"Ele chegou lá e executou as duas. Esse homem é um psicopata. Não pode estar com uma arma e nem nas ruas. Eu quero justiça." Essa foi a declaração da irmã da vendedora autônoma Francisca Chaguiana Dias Viana, 31 anos, morta a tiros junto da companheira, Daniele Toneto, pelo cabo da Polícia Militar Luiz Gustavo Xavier do Vale, na quarta-feira (8), em Cariacica.
A irmã, que não quis ser identificada, esteve no Instituto Médico Legal (IML) de Vitória na quinta-feira (9) para reconhecer o corpo de Francisca e fazer a liberação. Segundo ela, a família é do Maranhão, mas ela e Francisca moravam no Espírito Santo.
A forma como ela morreu foi horrível. Ninguém merece. Até porque não a vi reagindo
O enterro de Francisca ocorreu no cemitério Jardim da Saudade, em Cariacica, na manhã desta sexta-feira (10). Emocionada, a irmã da vendedora acompanhou a despedida. Por causa da distância, os pais de Francisca não conseguiram viajar. Daniele, companheira de Francisca, foi sepultada na quinta-feira (9).
Francisca e Daniele foram mortas no bairro Cruzeiro do Sul pelo cabo Luiz Gustavo Xavier do Vale, depois de uma confusão envolvendo a ex-esposa do militar, que mora no mesmo prédio onde vivia o casal. Foi a ex-mulher do policial que acionou o policial, avisando do desentendimento.
Segundo a família da vendedora autônoma assassinada, Francisca e Daniele eram companheiras há sete anos e planejavam adotar uma criança.
Discussão teria começado por ar-condicionado
A ex-esposa do policial e as duas vítimas já tinham histórico de desentendimentos. Na quarta-feira, segundo apuração da TV Gazeta, a discussão teria começado por causa de um ar-condicionado.
A mulher relatou ainda que as vizinhas teriam ofendido seu filho autista, de 8 anos, o que a levou a ligar para o ex-marido. Ela admitiu que desceu com uma faca durante a confusão. "Quando desci com a faca, elas me jogaram contra a parede, me agrediram e começaram a me bater", afirmou. Ela não quis se identificar.
Uma testemunha confirmou o que mostram imagens de câmeras de segurança (veja acima). “Ele já chegou com a arma em punho, subiu e atirou nas meninas na calçada”, disse, também sem se identificar. “Não é porque ele é policial que poderia agir assim. Tirou a vida de duas mulheres. Poderia ter resolvido de outra forma. No bairro, todos veem isso como abuso.”
Cabo estava afastado das atividades na rua
Embora estivesse de serviço como guarda em uma Companhia da PM, o cabo não poderia estar atuando na rua. Ele foi afastado do patrulhamento ostensivo depois de se envolver na morte da mulher trans Lara Croft, em junho de 2022, também em Cariacica. Mesmo assim, ele foi fardado e armado, junto de colegas, para Cruzeiro do Sul após receber a ligação da ex-esposa.
Policial foi detido e pode ser demitido
Após o assassinato do casal na quarta-feira, o cabo foi detido e levado para o Quartel da Polícia Militar, onde permanece preso. Segundo apuração da TV Gazeta, ele e a ex-esposa foram ouvidos pela Corregedoria da PM.
Em entrevista coletiva, o coronel Ríodo Rubim afirmou que o caso será investigado e que Luiz pode ser demitido. "Em até 24 horas nós apresentaremos à Justiça e a Justiça vai dar o melhor encaminhamento. Ele pode ser demitido, mas aí quem decidirá será a Justiça. A parte que cabe à Polícia Militar está sendo realizada com todo o rigor que o caso merece", disse.
*Com informações do repórter Caíque Verli, da TV Gazeta