira Simões. Crédito: Divulgação/PCES
Felipe de Oliveira Simões. Crédito: Divulgação/PCES
Fernando da Costa Tavares, o Aratu. Crédito: Divulgação/PCES
Fernando da Costa Tavares, o Aratu. Crédito: Divulgação/PCES
Diego Nascimento Rosa. Crédito: Divulgação/PCES
Diego Nascimento Rosa. Crédito: Divulgação/PCES
Fernando Moraes Pereira Pimenta, o Marujo. Crédito: Divulgação/PCES
Fernando Moraes Pereira Pimenta, o Marujo. Crédito: Divulgação/PCES
Carlos Magno Pereira Teixeira. Crédito: Divulgação/PCES
Carlos Magno Pereira Teixeira. Crédito: Divulgação/PCES
Carlos André Mendonça de Jesus, o André Capeta. Crédito: Divulgação/PCES
Carlos André Mendonça de Jesus, o André Capeta. Crédito: Divulgação/PCES
Alan Rosário Oliveira, o Gordinho. Crédito: Divulgação/PCES
Alan Rosário Oliveira, o Gordinho. Crédito: Divulgação/PCES
André de Andrade, o Dedé. Crédito: Divulgação/PCES
André de Andrade, o Dedé. Crédito: Divulgação/PCES
Bruno Trindade da Silva. Crédito: Divulgação/PCES
Bruno Trindade da Silva. Crédito: Divulgação/PCES

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