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Advogado acusado de repassar ordens de preso para crimes continua foragido

O advogado Cláudio Salvador Fiorot, de 46 anos, é apontado pela investigação da Polícia Civil como ponte entre um traficante preso e criminosos e seria membro de uma quadrilha responsável por executar um jovem por engano este ano, na Serra

Publicado em 04/09/2020 às 19h43
Atualizado em 04/09/2020 às 20h59
O advogado Cláudio Salvador Fiorot foi quem levou de dentro do presídio a ordem de execução dada pelo traficante Ramon de Aguiar Mello
O advogado Cláudio Salvador Fiorot foi quem levou de dentro do presídio a ordem de execução dada pelo traficante Ramon de Aguiar Mello. Crédito: Divulgação / Polícia Civil

Já se completaram 15 dias que o advogado criminalista Cláudio Salvador Fiorot, 46 anos, está foragido da Polícia Civil, desde que o mandado de prisão foi expedido contra ele pelo envolvimento na morte de  Douglas Ferreira Caser, de 26 anos, executado na noite do dia 11 de junho, no bairro Parque Residencial Laranjeiras, na Serra.

O advogado é apontado pela Polícia Civil como o responsável por transmitir ordens de homicídios e tráfico de drogas de dentro do Centro de Detenção Provisória de Viana (CDPV-2), onde se encontra preso o traficante Ramon de Aguiar Mello, de 27 anos. Foi Ramon quem ordenou a execução de Douglas que, segundo as investigações, morreu por engano.  Quem tiver informações sobre a localização de Cláudio pode repassar pelo telefone 181 Disque-denúncia. 

As investigações do assassinato foram realizada pela  Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra. Durante dois meses,  os levantamentos dos policiais apontaram que as ordens para a execução do jovem partiram de um presídio e foram repassadas para criminosos pelo advogado.

A investigação levou ao desmantelamento de uma organização criminosa violenta – e fortemente associada ao tráfico de drogas na Grande Vitória – que contava com nove pessoas.

De dentro do Complexo Prisional de Viana, Ramon – que está preso desde 2017 por um homicídio ocorrido durante a paralisação da Polícia Militar no mesmo ano – pediu que o advogado Claudio Fiorot levasse a ordem de execução de uma pessoa. "Levantamos que o criminoso queria recuperar o controle do tráfico no bairro André Carloni, na Serra, porém havia uma pessoa que o "atrapalhava". No momento da execução, Douglas Ferreira Caser foi confundido com essa pessoa que seria o alvo e acabou assassinado", descreveu o delegado titular Rodrigo Sandi Mori, em coletiva sobre o caso. 

PASSO A PASSO

No dia 11 de junho – data do crime – o advogado já havia repassado as informações aos comparsas de Ramon. Douglas Rodrigues Ribeiro, de 41 anos, conhecido como "DG", então planejou a execução e arquitetou todo o crime. Douglas, que foi detido no dia 24 de junho pela DHPP, é apontado como braço direito e homem de confiança de Ramon.

Com o plano de execução já traçado, Douglas pediu apoio a Gabriel Augusto dos Santos, chefe do tráfico do Morro da Garrafa, em Vitória. "Blake", como é conhecido, já possui passagem pela polícia, forneceu o armamento e liberou dois comparsas para que executassem o traficante rival.

"Esse crime ocorreu porque o Ramon queria controlar novamente o tráfico no bairro André Carloni, na Serra. Para isso ele pediu apoio de parceiros do Morro da Garrafa, na condição de que se conseguissem retomar o controle. O Morro da Garrafa teria participação nos lucros do tráfico de lá. Por isso que o "Blake" forneceu o armamento, munição e dois dos liderados dele para o crime", disse Sandi Mori. O chefe do tráfico na região é um dos foragidos, assim como o advogado.

Neste momento da história surge a figura do motorista de aplicativo Paulo Henrique Nascimento dos Santos, de 25 anos. Também membro da organização criminosa liderada por Ramon, ele armou um encontro com o jovem que viria a ser executado na noite do dia 11. Paulo Henrique teve ainda o papel de identificar, para os criminosos, o Honda Civic prata onde estavam Douglas e a mulher dele.

