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Dupla que matou família em Guarapari em ritual de RPG vai a júri popular

Mayderson Vargas Mendes e Ronald Ribeiro Rodrigues serão julgados por tribunal do júri nesta quinta-feira (27); sessão será realizada pela Vara Criminal de Guarapari

Publicado em 26/06/2019 às 19h46
Mayderson Vargas Mendes e Ronald Ribeiro Rodrigues, na época com 21 e 22 anos, respectivamente. Crédito: Karlla Hoffmann
Mayderson Vargas Mendes e Ronald Ribeiro Rodrigues, na época com 21 e 22 anos, respectivamente. Crédito: Karlla Hoffmann

Quatorze anos após o crime bárbaro que vitimou três pessoas de uma mesma família, em abril de 2005, os acusados Mayderson Vargas Mendes e Ronald Ribeiro Rodrigues — que, na época, tinham 21 e 22 anos respectivamente — serão julgados por tribunal do júri nesta quinta-feira (27). A sessão, marcada para começar às 9h30, será realizada pela Vara Criminal de Guarapari. A dupla é responsável por cometer um tríplo homicídio na Praia do Morro, no mesmo município.

O crime teve grande repercussão na imprensa na época, e vitimou pai, mãe e filho. O motivo teria sido um jogo de RPG (Role-Playing-Game). Será autorizada a entrada de jornalistas para assistir à sessão do júri, mas não serão permitidas imagens do julgamento, nem a entrada de câmeras no local, devendo estas permanecerem na área externa do Fórum.

De acordo com o Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES), a decisão de pronunciar os réus e levá-los a júri popular foi proferida em 2010, mas a defesa dos acusados apresentaram diversos recursos.

O CRIME

Segundo a denúncia do Ministério Público Estadual, no dia 26 de abril de 2005, por volta das 20h30, os denunciados, depois de amarrar as mãos das vítimas e obrigá-los a tomar uma dose bastante forte de um psicotrópico, concretizaram o plano de matar a família.

Morreram o aposentado Douglas Augusto Guedes, de 52 anos, sua esposa, a corretora de imóveis Heloísa Helena Andrade Guedes, de 42 anos, e o filho do casal, Thiago Andrade Guedes, de 22 anos.

Os gamers utilizaram tanto um revólver marca Taurus calibre 32, comprado dois meses antes e utilizado para desferir os tiros no ouvido direito de cada um, causando-lhes as lesões determinantes de suas mortes.

Em seguida, de acordo com o MPES, os dois acusados furtaram diversos objetos da casa, entre eles, um DVD, material escolar, roupas e calçados de Thiago e de seu pai, dois relógios, uma pulseira, um computador, telefones celulares, cartões de banco e outros pertences das vítimas. Após o crime, os denunciados teriam, ainda, efetuados vários saques na conta de uma das vítimas.

FINALIDADE DE CONTINUAR JOGO

De acordo com o inquérito policial que instruiu a denúncia do MPES, os denunciados foram à casa das vítimas com a finalidade de continuar um jogo de RPG que haviam iniciado uma semana antes.

Mayderson teria chegado primeiro, sendo recebido pelos pais de Thiago, que autorizou a sua entrada, como de costume, já que ele era amigo de seu filho único há três anos e estaria acostumado até mesmo a dormir na casa. Ele se dirigiu ao quarto do rapaz que não teria demorado a chegar.

Mayderson Vargas, preso acusado de assassinar família Guedes. Crédito: Marcos Fernandez
Mayderson Vargas, preso acusado de assassinar família Guedes. Crédito: Marcos Fernandez

Em seguida, teria chegado o segundo denunciado, Ronald, que estaria indo àquela casa pela primeira vez. Também segundo o inquérito, eles não teriam jogado nenhum jogo específico de RPG, mas inventado eles mesmos o roteiro, no qual Thiago e sua família deveriam morrer, e a prova de que isso é verdade é que os acusados foram para a casa da família já portando um revólver.

