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PM também é réu

Colegas de PM que matou casal de mulheres em Cariacica viram réus

Sete policiais respondem por descumprimento de normas durante a ocorrência; dois também são acusados de abandono de posto

Publicado em 02 de Setembro de 2026 às 17:49

Mikaella Mozer

Publicado em 

02 set 2026 às 17:49
Colegas do cabo da PM Luiz Gustavo Xavier do Vale se tornaram réus no processo de morte de casal em Cariacica
Colegas do cabo da PM Luiz Gustavo Xavier do Vale se tornaram réus no processo de morte de casal em Cariacica Arquivo pessoal

Sete policiais militares se tornaram réus por supostas irregularidades na atuação durante a ocorrência que terminou com as mortes de Francisca Chaguiana Dias Viana e Daniele Toneto Rocha, no bairro Cruzeiro do Sul, em Cariacica, em 8 de abril. A denúncia apresentada pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES) foi recebida pela Justiça Militar em 27 de agosto de 2026.


Os réus são Hildebrando da Silva Santos, Edson Luiz da Silva Verona, Felipe Gonçalves Vieira, Lucas Nogueira Oliveira, Valfril do Carmo Carreiro, Hilário Antônio Nunes Loureiro Júnior e Eduardo Ferro Coradini.


Segundo o MPES, todos respondem pelo crime de inobservância de lei, regulamento ou instrução, que ocorre quando o militar, no exercício da função, deixa de cumprir normas que regem sua atuação e, com isso, causa prejuízo à Administração Militar. Hilário e Eduardo também respondem por abandono de posto.


A responsabilidade pelos homicídios é apurada separadamente, segundo o Ministério Público. O processo contra os sete militares seguirá com a citação dos acusados e a apresentação das respectivas defesas.


Segundo a Corregedoria da PM, os sete permanecem afastados das atividades operacionais desde 16 de julho e  foram realocados para funções administrativas.


A Corregedoria informou ainda que os fatos envolvendo policiais militares e inseridos na esfera de atribuição da corporação são devidamente apurados, observados os procedimentos legais, os direitos das partes envolvidas e a lisura das apurações.

PM também é réu

O cabo Luiz Gustavo Xavier do Vale, apontado como autor dos disparos que mataram Francisca e Daniele, virou réu no dia 17 de setembro, mas responde em um processo separado dos outros sete policiais. O policial permanece preso no Presídio Militar desde abril deste ano. 


O PM também é réu em outro processo envolvendo o homicídio da mulher trans conhecida como Lara Croft, em 13 de julho de 2022 no bairro Alto Laje, em Cariacica.


A reportagem tenta contato com as defesas dos acusados. O espaço segue aberto para manifestação.

Relembre o caso

Luiz Gustavo Xavier do Vale, preso pelas mortes de Daniele Toneto, de 45 anos, e Francisca Chaguiana Dias Viana, de 31, foi até o bairro Cruzeiro do Sul, em Cariacica, na Grande Vitória, no dia 8 de abril, após saber de uma discussão entre as vítimas e a ex-mulher dele, que teria começado por causa de um ar-condicionado.


A ex-mulher do policial e as duas vítimas moravam no mesmo prédio, mas em andares diferentes, e compartilhavam o padrão de energia. Conforme relatos de vizinhos, Daniele e Francisca já tinham histórico de desentendimentos com a ex-mulher do PM.


A situação piorou semanas após a instalação do aparelho. Uma eletricista contratada pelas vítimas teria alertado para a possibilidade de curto-circuito devido à sobrecarga dos fios. Como as moradoras compartilhavam a conta de energia, a situação teria provocado novos desentendimentos.


No dia do crime, segundo vizinhos, as três discutiram. A ex-mulher de Luiz Gustavo confirmou que ligou para o policial e relatou que Daniele e Francisca haviam ofendido o filho deles. Uma câmera de segurança registrou o momento em que as duas foram baleadas após o PM chegar ao local acompanhado de colegas de trabalho. Veja o vídeo abaixo.

Errata

28/09/2026

A matéria informou inicialmente que o policial militar Luiz Gustavo Xavier do Vale era réu no processo que apura as mortes de Francisca Chaguiana Dias Viana e Daniele Toneto Rocha. Na data da publicação, porém, Luiz ainda era investigado pelo duplo homicídio e já respondia como réu em outro processo, relacionado ao crime contra a mulher trans conhecida como Lara Croft.


Luiz passou a ser réu no processo do duplo homicídio em 17 de setembro, após a publicação da reportagem. O texto foi corrigido e atualizado na noite de 28 de setembro de 2026.

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