A organização criminosa desmantelada pela polícia na Serra

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O advogado Cláudio Salvador Fiorot foi quem levou de dentro do presídio a ordem de execução dada por Ramon. Divulgação/Polícia Civil
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Arthur da Silva Nascimento dirigia o veículo que levou os homicidas ao posto de combustíveis. Divulgação/Polícia Civil
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Gabriel Augusto dos Santos, o "Blake" é o chefe do tráfico no Morro da Garrafa e liberou dois comparas e as armas para o crime. Divulgação/Polícia Civil
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Paulo Henrique Nascimento é motorista por aplicativo e foi quem forjou o encontro com Douglas no local do crime. Divulgação/Polícia Civil
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Lucas Soares Martins, o "Cara de Urso" foi um dos executores. Ele está foragido. Divulgação/Polícia Civil
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Douglas Rodrigues, o "DG", foi o mentor do assassinato de Douglas no dia 11 de junho. Divulgação/Polícia Civil
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Ramon de Aguiar Mello, está preso em Viana e foi quem ordenou o crime. Divulgação/Polícia Civil
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Paulo Renato, o "PR" foi um dos executores do crime. Ele também é um dos criminosos mais procurados do ES por assaltos à agências dos Correios . Divulgação/Polícia Civil
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EXECUÇÃO

A ação criminosa ocorrida em um posto de combustíveis na Serra poderia ainda ter sido muito pior, visto que o plano da organização criminosa era executar Douglas em uma lanchonete localizada na Reta da Penha, porém precisou mudar o combinado, como detalhado pelo titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa da Serra.

"A vítima alegou que tinha um compromisso na Serra e disse que aguardaria pelo Paulo Henrique no posto, onde ocorreu o crime. Lá ele iria negociar drogas com o Paulo Henrique. Após a negativa do Douglas em esperar na lanchonete, o motorista de aplicativo se deslocou até o posto e lá esperou por ele até o momento do crime", disse o delegado.

Rodrigo Sandi Mori explicou que à espera do homem assassinado estava a dupla de executores formada por Lucas Soares Martins, conhecido como Cara de Urso, de 24 anos, e Paulo Renato Micaella dos Anjos Pereira, o PR, de 20 anos. Fortemente armados, eles abriram fogo contra o Honda Civic e dispararam 70 vezes contra o veículo dirigido por Douglas, que foi atingido por 34 disparos.

Um dos responsáveis por fornecer as armas dos crime, Gabriel Augusto dos Santos, o "Blake", e outro por puxar o gatilho no crime, Lucas Soares Martins, estão foragidos. Os dois são moradores do Morro da Garrrafa, em Vitória.

Já Paulo Renato, que foi preso no dia 24 de junho, pelo assassinato também era procurado pela Polícia Federal por ter envolvimento em assaltos a agências dos Correios no Estado. De acordo com as investigações da DHPP, trata-se de um dos criminosos mais procurados do Espírito Santo.

Delegado Rodrigo Sandi Mori
Delegado Rodrigo Sandi Mori. Crédito: Divulgação/ Polícia Civil

34 TIROS

Alvejado por 34 disparos, Douglas conseguiu dirigir por cerca de 500 metros entre o posto até o Hospital Metropolitano, que fica na Avenida Eldes Scherrer Souza. No local, ele deixou a mulher, que também foi atingida por oito tiros. Na sequência, o jovem então saiu com o carro, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no canteiro central que divide as pistas.

Dos nove envolvidos, oito já foram identificados, sendo que cinco deles já se encontram detidos. As prisões são resultado de pelo menos quatro grandes operações policiais nos últimos dois meses na Grande Vitória, de acordo com o delegado.

"As operações ocorreram no dia 24/06, 01/07, 24/07 e 15/08. Infelizmente na operação no Morro da Garrafa não conseguimos prender os dois executores, porém demos um desfalque grande no tráfico de lá, pois foram apreendidas muitas armas de fogo e drogas no dia 24 de julho. Depois voltamos lá no último dia 15,  mas ainda não localizamos os executores. Mas o recado que damos é que enquanto não prendermos todos esses indivíduos, nós não vamos sossegar", garantiu o delegado.

Outra pessoa detida nesta grande investigação foi Arthur da Silva do Nascimento, de 25 anos. O "2T", como é também conhecido foi preso na ação realizada no dia primeiro de julho e foi responsável por dirigir o carro que levou os dois executores ao local do crime. Por fim, a polícia ainda informou que uma pessoa não identificada e que participou da execução também está foragida.

MINISTÉRIO PÚBLICO

Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES), por meio da Promotoria de Justiça Criminal da Serra, denunciou oito integrantes do grupo criminoso voltado ao tráfico de drogas no bairro André Carloni, localizado no município.

O MPES requer que os réus sejam submetidos a julgamento pelo Tribunal Popular do Júri e sejam condenados pelos crimes de homicídio qualificado, tentativa de homicídio e associação criminosa. Também foi pedida a prisão preventiva dos denunciados, o que já foi deferido pela Justiça, com a aceitação da denúncia ministerial.

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