Depois de iniciado o jogo, ainda de acordo com o inquérito, a dupla teria concretizado o plano que havia sido tramado antes. Primeiro tomando de Thiago o cartão de crédito e senha.

Em seguida, o réu Mayderson teria se dirigido ao caixa eletrônico e efetuado um saque no valor de R$ 1 mil da conta do rapaz, passando, em seguida, em uma farmácia para comprar o psicotrópico. E, após isso, retornado à casa das vítimas.

Utilizando o revólver que portavam, os réus teriam rendido os pais de Thiago, que estavam na sala, vendo televisão, amarrado suas mãos e os obrigado a ingerir os comprimidos de psicotrópico com água.

Em seguida, teriam passado fita adesiva na boca das vítimas para que não gritassem e nem vomitassem o remédio que engoliram. O filho do casal teve também suas mãos amarradas para trás e foi, igualmente, obrigado a ingerir os comprimidos com água, sendo levado para seu quarto, onde deitou em sua cama.

VÍTIMA SABIA QUE IA MORRER

Em depoimento à polícia, Mayderson e Ronald contaram que começaram a jogar RPG por volta das 20h40, do dia 26 de abril de 2005, na casa de Thiago, juntamente com a vítima. Segundo eles, a história foi criada pelos próprios componentes, em que Ronald vivia o personagem de um mago, e também narrava o jogo, Mayderson seria um advogado demoníaco e Thiago seria Flávio, um policial. O jogo durou cerca de cinco horas, quando a vítima acabou perdendo e, como penalidade, deveria morrer dormindo, com a família.

Por volta da 1h30, os três foram até o quarto do casal, onde a corretora de imóveis Heloísa Helena Andrade Guedes, 42, dormia e amarram os braços dela com fita adesiva. Depois a obrigaram a tomar um sonífero. Eles seguiram até a cozinha, onde o aposentado Douglas Augusto Guedes, 52, estava e exigiram que ele tomasse o sonífero deitasse no chão do quarto de Thiago.

O pai foi o primeiro a morrer, com um tiro na cabeça. Depois foi a vez de Heloísa, da mesma forma. Thiago, sabendo que também ia morrer, sentou na própria cama, deixou que os companheiros o amarrassem e também tomou o sonífero. A polícia disse que, antes de matar Thiago, Mayderson teria ido até um caixa, em um shopping da Praia do Morro, com a senha da conta de Thiago e teria sacado R$ 1 mil.

Quando Mayderson retornou para o local do crime, Thiago já havia dormido, e foi atingido por dois tiros também na cabeça. Os acusados se acusam dos disparos. Após as mortes, o jogo continuou, e eles fizeram várias apostas com o dinheiro sacado e com outros objetos da casa. De acordo com um investigador, quando Mayderson e Ronald se encontraram na delegacia teriam dito um para o outro que o jogo continuava. Eles disseram que estavam vivendo uma fantasia e achavam que os membros da família não morreriam de verdade.

RPG

Criação

O RPG, sigla de Role-Playing Game (Jogo de Interpretação de Papéis), foi criado nos Estados Unidos em 1974 por Gary Gygax e Dave Arneson, dois estudantes de História, na cidade de Lake Geneva, Wisconsin. Eles eram fãs de jogos de guerra, conhecidos como os “war games”, mas com temáticas medievais. Não a Idade Média verdadeira e histórica, mas uma era medieval num mundo fantasioso.

Participantes

Não há um número máximo de participantes permitidos, mas muitos jogadores podem querer agir ao mesmo tempo, complicando o trabalho do mestre, que tem que fazer a resolução de todas as ações. Um número ideal são cinco participantes — quatro jogadores e um mestre.

Competição

Não existe competição entre os jogadores. Os personagens têm que formar um grupo para enfrentar os inimigos que o mestre colocará no caminho deles. Este desafio pode ser salvar o reino das garras de um feiticeiro, descobrir o assassino de uma pessoa importante, tornar-se príncipe, etc...

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