Veículos furtados ou com placas escondidas, rostos cobertos por balaclavas e ações concluídas em poucos minutos faziam parte do modo de atuação de uma quadrilha investigada por arrombar lojas em diferentes municípios do Espírito Santo. Segundo a Polícia Civil, o grupo é apontado como responsável pelos furtos registrados em lojas de produtos de alto valor nas cidades de Vila Velha e Santa Maria de Jetibá, que provocaram prejuízos de aproximadamente R$ 150 mil em cada ação.
As informações foram divulgadas nesta terça-feira (4), durante coletiva de imprensa da Polícia Civil. Cinco homens foram presos na operação — quatro suspeitos de participação direta nos crimes e um homem investigado por receptação. As prisões ocorreram após o arrombamento de uma loja de eletrônicos em Santa Maria de Jetibá, na madrugada de 29 de julho.
As investigações continuam para identificar os demais participantes e recuperar os objetos que ainda não foram localizados. Os agentes também apuram se a mesma associação criminosa tem ligação com furtos semelhantes registrados em Afonso Cláudio, Marechal Floriano, Ibatiba e Marataízes.
De acordo com o delegado-geral da Polícia Civil, Jordano Bruno, o que mais chamou a atenção dos investigadores foi o grau de organização do grupo. "Chama a atenção o profissionalismo em razão da velocidade com que eles praticam as ações. É tudo muito rápido", afirmou.
A Polícia Civil começou a investigar o grupo após o arrombamento de uma loja de roupas masculinas no bairro Glória, em Vila Velha, no dia 13 de julho. Segundo a investigação, os criminosos utilizavam veículos furtados ou circulavam com as placas escondidas para dificultar a identificação.
Na ação criminosa registrada em Vila Velha, um automóvel era usado para o arrombamento da loja e outro aguardava nas proximidades para dar apoio à fuga, estratégia que dificultava o rastreamento pelo cerco eletrônico e pelas câmeras de segurança.
“Um carro dá cobertura. Nas imagens aparece um veículo, mas, quando a polícia tenta localizá-lo por meio das câmeras e do Cerco Eletrônico, não o encontra porque eles já passaram para um segundo carro”, detalhou o delegado-geral.
No furto ocorrido em Santa Maria de Jetibá, o grupo voltou a agir durante a madrugada. Os suspeitos saíram de Cariacica em um Fiat Mobi e um Chevrolet Celta, ambos com as placas escondidas, e arrombaram a porta do estabelecimento. A ação também foi concluída em poucos minutos.
As investigações apontam que os suspeitos estudavam previamente a rotina dos estabelecimentos e priorizavam lojas que comercializavam produtos caros. Em uma das ações, havia roupas e bolsas avaliadas em aproximadamente R$ 3 mil por unidade.
A quadrilha também mantinha uma divisão de tarefas. Havia integrantes responsáveis por fornecer os veículos, fazer o reconhecimento do local, entrar nos estabelecimentos, transportar os produtos e armazenar os materiais furtados. “Não são apenas cinco indivíduos. É uma associação criminosa com tarefas muito bem delimitadas e uma logística bem definida. Cada integrante sabe qual é a sua função”, explicou o chefe do Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic), delegado Gabriel Monteiro.
Segundo a Polícia Civil, os integrantes se revezavam nas funções. A motocicleta registrada no furto de Vila Velha era utilizada para fazer uma espécie de ronda e acompanhar a movimentação antes do arrombamento.
Após o crime, equipes realizaram buscas no bairro Castelo Branco, em Cariacica, onde os investigados moravam e teriam ligação com o tráfico de drogas. Parte das roupas usadas na ação e dos produtos levados da loja foi abandonada e posteriormente recuperada.
A investigação já havia identificado dois dos cinco suspeitos quando o grupo voltou a agir, desta vez em Santa Maria de Jetibá.
Os veículos utilizados no crime da Região Serrana foram identificados por meio do cerco eletrônico. A Delegacia de Santa Maria de Jetibá compartilhou as informações com o Deic e com a Polícia Militar, que montou bloqueios em possíveis rotas de fuga.
As buscas envolveram equipes de Santa Leopoldina, Santa Teresa, Cariacica, Viana e Serra. Dois suspeitos apontados como condutores dos veículos foram presos no dia 30 de julho. Outros dois foram encontrados no dia seguinte, também em Cariacica.
No momento de uma das prisões, um dos investigados estava com um celular levado da loja. Alguns suspeitos confessaram a participação e um deles indicou o homem que estaria guardando os produtos.
Na residência do suspeito de receptação, a polícia encontrou cerca de um terço dos equipamentos furtados em Santa Maria de Jetibá. Também foram recuperados objetos levados de uma relojoaria em Afonso Cláudio. Os quatro suspeitos foram autuados em flagrante por furto qualificado, e o quinto homem, por receptação. As prisões foram convertidas em preventivas.
A Polícia Civil apura a participação da quadrilha em crimes ocorridos em Afonso Cláudio, Marechal Floriano, Ibatiba e Marataízes. Um dos presos já havia sido detido em flagrante por um furto em Marechal Floriano, no dia 15 de abril, mas foi solto posteriormente.
Ao menos um envolvido no furto de Santa Maria de Jetibá ainda não foi identificado. A polícia também acredita que outras pessoas integrem a associação e desempenhem funções específicas na escolha dos alvos, no fornecimento de veículos e na venda dos produtos.
As investigações continuam para identificar os demais participantes, esclarecer a atuação do grupo em outros municípios e recuperar os objetos que ainda não foram localizados. A Polícia Civil pediu que vítimas de crimes semelhantes registrem boletim de ocorrência e que informações sobre os suspeitos sejam repassadas anonimamente pelo Disque-Denúncia 181.