Repórter / [email protected]
Publicado em 12 de novembro de 2025 às 18:59
A discussão que terminou com o assassinato de Rayana Bittencourt de Oliveira Rios da Silva, de 36 anos, no último domingo (9), começou em um bar. Segundo as investigações, o companheiro da vítima, Luan dos Santos Braz, de 29 anos, teria se irritado ao ver dois homens olhando para ela. Tomado por ciúmes, iniciou uma briga que continuou em casa, no bairro Residencial Jacaraípe, na Serra, onde o crime aconteceu. Ele foi preso nesta quarta-feira (12), um dia após a família da vítima realizar um protesto na Avenida Vitória, na região do Forte São João, na Capital. >
Segundo a delegada Rafaela Aguiar, da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Mulher (DHPM), o casal havia saído para comemorar a compra de um carro, acompanhado do filho pequeno. “A discussão começou no local e seguiu em casa. Lá, evoluiu para uma sessão de tortura. Ele começou com agressões físicas e depois passou a desferir facadas. Ele decidiu matá-la após ver fotos do ex dela”, relatou a delegada.>
Rayana conseguiu acionar a filha mais velha, Khauany Bittencourt, de 19 anos, e pedir socorro por mensagem de celular. No áudio, segundo Rafaela, a vítima mencionou o nome do agressor e demonstrou desespero. A jovem foi até a casa da mãe com a ajuda de um motorista de aplicativo, mas chegou enquanto Luan ainda a golpeava. O homem também atacou o motorista, que tentou intervir e levou uma facada no tórax.>
O crime aconteceu na frente do filho da vítima, uma criança pequena. “Ele confessou o crime, mas não mostrou arrependimento. Disse friamente que o menino estava tranquilo assistindo à televisão no momento das agressões”, afirmou Rafaela. A administradora deixa quatro filhos: Khauany, de 19 anos, duas meninas de 14 e 12 anos, e um menino de cinco anos.>
>
O casal mantinha um relacionamento conturbado e já havia uma medida protetiva em vigor. Luan tinha histórico de violência doméstica contra a vítima no Rio de Janeiro e voltou a agredir Rayana, já no Espírito Santo. “Mesmo assim, ela o perdoou e voltou. Esse é o alerta: quando começam os sinais de controle e agressão, é preciso buscar ajuda. A violência tende a se repetir e piorar até chegar à morte”, ressaltou a delegada.>
A prisão aconteceu nesta quarta-feira (12), em uma área de mata em Nova Almeida. Conforme o delegado-geral José Darcy Arruda, a captura foi resultado de um trabalho intenso. “Tiramos de circulação um covarde, um perverso, um homem que não merece viver em sociedade. Ele matou com crueldade e deixou quatro filhos sem mãe. O que queremos agora é que responda perante a Justiça com a pena máxima”, disse.>
Durante as buscas, a polícia recebeu informações de que o suspeito chegou a cogitar se entregar, mas desistiu. Pouco depois, foi localizado e preso sem resistência. Segundo Rafaela, ele passou os dias seguintes ao crime escondido em áreas de mata. No interrogatório, não demostrou remorso ou sentimento de culpa. >
“É um caso de extrema crueldade, um exemplo claro do ciclo de violência que precisa ser interrompido. O recado para as mulheres é: procurem ajuda no primeiro sinal. Busquem as delegacias especializadas, o Ministério Público ou qualquer unidade de atendimento. O Estado tem uma rede de apoio ampla”, concluiu a delegada>
Conforme a delegada, ele irá responder por feminicídio, tentativa de homicídio e furto pelo celular da vítima.>
Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.
Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta