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Após pedido do MPES

Justiça suspende 6 PMs por omissão ao verem colega matar casal de mulheres em Cariacica

Militares estavam com o cabo Luiz Gustavo Xavier do Vale no momento do crime e não tentaram impedir a execução de duas mulheres
Júlia Afonso

Publicado em 

17 abr 2026 às 08:51

Publicado em 17 de Abril de 2026 às 08:51

Cabo Hilario Antonio Nunes Loureiro Juniro; soldado Filipe Gonçalves Vieira; sargento Valfrir do Carmo Carreiro; soldado Eduardo Ferro Coradini; soldado Edson Luiz da Silva Verona; e aluno soldado Lucas Nogueira Oliveira
Cabo Hilario Antonio Nunes Loureiro Junior; soldado Filipe Gonçalves Vieira; sargento Valfril do Carmo Carreiro; soldado Eduardo Ferro Coradini; soldado Edson Luiz da Silva Verona; e aluno soldado Lucas Nogueira Oliveira  Crédito: Montagem A Gazeta

A Justiça aceitou o pedido do Ministério Público do Espírito Santo (MPES) e determinou a suspensão de seis policiais militares que estavam com o cabo Luiz Gustavo Xavier do Vale no momento em que ele matou um casal de mulheres em Cruzeiro do Sul, Cariacica, no último dia 8

A informação foi confirmada à reportagem de A Gazeta pelo MPES, que já havia solicitado o afastamento dos militares e a suspensão do porte de arma dos agentes.

De acordo com as investigações, os seis policiais estavam presentes quando o cabo Luiz Gustavo, após receber uma ligação da ex-esposa relatando uma discussão com um casal de vizinhas, foi até o local e assassinou Francisca Chaguiana Dias Viana e Daniele Toneto. Imagens de câmeras de segurança mostram que os militares não tentaram impedir o colega de cometer os crimes (veja abaixo).

O cabo Luiz Gustavo está preso desde o dia do crime. Os agentes suspensos são:

  • Edson Luiz da Silva Verona, soldado;

  • Eduardo Ferro Coradini, soldado;

  • Filipe Gonçalves Vieira, soldado;

  • Hilario Antonio Nunes Loureiro Junior, cabo;

  • Lucas Nogueira Oliveira, aluno soldado;

  • Valfril do Carmo Carreiro, 3º sargento.

O cabo da Polícia Militar Luiz Gustavo Xavier do Vale atirou e matou um casal de mulheres
O cabo da Polícia Militar Luiz Gustavo Xavier do Vale irá responder na justiça comum e militar Crédito: Redes Sociais

Discussão teria começado por ar-condicionado

À esquerda, Francisca Chaguiana Dias Viana. De óculos, Daniele Toneto. Mulheres foram mortas por PM em Cariacica
À esquerda, Francisca Chaguiana Dias Viana. De óculos, Daniele Toneto. Mulheres foram mortas por PM  Crédito: Redes sociais

A ex-esposa do policial e as duas vítimas moravam no mesmo prédio, em andares diferentes, e já tinham histórico de desentendimentos. No último dia 8, segundo apuração da TV Gazeta, a discussão teria começado por causa de um ar-condicionado.

A mulher relatou ainda que as vizinhas teriam ofendido seu filho autista, de 8 anos, o que a levou a ligar para o ex-marido. Ela admitiu que desceu com uma faca durante a confusão. "Quando desci com a faca, elas me jogaram contra a parede, me agrediram e começaram a me bater", afirmou. Ela não quis se identificar.

Uma testemunha confirmou o que mostram imagens de câmeras de segurança. “Ele já chegou com a arma em punho, subiu e atirou nas meninas na calçada”, disse, também sem se identificar. “Não é porque ele é policial que poderia agir assim. Tirou a vida de duas mulheres. Poderia ter resolvido de outra forma. No bairro, todos veem isso como abuso.”

"Conduta inadmissível"

Logo após o crime, o governador do Estado, Ricardo Ferraço, publicou nas redes sociais que o duplo homicídio tratava-se de uma conduta inadmissível, “que não representa, em hipótese alguma, a postura da nossa Polícia Militar”.

Três dias depois, a Justiça decretou a prisão preventiva do cabo. Em 14 de abril, a Corregedoria da Polícia Militar informou que os seis colegas de Luiz Gustavo haviam sido afastados das ruas e estavam atuando em funções administrativas.

Em seguida, no mesmo dia, o governador Ricardo Ferraço anunciou que todos os policiais militares envolvidos no caso seriam suspensos de todas as atividades, inclusive as administrativas, para as quais seriam realocados. As armas de todos também seriam recolhidas.

MPES defende afastamento

Na última quarta-feira (15), o MPES divulgou uma nota se manifestando favorável pelo afastamento cautelar dos investigados de suas funções, pela suspensão do porte de arma funcional, com recolhimento do armamento institucional, e pela suspensão do porte de arma de fogo particular. 

“Por fim, o MPES também requereu o retorno dos autos à Corregedoria da PMES para a continuidade das diligências necessárias ao completo esclarecimento dos fatos, incluindo a juntada de laudos periciais, oitivas de testemunhas e elaboração de relatório final”, disse o comunicado.

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