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Solidariedade

Irmãos com doença rara mobilizam população de São Roque do Canaã

Luiz Henrique e Gabriel, de 12 e 15 anos, nasceram com epidermólise bolhosa; família conseguiu uma casa nova por causa da solidariedade de quem mora na cidade

Publicado em 11 de Setembro de 2019 às 15:07

Redação de A Gazeta

Publicado em 

11 set 2019 às 15:07
Sem contato físico, Gabriel Degaspari, de 15 anos, brinca com o irmão mais novo Crédito: Reprodução | TV Gazeta Noroeste

Um simples abraço ou um banho quente pode machucar. Parece difícil crer nesse cenário, mas esta é a realidade enfrentada pelos irmãos Luiz Henrique e Gabriel Degaspari, de 12 e 15 anos de idade, respectivamente. Nascidos em São Roque do Canaã, no Noroeste do Estado, eles têm uma doença genética rara chamada epidermólise bolhosa, que torna a pele extremamente sensível.

Portadores do tipo severo da doença, eles sofrem com qualquer contato físico, já que a mínima pressão ou atrito gera bolhas na epiderme que, depois, se transformam em feridas profundas. A rotina, portanto, exige diversos cuidados, como a troca diária de curativos especiais que cobrem a maior parte do corpo dos meninos, após, claro, um delicado banho.

Epidermólise bolhosa causa feridas na pele Crédito: Reprodução | TV Gazeta Noroeste

De acordo com a mãe Marleide Strelow Degaspari, apenas o gasto com a bandagem soma cerca de R$ 112 mil mensais. “Conseguimos receber esse material pelo SUS, o que é bom já que ele projete e ajuda na cicatrização da pele sem arranhá-la, como era o caso das gazes que utilizávamos antes. Sem esses cuidados, as lesões poderiam sangrar e inflamar”, explicou.

Luiz Henrique Degaspari, de 12 anos Crédito: Reprodução | TV Gazeta Noroeste

Tornando a situação ainda mais delicada, o caçula também possui uma anemia aplástica, que faz com que a medula não produza a quantidade suficiente de hemácias. Consequentemente, Luiz Henrique precisa passar por transfusões sanguíneas a cada duas semanas. Juntos, os dois quadros clínicos geram gastos com viagens frequentes a Vitória.

MUDANÇA DE ENDEREÇO GRAÇAS À SOLIDARIEDADE

Para tentar facilitar o caminho até a capital capixaba, a família mora desde o início do ano em uma casa emprestada, que fica na sede de São Roque do Canaã. “A gente morava em Santa Júlia, que fica no interior do município, a mais ou menos 20 km daqui. Como a estrada até lá era de terra, o deslocamento era bem complicado”, contou Marleide.

Dona de casa, a mãe Marleide Strelow Degaspari é grata por toda a ajuda da população de São Roque do Canaã Crédito: Reprodução | TV Gazeta Noroeste

De acordo com ela, o ato de bondade mostrou-se essencial há poucos meses. “Em maio, o Luiz Henrique teve uma crise e precisamos correr para o pronto atendimento daqui da cidade. De lá, ele precisou ser transferido para Colatina e depois para Vitória. Se não estivéssemos aqui, não sei o que teria acontecido com ele”, lembrou.

A UNIÃO FAZ A FORÇA: SOCIEDADE MOBILIZADA

E há uma nova mudança à vista. Nas próximas semanas, a família deve se mudar para uma casa nova e mais arejada que a atual – fator importante, já que o calor também pode provocar lesões na pele dos irmãos. Tudo graças à mobilização dos moradores e empresários locais que se organizaram em um grupo chamado “A união faz a força”.

Nova casa está sendo construída com doações, no bairro São Roquinho Crédito: Reprodução | TV Gazeta Noroeste

No final do ano passado, cada integrante contribuiu como pôde para realizar um evento beneficente e arrecadar dinheiro para ajudar a família. Ao todo, eles conseguiram juntar R$ 90 mil, que foram gastos na compra de um lote no bairro São Roquinho, de materiais de construção e até de móveis para a nova residência.

8 CASOS A CADA 1 MILHÃO DE PESSOAS

De acordo com informações da Debra, que é um cadastramento nacional de pessoas com epidermólise bolhosa, a estatística mundial aponta oito casos a cada um milhão de pessoas, o que significaria 1600 portadores brasileiros. No Espírito Santo, há apenas 26 casos registrados e somente oito deles são do tipo severo, que acomete os irmãos.

EVOLUÇÃO DAS CRIANÇAS BORBOLETAS

Há quatro anos, Luiz Henrique e Gabriel são atendidos voluntariamente pela médica Rosalie Matuk Fuentes Torrelio, em Vitória. “Durante esse período de acompanhamento, pudemos ver uma melhora no quadro, graças a esforços interdisciplinares com médico, dentista, nutricionista e fisioterapeuta”, disse.

A médica Marleide Strelow Degaspari atende os irmãos voluntariamente há quatro anos Crédito: Reprodução

De acordo com ela, os portadores da epidermólise bolhosa são conhecidos como “borboletas”, por causa da comparação da fragilidade da pele destas pessoas com a da asa destes animais. “Embora não seja contagiosa, quem tem essa doença ainda sofre com muito preconceito. Por isso é importante falar a respeito”, defendeu.

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