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Condenado no caso Milena Gottardi é baleado na cabeça em Fundão

Segundo o advogado de Bruno Rodrigues Broetto, ele foi atingido após tentar separar o primo de uma briga na noite do dia 1°; ele foi transferido ao hospital São Lucas e recebeu alta na manhã do dia 2

Tempo de leitura: 5min
Vitória
Publicado em 03/01/2022 às 11h07
Data: 25/09/2017 - Assassinato da médica Milena Gottardi. Bruno Rodrigues Broetto, apontado pela polícia como a pessoas que forneceu a moto utilizada no crime - Editoria: Polícia - Foto: - NA
Data: 25/09/2017 - Assassinato da médica Milena Gottardi. Bruno Rodrigues Broetto, apontado pela polícia como a pessoas que forneceu a moto utilizada no crime . Crédito: Reprodução/Facebook

Um dos condenados por envolvimento na morte da médica Milena Gottardi, em setembro de 2017, Bruno Rodrigues Broetto foi baleado na cabeça na Praia Grande, balneário de Fundão, na noite do dia 1º. A informação foi confirmada pelo advogado Leonardo da Rocha de Souza, que fez a defesa de Bruno.

Bruno foi liberado da prisão após um alvará de soltura ser expedido no dia 10 de dezembro. De acordo com Leonardo, ele foi socorrido para uma UPA na Serra e, em seguida levado ao Hospital Estadual de Urgência e Emergência (HEUE), em Vitória. Ele foi liberado na manhã do dia 2.

Leonardo de Souza explicou que Bruno estava na casa de familiares em Praia Grande em uma reunião de parentes quando um primo viu um homem agredindo uma mulher em um quiosque que fica em frente à residência. O primo, então, foi tentar separar a briga, momento em que, segundo Leonardo, uma briga teve início.

"O Bruno foi tirar o primo dele da confusão. E, nisso que ele foi tirar o primo dele, os amigos do agressor atiraram e o tiro acertou na cabeça do Bruno. Ele foi encaminhado à UPA de Castelândia para o primeiro atendimento e, na sequência, ele foi levado para o hospital São Lucas para fazer o exame de ressonância e liberado às 9h do outro dia", disse o advogado.

Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Castelândia
Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Castelândia. Crédito:  Everton Nunes/Secom-PMS

Ainda de acordo com Leonardo de Souza, a bala não ficou alojada na cabeça de Bruno e não atingiu nenhum órgão vital dele. O advogado explicou ainda que, como Bruno estava na casa de familiares e foi a vítima do disparo, não cometendo nenhum crime ou infração, o caso não tem influência na liberdade condicional dele.

O QUE DIZ A POLÍCIA

Polícia Militar comunicou que uma viatura foi acionada durante patrulhamento pela rodovia ES 010 em Praia Grande pelo condutor de um carro, que disse aos policias que dentro do veículo estava um homem baleado. O motorista alegou que não sabia quem havia feito o disparo.

De acordo com a polícia, a viatura socorreu o homem até a UPA de Castelândia. Em seguida, a vítima foi transferida pelo Samu para o Heue.

A reportagem de A Gazeta demandou a Polícia Civil, que ainda não respondeu aos questionamentos. Assim que houver novas informações, o texto será atualizado.

LIBERADO EM DEZEMBRO DE 2021

Pouco mais de três meses se passaram desde a condenação de Bruno Rodrigues Broetto a 10 anos e cinco meses de prisão, por homicídio simples, após ser identificado como a pessoa que forneceu a moto utilizada no dia do atentado que resultou na morte da médica Milena Gottardi, em setembro de 2017. Mas no dia 10 de dezembro foi expedido alvará de soltura ao réu. A defesa diz que ele passará o Natal em família.

O alvará concedendo o benefício do livramento condicional ao réu, que permite o cumprimento da pena em liberdade até o total do tempo estipulado, indicou condições que devem ser cumpridas por Bruno Broetto:

  1. não portar armas de qualquer espécie; 
  2. não frequentar bares e similares; 
  3. não ingerir bebida alcoólica; comprovar seu horário de trabalho no prazo de 30 (trinta) dias para fixação do horário de saída e retorno do mesmo, para seu lar;
  4. não se ausentar da Comarca e nem mudar de local a sua residência sem prévia autorização do Juízo da Execução;
  5. comparecer mensalmente perante o Juízo da Execução, para informar e justificar suas atividades.

O réu também teria direito à progressão para o regime aberto de pena, em que, em vez de encarcerado, o acusado cumpre algumas outras exigências perante a Justiça. Ele fazia jus ao benefício já que o tempo atrás das grades não necessariamente equivale ao prazo de reclusão estabelecido na condenação.

Desde que cumpra os requisitos de cada caso, conhecidos como "objetivos" - de tempo - e "subjetivos" - de bom comportamento na prisão - o preso tem direito à progressão de regime, conforme o Código Penal. Isto é, tem a possibilidade de passar do regime prisional que está cumprindo a pena para outro mais benéfico.

RELEMBRE O CRIME

A médica oncologista pediátrica Milena Gottardi foi baleada no estacionamento do Hospital Cassiano Antônio de Moraes (Hucam), em Vitória, na noite de 14 de setembro de 2017, em uma suposta tentativa de assalto. Milena foi socorrida em estado gravíssimo e, após passar quase um dia internada, teve a morte cerebral confirmada às 16h50 de 15 de setembro.

Milena Gottardi
Milena Gottardi foi morta em setembro de 2017. Crédito: Arquivo Famílias/Redes sociais

As investigações da Polícia Civil descartaram, já nos primeiros dias, o que aparentava ser um assalto seguido de morte da médica (latrocínio). Naquele momento as suspeitas já eram de um homicídio, com participação de familiares.

Ao liberar o corpo de Milena no Departamento Médico Legal (DML) de Vitória, o ex-marido Hilário Frasson, condenado por ter mandado matar a médica, teve a arma e o celular apreendidos pela polícia. Ele não foi ao velório e enterro, que aconteceram em Fundão, onde Milena nasceu.

Os dois primeiros suspeitos foram presos, no dia 16 de setembro de 2017: Dionathas Alves Vieira, que confessou ter atirado contra a médica para receber R$ 2 mil; e Bruno Rodrigues Broeto, acusado de fornecer a moto usada no crime. O veículo foi apreendido em um sítio, onde foram queimadas as roupas do executor.

Em 21 de setembro de 2017, o sogro de Milena, Esperidião Carlos Frasson, foi preso, suspeito de ser o mandante do crime. Também foi detido o lavrador Valcir da Silva Dias, suspeito de ser o intermediário. Na mesma data, o ex-marido Hilário Frasson foi preso.

O último a ser detido foi Hermenegildo Palauro Filho, o Judinho, em 25 de setembro de 2017, apontado como intermediário. Ele tinha fugido para o interior de Aimorés, em Minas Gerais.

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